Crédito: Impact Program/UFMG/Divulgação

Em cirurgias com pouca margem para intervenções, como em procedimentos no nariz, cérebro ou em bebês, os médicos precisam superar uma série de desafios para que a tarefa seja realizada com sucesso, evitando movimentos bruscos e rápidos, tremor nas mãos, além de encontrar soluções para que a visão não seja comprometida. No entanto, devido à complexidade do trabalho, os riscos ainda persistem, podendo ocorrer colisões entre os instrumentos cirúrgicos e tecidos ou órgãos do corpo humano.

Para auxiliar profissionais da saúde a desempenhar esse trabalho, pesquisadores da Escola de Engenharia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e da Universidade de Tóquio desenvolveram um código computacional (algoritmo) que poderá guiar robôs na execução dessas operações com mais segurança e precisão.

“Além do espaço ser restrito e a visão do médico limitada, nem sempre o profissional tem boa noção de profundidade. O que nós desenvolvemos ajuda a aumentar a segurança do procedimento porque o robô pode desviar de regiões sensíveis, mesmo que elas estejam fora do campo de visão de quem realiza o procedimento. A precisão é muito elevada, pois é possível mudar a escala da manipulação. Conseguimos, por exemplo, garantir que um movimento de 10 centímetros na mão do médico se traduza em um movimento de poucos milímetros na garra do robô, permitindo que o profissional da saúde faça procedimentos em estruturas bastante reduzidas”, explica um dos coordenadores da pesquisa, o professor Bruno Vilhena Adorno, do Departamento de Engenharia Elétrica da Escola de Engenharia e pesquisador do INCT de Sistemas Autônomos Cooperativos (InSAC), sediado no campus da USP em São Carlos.

Para testar o algoritmo, diversos experimentos foram realizados nos laboratórios da universidade japonesa, onde os pesquisadores utilizaram um par de robôs equipados com ferramentas cirúrgicas para simular movimentos e incisões nas narinas de um boneco, explorando diferentes possibilidades de controle. Em uma delas, os cientistas programaram os robôs para cumprir tarefas e trajetórias totalmente autônomas.

Dessa forma, eles conseguiram realizar ações sem colidirem com qualquer parte da anatomia. Também não foram registrados choques entre os robôs, mesmo quando seus caminhos se cruzavam. Bruno Adorno ressalta, no entanto, que, para realizar o procedimento em um paciente real, outros cuidados deveriam ser tomados, como a incorporação de sensores e alguns algoritmos de percepção.