A tradicional e popular Feira de Livros, realizada de forma itinerante em várias praças da cidade do Rio de Janeiro, está comemorando 60 anos, com uma edição especial no Largo da Carioca - Crédito: Fernando Frazão / Agência Brasil

ROGÉRIO FARIA TAVARES*

O livro é o passaporte para um universo pleno de mistérios e aventuras. O livro é o portal para realidades paralelas, que aguçam a curiosidade e a imaginação. O livro é o elo que nos liga a mundos fantásticos, ao sonho, à fantasia. É a poção mágica a que todos deveriam ter direito. O livro é, ainda, o companheiro que consola e anima; o amigo que orienta e aconselha; o pensador que apresenta ideias e argumentos; o líder que convence e o repórter que informa. Potente e transformadora, sua presença na comunidade humana é mais um traço fundamental a distingui-la das demais espécies. Portador do milagre da comunicação pela linguagem, o livro é um dos pilares da civilização que fomos capazes de levantar.

Assim como precisamos da água e do ar, deveríamos também nos abastecer do livro, artigo de primeira necessidade. Em sua companhia somos mais saudáveis e felizes. Por que não inclui-lo na cesta básica? Seria medida acertada, de alto impacto social e forte influência na formação das crianças e dos jovens. Sem o livro, eles têm muito mais dificuldade em se apropriar do legado deixado pelas gerações que os antecederam. Veículo de transmissão do patrimônio cultural, o livro é a tocha que continua acesa, desde tempos imemoriais.

Se o livro passeia pelo espaço urbano, desimpedido, fica melhor ainda. Não há modo de incentivar a leitura se ela não fizer parte da realidade cotidiana das pessoas. O livro não pode ser um elemento raro, exótico, exclusivo, limitado às classes abastadas. O livro precisa misturar-se à vida do povo, sobretudo para que não se tenha qualquer medo ou cerimônia na sua frente. É hora de alimentar uma intimidade total com o livro, numa convivência sem qualquer reserva ou pudor. Livro é para ser levado junto ao corpo, debaixo do braço, abraçado ao peito, em todas as ocasiões e em todos os lugares, seja no metrô, no ônibus, no taxi ou no avião… Não é objeto de culto, intocável e inacessível. Pelo contrário, existe para circular pelo mundo, sem limites ou restrições.

Por tudo isso, é importante incentivar projetos como o “Livro de Graça na Praça”, criado por José Mauro da Costa e que há tantos anos incentiva a leitura e a literatura (a cerimônia de encerramento da edição desse ano será no domingo, dia primeiro de setembro, a partir das cinco da tarde, na sede da Academia Mineira de Letras, com entrada franca). Outra ideia excelente é a das “Gelotecas”, que instala geladeiras lotadas de livros nos mais diversos cantos da cidade. Os festivais e as feiras literárias também são imprescindíveis.

No último fim de semana, a Academia Mineira de Letras participou do Festival do Livro na Rua (Flir). O homenageado dessa vez foi Eduardo Frieiro, antigo ocupante da cadeira de número sete, eleito na sucessão de Avelino Fóscolo, autor de “A Capital”, de 1903, primeiro romance ambientado em Belo Horizonte. Com curadoria de José Eduardo Gonçalves, o FLIR foi promovido pela Câmara Mineira do Livro com apoio expressivo dos editores e dos livreiros da cidade. Durante os dias de sua realização, a Rua Fernandes Tourinho, na Savassi, ficou em festa, movimentada por debates, mesas redondas e, sobretudo, por encontros entre amigos. Todos apaixonados pelo livro e pela leitura. Nada melhor.

*Jornalista, presidente da Academia Mineira de Letras