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VIVER EM VOZ ALTA | As memórias do embaixador Pedro Motta Pinto Coelho

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Crédito: ROOSEWELT PINHEIRO / AGÊNCIA BRASIL

Lançado nessa semana pela Editora Del Rey, no canal da Academia Mineira de Letras no youtube, “O colecionador de fronteiras” é o livro de memórias do embaixador Pedro Motta Pinto Coelho, mineiro de Santa Bárbara. Ao longo de 357 inteligentes páginas, o diplomata narra as passagens mais interessantes de sua vida profissional. Em uma segunda parte, incursiona pelo território da ficção, oferecendo aos leitores alguns dos textos mais saborosos que li nos últimos tempos. Destaco “Natal amarelo” e “O homem descalço – conto em dois atos”, que narra a triste saga de um empresário chinês de artigos natalinos. Também merece atenção “A amiga vidraça. Os médicos”, que contém relevante reflexão sobre os crimes ambientais perpetrados, recentemente, contra algumas cidades mineiras.

 Entre as vivências diplomáticas selecionadas por Pinto Coelho estão as que experimentou em Washington, onde chegou em meados dos anos setenta, quando os Estados Unidos celebravam o bicentenário de sua independência. Jimmy Carter estava no poder, eleito pelo Partido Democrata, empunhando firmemente a bandeira dos direitos humanos, o que, em determinado momento, foi responsável por certo afastamento entre o governo norte-americano e o brasileiro, então sob jugo de militares. A temporada do autor nos Estados Unidos também permitiu a ele cursar o bacharelado em música (flauta) e o mestrado em teoria política, em duas prestigiadas universidades da capital do país. De lá, Pinto Coelho seguiu para o Paraguai, ainda sob Stroessner, e, depois, para a Argentina, onde se apaixonou por Buenos Aires e se encantou pelo alto nível intelectual do povo.

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 Em Portugal, o embaixador passou por duas experiências: foi cônsul geral em Lisboa e, entre 2010 e 2014, sucedendo o excelente Lauro Moreira, empossou-se como o representante brasileiro junto à Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), organização idealizada, no final dos anos noventa, por outro mineiro, o saudoso José Aparecido de Oliveira, primeiro secretário de Cultura de Minas e primeiro ministro da Cultura do Brasil. Aí, Pinto Coelho comprovou a força dos vínculos afetivos e culturais que unem os povos da chamada ‘lusofonia’, entre os quais estão os naturais de Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor Leste (a Guiné Equatorial também passou a integrar, recentemente, o grupo dos países filiados à CPLP).

 Em Israel, onde atuou como Embaixador entre 2007 e 2010, Pinto Coelho soube construir importantes laços com a comunidade local, sobretudo no campo das artes, estabelecendo intenso programa de apresentações de grupos musicais brasileiros em cidades israelenses. Uma história pitoresca desse tempo é a da homenagem que os dirigentes de um dos kibutz mais tradicionais do país queria prestar a um famoso brasileiro, cuja origem judaica o autor do livro desconhecia. Batizado como João Rubinato, ficou popularmente conhecido e admirado, por todos nós, como Adoniram Barbosa. Pinto Coelho viabilizou a homenagem, e, hoje, o compositor de canções inesquecíveis como “Saudosa Maloca” e “Trem das Onze” empresta seu nome a um ativo centro cultural de Bror-Hayil, perto de Gaza. Quem diria…

*Jornalista. Doutor em literatura. Presidente da Academia Mineira de Letras
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