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Na última quinta-feira (24), o Sebrae Minas e o Instituto Sebastião realizaram o 1° Fórum de Desenvolvimento Local de Macacos. O evento, que teve como objetivo debater e apresentar propostas para restabelecer a economia do distrito, reuniu representantes da Associação Comercial de Macacos, do Sebrae Minas, Instituto Sebastião, da Prefeitura de Nova Lima, Secretaria Municipal de Turismo, comerciantes e moradores da comunidade. O evento reuniu cerca de 80 participantes.

De acordo com o secretário do Instituto Sebastião, Marcelo Gualberto, a crise vivenciada pelos moradores trouxe a oportunidade da comunidade se aproximar. “Desde o dia 13 de fevereiro, este local em que estamos realizando o evento, o acampamento MPC, deixou de receber mais de 3 mil pessoas. Apesar de sentirmos na pele as consequências dessa situação, sabemos que é preciso olhar para frente, com criatividade e unidade. Queria que hoje fosse um marco para nós e que esse evento seja um momento de confraternização.”

A região de São Sebastião das Águas Claras, mais conhecida como Macacos, é um distrito de Nova Lima, localizado a 20 km de Belo Horizonte. É procurado pelas opções gastronômicas, como bares, restaurantes e pousadas, além do ecoturismo, a sua principal fonte econômica. Para fortalecer os empreendedores da região, o Sebrae Minas passa a oferecer apoio por meio de ferramentas e metodologias que irão auxiliar no desenvolvimento local. “Disseminar o empreendedorismo e apoiar os pequenos negócios é o objetivo do Sebrae. Por meio do Instituto Sebastião, conseguimos chegar até a comunidade. Trazemos ferramentas e metodologias, mas os moradores serão os protagonistas nessa jornada”, destaca o analista do Sebrae Minas Anderson Freitas.

Para a secretária de Turismo de Nova Lima, Fabiana Giorgini, o evento tem um importante papel para a reconstrução de Macacos. “O distrito é poderoso no ecoturismo, na gastronomia e nos patrimônios históricos e temos que fortalecê-los. Temos potencial para fazer dar certo, mas, para isso, precisamos da comunidade alinhada”, reforça.

Um dos projetos apresentados é a Estação Lótus, desenvolvido pelo Ministério do Turismo e incorporado aos projetos do Aliança Brumadinho, de responsabilidade do Ministério da Cidadania. Daniel Vaz, gestor de projetos do Instituto Sebastião, informa que a solução pretende estabelecer uma rota segura para moradores e turistas. “É um circuito de estação de ônibus, com subidas e descidas ilimitadas, um modelo Hop on Hop off. No nosso caso, por meio de ônibus elétricos. É uma forma criativa de conectar Brumadinho a Macacos”.

O presidente da Associação Comercial de Macacos e proprietário do Empório Macacos, Francisco Assis Magalhães Monteiro, afirma que é preciso fomentar o empreendedorismo na região de forma a estabelecer potenciais negócios que possam contribuir com o momento econômico. “ Devemos identificar novos empreendedores e ideias, utilizando o que temos de melhor, o turismo. É preciso formalizar os comerciantes que ainda estão na informalidade e capacitá-los. E é neste cenário que entra o Sebrae”.

E para a comunidade atingida se articular e enfrentar as consequências do atual cenário, o ex-procurador da República e presidente do Conselho de Referência do Instituto Sebastião, Rodrigo Janot, chama a atenção para a necessidade de reflexão sobre o atual contexto e seus desafios.  “Recorro ao princípio da extraterritorialidade da jurisdição, que nasce no combate à corrupção, e que possibilita a aplicação da lei penal a fatos criminosos ocorridos em territórios de outros estados, como no caso Samarco, Vale e BHP, em Mariana. A nossa lei ambiental (9.605/1998) é muito forte, mas não possui uma boa aplicabilidade. É preciso judicializar todas as questões. O prazo médio de um processo no exterior tem duração de 3 anos e meio, enquanto no Brasil são gastos de 15 a 20 anos. São problemas que estão fora do nosso dia a dia e para os quais precisamos buscar auxilio na jurisdição utilizada em outros países”, afirma. (Da Redação)