Crédito: Marcos Oliveira-Agência Senado

Rogério Faria Tavares*

Uma sociedade civilizada está construída sobre alguns pilares fundamentais, que lhe garantem a solidez e a integridade de que precisa sempre, sobretudo quando chamada a impor-se contra a ignorância, a perversão e a barbárie, tão comuns nos dias que correm.

Um desses pilares é a educação reflexiva e crítica, essencial para o exercício da cidadania e para a afirmação de indivíduos altivos, autônomos e livres, conscientes de seu espaço, aptos a mover-se com a coluna ereta e o olhar na linha do horizonte.

Toda nação desenvolvida compreende que educar, com qualidade, é a prioridade máxima, já que é o ato responsável pela formação das novas gerações e pela sua inserção no mundo do conhecimento e do trabalho.

Tarefa coletiva, tal postura requer o comprometimento dos poderes constituídos e da iniciativa privada, atores igualmente indispensáveis para a conformação do sistema de ensino, que também abriga as instituições de fomento à pesquisa, à ciência e à tecnologia.

Outro pilar é o da cultura. É sobre ela que, em um território, se torna possível erguer a identidade de um povo e alimentar a sua alma, revelando a sua fisionomia e alargando suas possibilidades mentais, emocionais e espirituais. Não existe agrupamento humano saudável e feliz que sobreviva sem a convivência com as artes e a sua plena fruição, modos criativos de representação e de reinvenção da realidade.

Se não fosse por isso, seria pela colaboração que elas dão ao desenvolvimento, inclusive o econômico. A maior parte dos empresários tem plena consciência de seu potencial e, com firme convicção, privilegia as alianças com as entidades culturais como estratégicas para os seus negócios e até para a sua imagem e a sua reputação.

Mobilizando extensa cadeia produtiva, a cultura é hoje, mais do que nunca, elemento crucial para a geração de emprego e de renda e inegável fator de inclusão social. Elemento que também deve unir o Estado e o mercado, a cultura é tema de interesse estratégico, devendo merecer dos governantes e dos líderes sociais o prestígio proporcional ao benefício que é capaz de gerar.

Um terceiro pilar é o das liberdades de pensamento, de expressão e de imprensa. O jornalismo responsável e equilibrado, corajoso e investigativo, que não se curva à pressão ou à conveniência dos poderosos, nem divulga notícias falsas, é peça chave para garantir a transparência, a diversidade e a convivência respeitosa entre os que divergem, assim como o direito à informação de boa procedência, sem o qual não é possível tomar as decisões mais acertadas.

É por essas e por outras razões que os educadores, os artistas, os intelectuais e os jornalistas devem ser sempre – e cada vez mais – respeitados e valorizados. Nesses tempos tão estranhos, quando é difícil ou mesmo impossível imaginar como será o nosso futuro, faz-se necessário, mais do que nunca, enfatizar a sua importância e o seu papel, sobretudo num momento em que o Brasil se despede de nomes como Afonso Arinos de Melo Franco Filho, Aldir Blanc, Angelo Machado, Daniel Azulay, Luiz Alfredo Garcia-Roza, Luiz Maklouf de Carvalho, Moraes Moreira, Nirlando Beirão, Olga Savary, Rubem Fonseca e Sérgio Sant’anna, a cujas memórias dedico a coluna de hoje.

* Jornalista e presidente da Academia Mineira de Letras