Crédito: Maria Teresa Leal

Quais avanços conquistados este ano pelo setor agropecuário de Minas podem ser destacados?

Tivemos fatos interessantes. As nossas promoções, como a Semana Internacional do Café e o Festival do Queijo, foram bem sucedidas e, a cada ano, estão melhorando. Nas questões de apoio, o grande sucesso foi o programa de seguro rural para a safra e o crédito disponibilizado pelo Plano Agrícola e Pecuário (PAP), que, embora com queda no valor, tem sido suficiente para a safra. Outro avanço foi na questão do etanol, tendo em vista o aumento dos preços da gasolina. O uso de etanol tem crescido muito e tem sido a ele dedicada a maior produção de cana-de-açúcar, superando o volume destinado à produção de açúcar. Nas carnes, tivemos um desempenho positivo, então, no término do ano, a pecuária deve contribuir para a formação de um PIB mais robusto. Todas as carnes estão com preços mais satisfatórios para o produtor. Também tivemos o lançamento do Selo Arte, que permite a venda interestadual de produtos alimentícios artesanais. Quem obtiver o selo terá a oportunidade de expandir o mercado. Outro avanço foi a instalação e funcionamento do Conseleite, considerado importante para a melhor relação entre os elos da cadeia leiteira.

E quais foram as principais dificuldades em 2019?

Em 2019, foi preciso discutir, novamente, a renegociação das dívidas e buscar políticas para a produção de café. A cafeicultura enfrenta um fenômeno difícil que, mesmo em um ano de produção bastante menor, os preços ainda ficaram abaixo dos custos, especialmente nas produções em áreas montanhosas e com colheita manual. O café ainda enfrentou problemas climáticos, algumas regiões com seca, outras com geadas e granizo. Tivemos algumas dificuldades na produção de soja, que apresentou queda. Leite, nosso eterno problema de ajustes difíceis na questão de preços, tem sido muito reclamado por preços melhores. Os preços têm sido contidos pelo poder de compra menor da população. Um problema grave que também enfrentamos é a falta de segurança no campo e, agora, com a valorização dos produtos da pecuária, os empresários temem o aumento dos roubos e furtos.

As expectativas para 2020 são mais otimistas?

Para 2020, as perspectivas são positivas. Continuamos entendendo que a economia começou a dar os primeiros sinais de recuperação. Houve correção das expectativas de crescimento do PIB, embora em números modestos, mas muito melhor do que os últimos três anos, quando os resultados foram negativos. A expectativa de crescimento vem sendo reconsiderada para maior, esperando valores razoáveis, com alguns otimistas falando em 3%. Em relação à safra, se houver bom clima, com certeza teremos uma produção maior, que será um novo recorde. Para a pecuária, a perspectiva é de forte crescimento e de maior demanda pelos produtos brasileiros. No caso do milho, a expectativa é de fechar o ano sem estoques, o que, provavelmente, permitirá preços melhores em 2020. A soja, voltando a paz entre chineses e americanos, o mercado deve regular e venderemos bem.

As ações anunciadas em 2019 pelos governos federal e estadual para desburocratização dos processos podem contribuir para a solução dos problemas?

As expectativas são todas muito boas para 2020, mas continuamos com os problemas comuns, como a infraestrutura precária e as questões ambientais, mas há acenos bastante favoráveis. Entre eles está o projeto do governo estadual, o “Programa Minas Livre para Crescer”, que é tudo que sonhamos na vida em relação à simplificação e desburocratização. Continuamos, até o momento, com muita regulação, entraves, portarias, normas e regras que prejudicam extremamente. A esperança é que esses gargalos, tanto em nível estadual como federal, sejam resolvidos. Em âmbito nacional, temos a nova Lei de Liberdade Econômica. Nossa expectativa é que andemos no caminho da desburocratização e da simplificação, que é um caminho que incentiva qualquer empresa.

Quais os projetos do Sistema Faemg para 2020?

Em 2020, em acordo com a CNA, teremos um agente qualificado e especialista em mercado internacional na Faemg com o objetivo de nos orientar em relação ao mercado externo. Os produtores que têm interesse em exportar serão orientados. O foco é a exportação direta, que pode gerar mais rentabilidade. Além disso, a grande mudança para o próximo ano são os novos projetos do Sistema Faemg, que podem gerar receitas adicionais para o Sistema e os sindicatos. São projetos de plano de saúde, plano de seguros e outras coisas como certificação digital. Especialmente acho que teremos uma grande expansão, em 2020, do cartão Faemg, que é um cartão de contas pré-pagas, e acho que será grande elemento na simplificação dos pagamentos que o próprio Sistema faz aos sindicatos, aos funcionários, e eles próprios, na folha, poderão utilizar o cartão.