Na perspectiva, mas atual e de acordo com o que sugerem as pesquisas de opinião, o candidato Jair Bolsonaro é o que reúne as maiores chances de vitória nas eleições de outubro. O líder nas pesquisas estaria sendo percebido como uma espécie de antítese dos políticos atuais, portanto alguém capaz de errar menos e, talvez com alguma dose de otimismo, acertar mais, diferenciando-se do que predomina na política brasileira. Parece bom, mas pode ser também algo muito próximo – e mais uma vez – do “salvador da pátria”, trazendo à memória dos mais atentos lembranças do “caçador de marajás”.

Dizem os oponentes de Bolsonaro que o jogo ainda não está jogado, lembrando que o número de indecisos é muito grande ou que, na contabilidade final, o voto útil poderá mudar as tendências hoje predominantes. De qualquer forma, e evidentemente sem o poder de antecipar o futuro, mesmo que próximo, é preciso prestar muita atenção no que anda sendo dito e tendo como origem as hostes do líder na preferência dos eleitores.

Principalmente da parte do economista Paulo Guedes, um nome respeitado e inúmeras vezes, pelo menos desde o governo de Fernando Henrique, apontado como possível ocupante da cadeira de ministro da Fazenda, sempre que ali uma vaga é aberta. Agora parece diferente, uma vez que o próprio candidato já disse e repetiu que pouco ou nada entende de economia, apontando Guedes – o seu “Posto Ipiranga”, como virtual dono desse espaço, na hipótese de a vitória ser confirmada.

O economista, formado na Universidade de Chicago e com uma passagem pelo antigo Colégio Universitário da UFMG no distante ano de 1967, fez sua carreira profissional, com sucesso, no setor financeiro e é apontado como ultraliberal, na linha daqueles que defendem o Estado mínimo. Aqui um ponto de divergência com seu possível chefe, que já declarou que áreas estratégicas, como o petróleo, não devem sair das mãos do Estado. Mais recentemente, outra divergência. Guedes falou em aumentar impostos, chegou a prometer uma espécie de nova versão da CPMF que estaria sendo desenhada juntamente com sua equipe. Bolsonaro, mesmo acamado, não perdeu tempo, tratando de dizer que num eventual governo sob seu comando os tributos serão reduzidos.

Em campanha política cabe tudo, ou quase tudo e temos visto que a proximidade com o mundo real é quase sempre bastante relativa. No entanto, e face ao tamanho dos problemas na esfera econômica, incertezas desse tipo são absolutamente inconvenientes e em nada contribuem para que se desenhe um horizonte pelo menos previsível, só produzindo constrangimento.