DÓLAR COMERCIAL

COMPRA: R$5,2090

VENDA: R$5,2100

DÓLAR TURISMO

COMPRA: R$5,1800

VENDA: R$5,3600

EURO

COMPRA: R$6,0756

VENDA: R$6,0768

OURO NY

U$1.813,62

OURO BM&F (g)

R$300,00 (g)

BOVESPA

-3,08

POUPANÇA

0,2446%

OFERECIMENTO

INFORMAÇÕES DO DOLAR

Especial SME Negócios-destaque

ENGENHARIA HOJE | Pandemia do Covid-19 é um chamamento à razão ambiental

COMPARTILHE

Redução do tamanho das manchas de poluição no Rio de Janeiro e em São Paulo esconde uma tragédia humana, mas é convite à reflexão | Crédito: Fapesp

Ronaldo Gusmão*

Nas últimas semanas, desde o início do Covid-19, foram várias as publicações feitas na imprensa e nas redes sociais mostrando fotos que comparavam a situação do ar nas grandes cidades antes e depois da pandemia. Tais imagens podem, à primeira vista, ser um alento no sentido de nos dizer que nem tudo está perdido.

PUBLICIDADE

Que é possível o retorno a uma época melhor. O problema vem quando se passa a relacionar a redução da poluição do ar com as mortes causadas pela pandemia. Aí não há como fazer qualquer termo de comparação.

Porém, a despeito de toda a tragédia que a pandemia traz, ela deve ser vista, também, como um chamamento para que busquemos repensar alguns dos principais parâmetros daquilo que é considerada a civilização ocidental moderna – consumismo exagerado, desperdício de recursos naturais, uso de energias fósseis em detrimento nas energias renováveis, necessidade de aprimoramento dos mecanismos de governança ambiental em empresas, organizações da sociedade civil e instituições públicas.

A esses fatores soma-se a precariedade do saneamento brasileiro. Somos um país em que 35 milhões de pessoas não têm acesso à rede de água tratada e 100 milhões não estão ligados uma rede coletora de esgotos. O Covid-19 é uma crise de saúde, mas é uma crise que é agravada pela precariedade sanitária e habitacional em que vive uma parte considerável da população brasileira.

Especificamente do ponto dos recursos naturais, para nós, mineiros, a face visível desse desperdício está no contínuo, desde o descobrimento do Brasil, desmatamento da Mata Atlântica, que voltou a crescer em ritmo mais veloz, de 2018 para 2019, segundo o estudo que é divulgado anualmente pela ONG SOS Mata Atlântica.

De 2018 para 2019, a perda foi de 14,5 mil hectares, um crescimento de 27,2% em relação ao período anterior. Lamentavelmente, Minas foi o Estado que mais desmatou. O Estado respondeu 5 mil dos 14,5 mil hectares perdidos. Uma lástima.

O desmatamento é um desperdício de recursos naturais. Em todo o Estado, há milhares de hectares já desmatados que não se prestam para uso algum, estando abandonados. Mais sensato seria utilizar as áreas já desmatadas para pasto e plantio. E também para a produção de madeira destinada, por exemplo, à produção de celulose e de carvão, para alimentar os altos-fornos. É inaceitável que ainda hoje se utilize carvão de mata nativa para a produção de energia.

A matriz energética brasileira já é uma das mais renováveis do mundo. Por aqui, 76% da energia produzida provêm de fontes renováveis. Há espaço para que esse percentual aumente ainda mais, com o destravamento dos incentivos à cogeração distribuída de energia solar.

A polêmica sobre as regras da cogeração foi instalada no final do ano passado com mudanças propostas pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). O incentivo à cogeração distribuída é um caminho sem volta, da mesma forma que deveria ser o incentivo à produção de veículos elétricos no País, algo que deveria ser encarado como uma política de estado, da mesma forma que, nos anos de 1970, o foi pelo governo federal, ao instituir o Programa Nacional do Álcool (Proálcool).

É preciso que seja instituída a governança ambiental, com regras claras a serem observadas, e cumpridas, pelas empresas e pelo poder público em relação a projetos que envolvam risco ambiental sério, como, por exemplo, o rompimento de barragens e a queda de outras estruturas de engenharia, como viadutos, que, da mesma forma que as barragens, não foram feitas para ruir.

Se ruíram, é porque, em algum momento, houve uma falha. E as investigações feitas para se apurar as causas do evento, acabam, invariavelmente, apontando para uma falta de transparência. No caso das estruturas de engenharia, a responsabilidade sobre elas é, primeiro, do empreendedor; segundo, do Estado. Os últimos rompimentos de barragens revelaram uma falta de boas práticas de governança ambiental de ambos os lados.

Entre o mundo ideal e o mundo real a distância costuma ser muito grande. Lamentavelmente, foi preciso uma pandemia para que se acendesse a luz do quanto estamos distantes do que seria uma sociedade ambientalmente correta. Esperamos que haja tempo para uma correção de rumos. E que o azul do céu nas imagens das cidades sem poluição não dependa de uma pandemia para que o ser humano seja chamado à razão.

*Engenheiro e presidente da Sociedade Mineira de Engenheiros (SME)

Ao comentar você concorda com os Termos de Uso. Os comentários não representam a opinião do portal Diário do Comércio. A responsabilidade sob qualquer informação divulgada é do autor da mensagem.

COMPARTILHE

NEWSLETTER

Fique por dentro de tudo que acontece no cenário economico do Estado

CONTEÚDO RELACIONADO

OUTROS CONTEÚDOS

PRODUZIDO EM

MINAS GERAIS

COMPARTILHE

Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no linkedin
Compartilhar no telegram

Comunicar erro

Identificou algo e gostaria de compartilhar com a nossa equipe?
Utilize o formulário abaixo!