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ROGÉRIO FARIA TAVARES*

As livrarias foram as primeiras a sentir os efeitos do isolamento social a que o planeta foi levado pela pandemia. Obrigadas a fechar as portas, investiram pesado nas vendas eletrônicas, assim como fizeram as editoras. O mercado do livro intensificou sua presença nas redes sociais (sobretudo no instagram, no facecook e no twitter) na luta para conquistar a atenção dos leitores. Os eventos literários na internet se multiplicaram, com lançamentos virtuais, debates e discussões literárias para os mais variados gostos. O excelente projeto “Sempre um papo”, conduzido brilhantemente por Afonso Borges, há mais de trinta anos, continua vigoroso, presenteando o público com ótimos encontros entre artistas e intelectuais. A Academia Mineira de Letras lançou o projeto “AML em casa”, no seu canal exclusivo no youtube, e, em poucas semanas, ultrapassou a marca dos novecentos seguidores. Toda quinta-feira a entidade centenária posta uma palestra inédita em sua plataforma, atraindo interesse expressivo. Às novas conferências se juntam os mais de duzentos vídeos já integrantes do nosso acervo na rede, uma importante amostra do que realizamos nos últimos anos, no Auditório Vivaldi Moreira, à rua da Bahia, em Belo Horizonte.

Depois que a quarentena acabar, e que for possível retomar os contatos presenciais, o meio literário provavelmente continuará a apostar nos meios digitais, já que a volta ao convívio social se dará, provavelmente, aos poucos, e de forma regrada. A Casa de Alphonsus de Guimaraens certamente manterá suas atividades na internet, já que, por ela, alcança espectadores dos quatro cantos do mundo. Os cursos de formação de escritores pela rede também ganharão mais espaço, assim como o ensino da literatura a distância.

As grandes feiras de livros e as festas literárias terão que se reinventar. Belos eventos educativos, verdadeiros acontecimentos sociais, capazes de atrair multidões, elas precisarão desenvolver estratégias criativas para atingir os seus objetivos. Os seres humanos provavelmente estarão mais resistentes e reativos às grandes aglomerações… A Bienal Mineira do Livro – que só será realizada presencialmente no ano que vem – saiu na frente, viabilizando grande parte de sua programação de modo on-line. Na semana passada, tive a alegria de conduzir uma entrevista com o professor Eduardo de Assis Duarte, da UFMG, no instagram do evento, sobre a produção literária de alguns ótimos escritores mineiros, como Edimilson de Almeida Pereira, Ricardo Aleixo, Cidinha da Silva, Conceição Evaristo e Ana Maria Gonçalves.

A boa notícia é que o consumo e a produção dos textos literários continuam a todo vapor. Fechadas em casa, as pessoas estão lendo e escrevendo mais, o que é sinal de que esse terrível vírus não tem o poder de matar a inteligência humana. No novo normal, quando a pandemia passar (e ela vai passar!) talvez tenhamos incorporado à legião dos amantes da literatura novos contingentes de mulheres e homens que antes dela não haviam se aproximado, por múltiplas razões. Que sejam bem-vindos, pois, a esse maravilhoso universo.

*Jornalista e presidente da Academia Mineira de Letras