Crédito: Leo Tafuri

A Secretaria Municipal de Cultura e a Fundação Municipal de Cultura informam que o Quilombo Souza – também conhecido como Vila Teixeira Soares –, localizado no bairro Santa Tereza, recebeu registro como Patrimônio Cultural Imaterial de Belo Horizonte, durante a 304ª sessão ordinária do Conselho Deliberativo do Patrimônio Cultural de Belo Horizonte (CDPCM-BH), realizada na última quarta-feira, em plataforma virtual. O registro, aprovado por unanimidade pelos integrantes do Conselho do Patrimônio Cultural, ocorre às vésperas do Dia Nacional da Consciência Negra, celebrado em 20 de novembro.

O processo de registro imaterial do Quilombo Souza foi iniciado em julho de 2019, logo após o reconhecimento do local como território quilombola pela Fundação Palmares, com a publicação da Portaria 126 no Diário Oficial da União. A partir de então, um dossiê sobre o quilombo foi elaborado pela equipe técnica da Diretoria de Patrimônio Cultural e Arquivo Público da Fundação Municipal de Cultura.

O dossiê de 169 páginas contém documentos históricos, registros fotográficos e diversas entrevistas com moradores, aprofundando nas origens da família que vive no local. O material serviu de embasamento para a análise do Conselho do Patrimônio, resultando no parecer positivo para o registro do Quilombo, pela sua importância para a identidade e memória da cidade de Belo Horizonte (o parecer, na íntegra, pode ser lido no portal da prefeitura).

A secretária municipal de Cultura e presidenta interina da Fundação Municipal de Cultura, Fabíola Moulin, destaca a importância do registro. “Essa ação de salvaguarda integra uma política cultural da Prefeitura de Belo Horizonte voltada ao patrimônio imaterial, evidenciando o protagonismo da cultura negra na história de Belo Horizonte”, ressalta.

O Quilombo Souza é o quarto quilombo urbano que recebe o registro imaterial do CDPCM-BH. Anteriormente, também já haviam sido registrados no Livro dos Lugares o quilombo Manzo Ngunzo kaingo; o quilombo Luízes e o quilombo Mangueiras.

Localizado na rua Teixeira Soares, nos números 985, 999 e 1005, no bairro Santa Tereza, o Quilombo Souza também é conhecido como Vila Teixeira Soares e tem um terreno de 2.538 m². Ele abriga atualmente 14 moradias, totalizando 33 moradores, que são unidos pelos laços familiares em diferentes graus de parentesco.

A origem da família vem de Petronillo de Sousa (1879) e Elisa da Conceição (1887), que se casaram em 1902 e vieram para a capital mineira em 1909, assim como muitos trabalhadores, sobretudo afro-brasileiros, em busca de oportunidades. Petronillo trabalhou como carpinteiro, lavrador em sítios nas áreas suburbana e rural, plantou hortaliças e criou animais (porcos e galinhas) para comercialização.

Os Souzas adquiriram um terreno, onde atualmente se encontra o bairro de Santa Tereza, com registro de compra datado de 1923, presenciando e contribuindo no processo de urbanização do bairro ao longo dos anos.