De olho nessa demanda, o professor Ramon Miranda criou o “Neto de aluguel”, há cerca de três anos, em Belo Horizonte, para auxiliar e ensinar pessoas idosas a se integrarem à modernidade.

“A maior parte desses idosos é analfabeta digital, não têm a capacidade de interação autônoma em tecnologia e, muitas vezes, os netos, filhos ou familiares não têm didática e paciência necessárias para ajudar. Hoje, a gente já entende que tecnologia é fundamental para interagir, se comunicar, pagar as contas, pedir comida ou transporte.

Nosso smartphone concentra a maior parte das nossas atividades. E a pessoa com 60 anos ou mais já percebeu que esse é um caminho sem volta, que não é uma moda passageira, e não quer mais ficar isolada do mundo, ela quer participar do grupo de Whatsapp da família, ver e compartilhar as fotos dos netos, dos sobrinhos”, exemplifica.

As aulas são individuais e personalizadas de acordo com a necessidade do aluno, que pode aprender as questões básicas do mundo on-line, já estão internalizadas para os mais jovens, como conectar a internet, mexer na smart TV, usar a tela touch screen, compartilhar um arquivo, aprender a mexer no smartphone.

Saúde – Na rede de franquias de clínicas médicas populares MedicMais, que começou em Patos de Minas e hoje conta com 80 unidades no Brasil, 60% dos pacientes são idosos. Com preços acessíveis para exames, atendimento médico em diversas especialidades e também tratamentos odontológicos, a empresa acabou atraindo a população que não consegue arcar com um plano de saúde equivalente à sua faixa etária ou que quer aproveitar o dinheiro da sua aposentadoria em outras atividades. Mais do que a resolução de um sintoma, eles estão preocupados com a prevenção do problema.

“Considerando que uma aposentadoria é de cerca de R$ 1.000, mesma faixa de preço de um plano de saúde para idoso, acreditamos que a MedicMais atenda bem a essa população. Não só com consultas, mas com o próprio tratamento, já que muitas doenças comuns a essa faixa etária, como diabetes ou cardiopatias, precisam de acompanhamento constante. Então, o foco é a prevenção. E o resultado é que apenas 10% das ocorrências que atendemos precisam de encaminhamento para internação, as demais, são resolvidas com consultas, exames e o controle preventivo. Hoje, esses pacientes estão mais preocupados em envelhecer com qualidade”, conta o fundador da empresa, Tiago Alves.

Já a Maria Brasileira, rede de franquias de serviços domésticos que conta com 14 unidades no Estado, presenciou o aumento de 10% na procura pelo serviço de cuidadores de idosos, entre este ano e 2017, reflexo do aumento do envelhecimento da população. Mas não só esse setor é procurado por esse público – ou, mais precisamente, pelos familiares dessa população – como outros serviços domésticos.

“Os idosos não utilizam só serviços de cuidados com eles próprios, mas também os de cuidados com a casa. Mesmo aposentado, esse público tem poder de compra, porque destina um valor da aposentadoria a essas tarefas. São pessoas que querem aproveitar a vida, ser independentes, ter poder de decisão, então, acaba sendo um público muito fiel. Assim, o tempo e o vigor que economizam com os afazeres domésticos são usados em outras atividades, como academia, ficar com os netos, viajar”, explica a porta-voz da empresa, Patrícia Stuginski