Crédito: Rodrigo Gouvea

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou projeto para a revitalização do centro histórico de Congonhas, no Campo das Vertentes, o que irá contribuir para que o município explore mais o seu potencial turístico e supere os impactos da pandemia do novo coronavírus (Covid-19).

Congonhas fez parte do ciclo do ouro do Brasil e reúne um impressionante acervo cultural composto por igrejas de arquitetura barroca e esculturas do artista Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho.

Com o apoio do BNDES, será possível a confecção de réplicas de dez dos doze profetas esculpidos em pedra-sabão no adro do Santuário do Bom Jesus de Matosinhos. Serão produzidos moldes de segurança dos profetas Isaias, Jeremias, Baruque, Ezequiel, Daniel, Oseias, Abdias, Amós, Habacuque e Naum. Até então, só havia as réplicas de Joel e de Jonas, realizadas em 2011 pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Nacional (Iphan) pela Unesco.

O projeto contemplará também a expansão do Museu de Congonhas, espaço anexo ao santuário inaugurado em 2015 com o apoio do BNDES. O museu, que pretende disseminar a importância da história local através do uso de recursos tecnológicos, construirá a “Galeria dos Profetas”.

Ali serão expostas as réplicas dos profetas, de forma também a reunir o conhecimento na preservação de esculturas em pedra-sabão. Está previsto, ainda, o funcionamento de um anfiteatro para receber ações culturais complementares. Os recursos do banco serão utilizados na estruturação de ações para melhoria da sustentabilidade financeira do Museu de Congonhas.

“Trata-se de mais um importante aporte conquistado para manter a riqueza histórica de Congonhas, Patrimônio Cultural Mundial pela Unesco. O projeto aprovado conclui uma antiga meta de conclusão dos moldes das estátuas de Aleijadinho, processo que motivou, em 2003, o início da construção do Museu de Congonhas. O molde e a cópia a serem confeccionados serão considerados objetos históricos e de utilização replicável. Terão a função de registro, documentação, referência e matriz. Assim, no futuro, havendo necessidade de outro molde, essa matriz será usada, e não a escultura original. Para a conservação das peças resultantes do projeto – molde, cópia de segurança e réplica –, elas serão armazenadas no Museu de Congonhas. O projeto seguirá algumas etapas para sua implantação e vamos comunicar as fases do trabalho para acompanhamento”, destaca Sérgio Rodrigo Reis, um dos responsáveis pelo desenvolvimento e apresentação do projeto junto ao BDNES.

O projeto é a quarta e última fase de uma série de investimentos conjuntos para a implantação do Museu de Congonhas. As ações contaram com a participação de empresas privadas, da prefeitura de Congonhas e do Iphan. Na fase atual, o aporte do BNDES será de R$ 11,7 milhões, fazendo o investimento total alcançar R$ 18,9 milhões nas quatro fases do projeto. O montante representa 48% do investimento global, que é de R$ 39 milhões.

Todas estas iniciativas integram a Política Nacional do Ministério do Turismo para a Gestão dos Sítios Patrimônio Mundial, fortalecendo o roteiro “Circuitos Históricos do Ouro”. O município de Congonhas, que ao longo dos anos também realizou uma série de investimentos em infraestrutura urbana, integra o mapa brasileiro do turismo.

Religiosidade – Aleijadinho que viveu entre 1738 e 1814, é considerado pela crítica brasileira como o maior expoente da arte colonial do País. A maior parte das obras de Aleijadinho tem como tema central a religiosidade, inspiradas pelo estilo barroco e rococó. São talhas, projetos arquitetônicos, relevos e estatuária que enfeitam e enchem de cultura cidades como Ouro Preto, Tiradentes, São João Del Rei, Mariana, Sabará e Congonhas do Campo.

Dados da Organização Mundial do Turismo indicam que a atividade representa 10% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial e o mesmo percentual na geração de postos de trabalho. No Brasil, segundo estudo da Fundação Getúlio Vargas (FGV) de 2018, o PIB do turismo corresponde a R$ 257 bilhões, com geração de 3 milhões de empregos.

As igrejas e esculturas barrocas de Congonhas atraem anualmente mais de 300 mil visitantes, o que torna o turismo uma das principais atividades geradoras de receitas para a região. As ações de revitalização e preservação apoiadas pelo BNDES melhoram a qualidade dos acervos culturais. Concilia-se, dessa forma, a preservação histórica e o desenvolvimento econômico da cidade.

A Fundação Municipal de Cultura, Lazer e Turismo de Congonhas (Fumcult) atua no planejamento e na implantação das ações de revitalização urbana e turística no município. Para isso, promove iniciativas voltadas ao restauro e à requalificação dos principais equipamentos culturais históricos públicos.

Esta não é a primeira operação entre BNDES e Fumcult em prol da conservação do patrimônio histórico de Congonhas: já houve outros dois projetos, nos anos de 2018 e 2012, com recursos totais de R$ 12 milhões. (Da Redação)