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“A bússola que sempre norteou os caminhos de
Rubem Alves chama-se inquietação amorosa.”
(Acadêmica Raquel Vilela, ao tomar posse na Amulmig)

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O ingresso de alguém afeiçoado ao ofício das letras numa instituição com as características da Amulmig há que ser visto como um ato sacramental. Foi o que assinalei no pronunciamento feito por ocasião da assembleia festiva, altamente prestigiada, com a qual a entidade recepcionou Raquel Virginia Rocha Vilela em seus quadros.

Médica, educadora, pesquisadora científica, dirigente de um núcleo de pós-graduação médica que atua em Minas e São Paulo, a nova acadêmica, que escolheu o escritor Rubem Alves como patrono, ganhou notabilidade na cena literária como autora de livros em prosa e verso para crianças e adultos. “Seus livros carregam, além da magia da leitura, a magia da caridade”. Estas palavras foram pronunciadas pela acadêmica Maria Armanda Capelão Ferreira na saudação à empossada, ao explicar que a arrecadação com as vendas das publicações é sempre destinada a obras assistenciais, de modo geral hospitalares. Maria Armanda recorreu ainda à “Parábola do Semeador” ao focalizar o itinerário profissional, social e cultural de Raquel. “Raquel é essa terra onde as sementes se desenvolvem produzindo frutos cem por um”, registrou. Frutos de sabedoria colhidos nas atividades desenvolvidas no Instituto Superior de Medicina, que presta atendimento gratuito a pacientes nos setores de dermatologia, psiquiatria e endocrinologia. Frutos de bondade na acolhida proporcionada a crianças na oncologia pediátrica. Frutos de caridade, como professora, orientadora de teses da área de doenças infecciosas, como pesquisadora em universidades no Brasil e no exterior, nos campos da biologia molecular, microbiologia clínica ocular e lesões faciais.

A acadêmica Maria Inês Chaves de Andrade, que conduziu o cerimonial literário da sessão de posse, sublinhou, por sua vez, que em Raquel prevalece “a tessitura entre a cientista, a médica e a escritora, entremeadas por uma espiritualidade inquestionável, em moldura de mulher linda.” Reportando-se à ação cultural da escritora, Maria Inês anotou ainda: “Alienação da essência humana procedida em Deus desaparece quando Raquel Vilela assume-se filha Dele e imagem e semelhança providencia a acolhida do Outro através de suas histórias na dimensão que pode. Brinca que foi princesa Izabel noutra vida, pois, crenças à parte, de fato que a moça tem é essa certeza imensa de que sempre laborou pela liberdade, a liberdade enquanto valor e de todas as formas, a liberdade pela qual luta esta princesa Raquel nesta vida, para libertar os que se encontram sob o jugo da doença e da angústia, na senzala do desespero”.

Em sua manifestação, a acadêmica empossada registrou que a escolha do patrono, mineiro natural de Boa Esperança, decorreu da circunstância de se identificar com seus escritos, “talvez porque nós dois nascemos em cidades abraçadas por belíssimas serras, eu, a Serra do Curral Del Rei, e ele, a Serra da Boa Esperança.” Reportando-se às atividades do patrono como pastor evangélico, ressaltou que “a influência religiosa em sua vida sempre foi muito forte” e que ele “muitas vezes sentiu-se tolhido pela doutrina adotada na igreja a qual pertencia.” Frisou: “Sempre foi muito criticado por seus pares, pois demonstrava nos sermões inconformismo mediante várias questões religiosas. Especialmente, no tocante à visão de Deus, pois a visão interpretativa apreciada (…) era de um Deus com postura punitiva e que exigia dos fiéis algumas barganhas para instituição de graça divina.” Citou também a punição que Rubem Alves recebeu de seus superiores, que o exoneraram da função de pastor, por conta de um sermão no qual “ele revelava a importância de nunca abandonarmos nosso lado criança”. Depois de aludir ao papel desempenhado pelo patrono na propagação da chamada Teologia da Libertação, e de sua ligação com Leonardo Boff e Frei Beto, afirmou que “a bússola que sempre norteou os caminhos de Rubem Alves chama-se inquietação amorosa”. “Em todos os seus textos é possível identificar amor pelo belo, intimidade com Deus, espírito livre e apaixonado pela educação, encantamento pelo novo, por tudo aquilo que leva o homem a ter uma atitude flexível e transformadora na formação de um ser moral.” No arremate de sua fala, Raquel Vilela pediu as bênçãos de Francisco de Assis, patrono da Amulmig, para orientar suas ações como acadêmica. “Fazendo uso da simplicidade de gestos, clareza de pensamento”, assumiu o compromisso de colaborar com a instituição ancorada na fé, acreditando “que através da literatura poderei contribuir para meu crescimento próprio e também para a construção de uma sociedade mais justa.”
A assembleia de posse na Amulmig representou, sem dúvida, um momento de realce na crônica cultural mineira.

* Jornalista (cantonius 1@yahoo.com.br)

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