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Ozon põe dedo na ferida da pedofilia na Igreja Católica

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Crédito: Divulgação

ALEXANDRE HORÁCIO

O diretor francês François Ozon recorre a uma narrativa seca, típica de documentários, e uma fotografia sombria para colocar o dedo direto na ferida da pedofilia na Igreja Católica. Vencedor do Grande Prêmio do Júri no último Festival de Berlim, “Graça a Deus” (2019) é baseado em uma história verídica e recente, que ainda está sub judice na França.

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O nome do filme foi tirado de uma declaração do arcebispo de Lyon, cardeal Philippe Barbarin, já condenado a seis meses de prisão por omissão diante das denúncias de abusos sexuais cometidos pelo padre Bernard Preynat na diocese de Lyon. “Graças a Deus que a maioria dos casos já prescreveu“, disse o cardeal EM uma coletiva de imprensa.

A sordidez da pedofilia na Igreja Católica já foi abordada em “Spotlights” (2015), cuja trama se desenvolve a partir do jornalismo investigativo também sobre um caso real ocorrido em Boston.

Em “Graças a Deus”, Ozon aprofunda no flagelo ao expor os marcantes traumas psicológicos carregados de forma distinta por homens adultos que foram vítimas de Preynat na infância, em acampamentos de escoteiros organizados pelo padre. Ironicamente, o cineasta sincroniza imagens e palavras para insinuar que o sexo masculino também é frágil.

O filme é centrado em três personagens que sofreram nas mãos de Preynat mas que absorveram os abusos cada um de forma diferente, de acordo com a própria sensibilidade e as peculiaridades da ação particular do padre sobre eles.




Alexandre (Melvil Poupaud) foi o responsável pela abertura do processo ao descobrir que Preynat, seu algoz há cerca de três décadas, continua trabalhando na Igreja com crianças. Apesar de tudo, ele continua católico e se mobiliza em busca de justiça mesmo com a prescrição do crime contra ele. Na procura por outras vítimas, ele conhece os outros dois personagens, que se juntam depois a dezenas de abusados para criar uma associação de molestados pelo padre, inclusive com o site batizado simbolicamente de “La Parole Libérée”, cuja tradução é “A Palavra Libertada”

Ao contrário de Alexandre, François (Denis Ménochet) virou ateu e se torna um militante fervoroso da causa. Já Emmanuel (Swann Arlaud) é, sem dúvida, o mais lesado pelos crimes sexuais e enfrenta uma grave instabilidade emocional diante de supostas sequelas físicas e psicológicas que o atormentam ao ponto de sofrer ataques epiléticos e ser incapaz de constituir família, ao contrário dos outros dois.

“Graças a Deus” condena muito mais a cumplicidade da Igreja Católica com a pedofilia de alguns de seus membros, ao tentar acobertar casos cometidos por padres com a conveniência de seus superiores, do que o próprio criminoso, um doente confesso que continua a molestar crianças despudoradamente apesar das denúncias levadas por vítimas e seus pais em vão durante décadas.

Ao confrontar as posições e reações dos três personagens, assim como de outros membros do grupo de vítimas, Ozon mostra as atitudes completamente diferentes de seres humanos que vivenciam e compartilham a mesma dor. “Graça a Deus” é um obra ímpar do cineasta francês, cuja filmografia tem em comum o protagonismo feminino, como em “Oito mulheres” (2002), “Sob a Areia” (2000) e “Jovem e Bela” (2013), e tramas sofisticadas.

Em sentido oposto, o seu novo filme é centrado na figura masculina e tem a força arrebatadora de um roteiro simples, direto e objetivo, que abre mão do sensancionalismo que o tema sugere para vestir com um tom essencialmente real e cruel a ficção, transbordando a tela com verdades indesejáveis e inconvenientes.

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