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Coronavírus Direto da Redação

A importância da ciência no combate à pandemia é tema da programação do Pint of Science BH

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Crédito: Divulgação

Nunca se falou tanto em ciência. A terceira edição do Índice Anual do Estado da Ciência, conduzida pela 3M Company, aponta que 92% dos brasileiros acreditam que as pessoas devem seguir os conselhos científicos para contenção da pandemia da covid-19.

Na corrida pela vacina contra o coronavírus, até quem nunca se interessou pelo tema parece agora familiarizado com alguns conceitos do processo de produção científica e interessado em acompanhar a evolução das pesquisas científicas.

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Mas, embora a vacina seja a solução mais aguardada, a ciência vem contribuindo de maneiras diversas para o enfrentamento da pandemia. Pensando nisso, a organização do Pint of Science BH, vai reunir cientistas de diferentes áreas para apresentar à população pesquisas que provam a multiplicidade do conhecimento científico no contexto da Covid-19, apresentando pesquisas com contribuições importantes que vão além da vacina contra o coronavírus.

Um dos principais eventos internacionais de divulgação científica, o Pint of Science tem o objetivo de popularizar a ciência por meio do encontro descontraído entre pesquisadores e população. Este ano, o festival será realizado nos dias 17, 18 e 19 de maio. Em Belo Horizonte, o evento é uma realização conjunta do MM Gerdau, Fundep e Fundação Ezequiel Dias (Funed).

A programação terá início no dia 17 de maio, às 19 horas, com a live Pra além da vacina, transmitida no canal do YouTube do MM Gerdau. No dia seguinte, às 10h, é a vez das crianças participarem do Pint of Milk, versão infantil do festival que, este ano, apresentará a animação Hoje é Dia de Vacina!, produzida pela Funed. O filme, que fala sobre a importância da ciência para promover a saúde da população, poderá ser conferido no canal do Youtube do MM Gerdau e também da Funed.

A coordenadora do Pint of Science BH, Marina de Andrade, destaca a urgência de continuar debatendo a ciência no contexto da pandemia. Coube à organização trazer à tona debates que fossem além da vacina. “Vamos falar de pandemia porque não tem como esquecê-la, mas não podemos limitar a pesquisa à busca da vacina. Queremos mostrar que a ciência atua em várias frentes e que há diferentes pesquisadores colaborando para o enfrentamento da pandemia”, afirma.

Um deles é o professor Alexandre Leão, da Faculdade de Belas Artes da UFMG, que apresentará aos participantes uma tecnologia de desinfecção do ar desenvolvida por pesquisadores de sete áreas distintas da Universidade. Ele é engenheiro mecânico e trabalha com imagem multiespectral na área de Fotografia e Cinema. No ano passado, ao ter acesso a um documento sobre a eficiência da lâmpada de UV-C para desinfecção do ar, o professor teve a ideia de criar um dispositivo com essa tecnologia para combater o Coronavírus.

“Comecei a conversar com outros pesquisadores e percebi a necessidade de envolver cientistas de múltiplas áreas para garantir a construção de um equipamento seguro e eficiente”, relata. Hoje, o grupo de pesquisadores é formado por profissionais de áreas como biologia, engenharia, física, conservação preventiva de bens culturais e imagem científica. A pesquisa recebe financiamento da Pró-reitoria de Pesquisa da UFMG (PRPq) e conta com a gestão da Fundep.

O dispositivo desenvolvido pelos cientistas é parecido com um ventilador torre e seu funcionamento é simples de entender. Ele aspira o ar do ambiente contaminado e joga os microrganismos para sua parte interna, onde são expostos à radiação da lâmpada UV-C, o que provoca danos em seus DNA e RNA. O protótipo foi testado em um ambiente fechado de 25 metros quadrados e, após 24 horas, inativou 95% dos microrganismos presentes no ar.

A tecnologia foi desenvolvida para a desinfecção do ar em ambientes fechados e pequenos. Segundo o professor, profissionais de saúde já vislumbram seu uso em hospitais e laboratórios para o combate de diversos microorganismos, como vírus, bactérias e fungos. Uma primeira empresa também já está em processo de negociação com a Universidade para ter acesso à patente e iniciar a produção do dispositivo.

Tecnologia acessível

Alexandre Leão faz questão de ressaltar que, desde o início, o objetivo da pesquisa é oferecer à sociedade uma solução eficiente e de baixo custo. Por isso, a universidade concederá acesso gratuito à patente para instituições públicas. No caso de empresas privadas serão cobrados royalties (compensações) simbólicos e elas estarão isentas de taxa de acesso.

O professor também teve a preocupação de preparar um vídeo que explica de forma didática como o dispositivo funciona. Para ele, o esforço de aproximar o conhecimento científico das pessoas – que é o mesmo objetivo do Pint of Science – é de extrema importância. “A ciência deve ser para todos, e se o objetivo é gerar uma solução para a sociedade, então é fundamental que ela chegue de forma compreensível a todos”, diz.

O presidente da Fundep, professor Jaime Arturo Ramírez, reforça a importância do diálogo entre sociedade e espaços de produção científica. “A Fundep correaliza a edição do Pint of Science BH com a missão de valorizar a produção científica da UFMG, que é reconhecida pela qualidade e o impacto de sua pesquisa. Neste ano, especialmente, contemplamos a diversidade do conhecimento científico no combate à pandemia, trazendo uma invenção eficiente, de baixo custo e com finalidade social. Isso merece ser divulgado e celebrado”, diz.

Além de Alexandre Leão, participam do Pint of Science BH o professor Antônio Roth, da PUC Minas, que trabalha um mapeamento da violência em Belo Horizonte no período da pandemia, e as pesquisadoras do Cefet-MG Gisele Vidal Vimieiro e Míriam de Fátima Soares, que estudam os impactos da Covid-19 no meio ambiente.

O debate com os pesquisadores acontece no dia 17 de maio, às 19h, no canal do Youtube do MM Gerdau.

Evento desmistifica figura do cientista

Além de ampliar o conhecimento da população em relação à multiplicidade da ciência, essa abordagem do Pint of Science BH também ajuda no cumprimento dos principais objetivos do festival internacional. Isso porque, segundo Marina de Andrade, mais do que aproximar a população da ciência, o evento também pretende apresentar à sociedade os diferentes cientistas e as diversas instituições que produzem pesquisa no país.

“A população desconhece a figura cientista e não sabe onde ela trabalha. Em uma pesquisa recente, as pessoas foram perguntadas se conheciam algum cientista e muitas responderam Albert Einstein, pois eles não sabem que há cientistas em sua cidade. Várias delas, inclusive, não associam a universidade à produção científica. O Pint of Science se propõe a fazer essa apresentação de forma descontraída”, afirma.

É justamente esse contato com os cientistas e suas inovações que fascina e incentiva o engenheiro eletricista José Flávio Vasconcelos a participar do Pint of Science BH. Ele perdeu as contas de quantas edições participou, mas garante que a experiência é sempre positiva.

“Gosto de aprender sobre ciência de forma descontraída. Para mim, esse contato com os pesquisadores é importante porque, mesmo que eu não entenda a ciência em sua profundidade, eu sempre aprendo algo que abre portas para eu aplicar na prática”, afirma.

A satisfação do compartilhamento do fazer científico também é destacada pela pesquisadora do Cefet-MG, Gisele Vidal Vimieiro, que participará do evento com um trabalho sobre os impactos da Covid-19 no meio ambiente. A pesquisa realizada por ela e pela pesquisadora Míriam de Fátima Soares, analisa um conjunto de reportagens veiculadas na imprensa sobre impactos positivos e negativos da pandemia no meio ambiente.

O objetivo do estudo é levantar esse material, agrupá-lo em categorias, quantificá-lo e, por fim, analisá-lo, destacando os principais acontecimentos, verdades e mitos sobre o tema, além de apontar cenários futuros. Gisele afirma que ficou muito feliz com o convite para o evento, justamente porque, no dia a dia, é difícil essa oportunidade de dividir o conhecimento com a comunidade. “É claro que o conhecimento por si só tem seu valor, mas se ele não for compartilhado não cumpre o seu papel”, diz.

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