Projeto que ganhou o hackathon da pecuária de leite propôs a criação de uma moeda virtual do leite que gire no município de entrega - Crédito: Arquivo FAEMG

A busca constante por tecnologias e inovações que tragam benefícios para o setor rural é considerada essencial para o avanço das cadeias produtivas do agronegócio. Em 2019, o Instituto Antonio Ernesto de Salvo (Inaes) promoveu vários eventos voltados para o programa NovoAgro 4.0, que tem como objetivo estimular startups e os jovens a pesquisarem soluções para os problemas enfrentados na agricultura e pecuária de Minas Gerais.

Neste ano, os eventos tiveram o objetivo de levantar os principais gargalos nas produções de leite e de café e estimular empresas de tecnologia a criar soluções. Para 2020, a expectativa é encontrar parceiros e financiar os projetos.

De acordo com a superintendente do Inaes, Silvana Novais, este ano foi de inovação no Projeto NovoAgro 4.0. “Levamos o NovoAgro 4.0 para o campo e desenvolvemos ações que começam a mostrar para o produtor a ligação dele com a tecnologia”.

Ainda conforme Silvana, foram feitos levantamentos nas cadeias do leite e do café estadual. O objetivo foi identificar os principais gargalos nas regiões produtoras do Estado, onde foram identificados 343 entraves.

“Quando levantamos os problemas, começamos a fazer eventos para que o ecossistema de inovação começasse a se organizar para conhecer desafios. Tivemos hackathons, agrotalks e meetups. Quando fizemos os meetups e agrotalk colocamos os problemas e discutimos a inteligência artificial no agronegócio”.

Hackathons Ao todo, foram feitos dois hackathons, o primeiro voltado para a produção de leite, em Santa Rita do Sapucaí, no Sul de Minas. No evento, estudantes foram desafiados a encontrar soluções para um dos gargalos da cadeia, que é a demora de pagamento do leite, que ocorre após 30 a 40 dias da entrega. O hackathon foi realizado pela Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (Faemg), Instituto Nacional de Telecomunicações (Inatel), Cooperativa Regional Agropecuária de Santa Rita do Sapucaí (CooperRita) e Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae).

O projeto que ganhou o hackathon da pecuária de leite propôs a criação de uma moeda virtual do leite que gire no município de entrega. Quando o produtor entregar o leite na cooperativa, o volume será convertido na moeda que poderá ser utilizada como crédito no comércio local.

“Está solução antecipa de 30 a 40 dias o pagamento, que era um gargalo do setor”, disse Silvana Ribeiro.

Já o hackathon do café, que aconteceu durante a Semana Internacional do Café (SIC), teve o objetivo de criar soluções para a melhor gestão financeira das propriedades. Durante o levantamento, foi observado que os produtores têm dificuldades em realizar o planejamento financeiro devido à falta de uso das ferramentas de gestão, planilhas e sistemas avançados. A solução proposta é a criação de um aplicativo por meio do qual o produtor enviará mensagens de voz com os dados da produção, que serão transformados em informações e relatórios.

“Agora, em 2020, pretendemos desenvolver ações para financiar estes projetos e coloca-los em prática”.

Ao longo do próximo ano, serão procurados grupos de investidores para o financiamento de vários outros projetos que possam auxiliar os produtores a terem melhor desempenho nas atividades. De acordo com Silvana, as expectativas são positivas.

“Várias empresas que atuam no setor de inovação não tinham participação no agronegócio. Agora, com o trabalho desenvolvido, estamos despertando o interesse destes profissionais. Isso é muito importante, porque o setor tem muitos desafios que podem ser solucionados com a inovação”.

O Inaes trabalha com projetos que têm o objetivo de agregar competitividade ao setor agrícola e pecuário. Além do NovoAgro 4.0, o Inaes trabalha com a identificação geográfica, projetos de sustentabilidade socioambiental, diagnósticos setoriais, certificação de produtos e assistência técnica em alguns projetos.