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ENGENHARIA HOJE | Prêmio Maura Menin irá destacar o trabalho das mulheres na engenharia

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Na foto, Maura Menin e o marido, Geraldo Teixeira, que a inspirou no gosto pela engenharia hidráulica | Crédito: Arquivo Pessoal

Algumas pessoas vivem à frente de seu tempo. A preocupação com a quantidade e a qualidade dos recursos hídricos brasileiros é recente. Data do final do século passado. Porém, desde os anos de 1940, a engenheira Maura Menin Teixeira de Souza tinha o seu olhar voltado para os temas da engenharia relacionados com a água.

Além de fazer a junção da engenharia com os recursos hídricos, Maura Menin se destacava por outra razão: em um universo marcadamente masculino, como ainda hoje é o da engenharia, ela era uma mulher. Maura Menin foi a quarta engenheira formada pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e uma das primeiras a ocupar cargo de direção na área. Entre 1973 e 1990, ela chefiou a seção de Hidrologia do 5º Distrito do antigo Departamento Nacional da Águas e Energia Elétrica (Dnaee).

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Estas são apenas algumas das razões que levaram a Sociedade Mineira de Engenheiros (SME) a instituir um prêmio que leva seu nome e que será entregue anualmente, no dia 8 de março, Dia Internacional da Mulher, às engenheiras que mais se destacarem em sua área de atuação. O prêmio foi anunciado no último dia 1º, durante a solenidade de posse da nova presidente da SME, a engenheira Virgínia Campos, que considera Maura Menin uma mulher visionária por ter dedicado sua experiência profissional a uma temática – a das águas – relevante e sensível nos dias atuais, mas que chamava a atenção de pouquíssimos profissionais quando ela ingressou na engenharia, nos anos de 1940.

Seu encaminhamento para a engenharia hidráulica se deu meio que por razões naturais. Ainda na universidade, Maura Menin começou a namorar aquele que viria a ser seu futuro marido – Geraldo Teixeira de Souza, cujo pai e avô estavam, literalmente, mergulhados no universo da hidráulica desde muito tempo. O avô, Asdrúbal Teixeira de Souza, era engenheiro e dono de uma fábrica de turbinas hidráulicas cuja unidade industrial originalmente funcionava em Juiz de Fora, mas foi transferida para Belo Horizonte, funcionando na esquina da rua Uberaba com avenida do Contorno, no Barro Preto.

Asdrúbal Souza morreu em 1953, no canteiro de obras da futura usina hidrelétrica de Salto Grande, no Rio Paranapanema, onde estava instalando uma turbina que iria produzir a energia para alimentar o canteiro de obras da usina. Seu filho, que seria o futuro marido de Maura Menin, também já trabalhava com o pai, fazendo projetos. Depois de casada, ficou com a Maura Menin a tarefa de fazer os cálculos das turbinas que o marido projetava.

Maura Menin dedicou sua vida ao estudo da hidrologia na engenharia | Crédito: Arquivo Pessoal

Tombamento – Maura Menin fez cálculo de turbinas por 13 anos, entre 1948 e 1961, quando ingressou no serviço público, trabalhando como engenheira na Divisão de Águas do Ministério da Agricultura, entre 1963 e 1965. Nesse mesmo período, ela integrou a comissão de tombamento para a encampação da Companhia Força e Luz de Minas Gerais (CFLMG) pela Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig). Em seguida, tomou posse como engenheira no Dnaee, órgão no qual trabalhou até aposentar-se, aos 70 anos, em 1990.

Maura Menin faleceu em 2001, deixando quatro filhos – Sérgio, Ângela, Solange e Rubens -, dos quais três são engenheiros. Apenas Solange não herdou o gosto pela engenharia. Rubens Menin é o presidente do Conselho de Administração do grupo MRV; Ângela Menin é professora do curso de engenharia da PUC e Sergio Menin é considerado um dos maiores especialistas em hidráulica e hidrologia no Estado. Solange Menin, a única não engenheira, é socióloga.

Para Sérgio Menin, seu encaminhamento para a engenharia e, dentro da engenharia, para as questões ligadas à hidráulica, foi algo natural. “A família vivia a hidrologia dentro de casa. Foi algo natural para mim, um encaminhamento natural. Nunca pensei em nada diferente. Era o assunto da família”, afirma Sérgio Menin, que também integra o Conselho Deliberativo da SME. Para ele, o prêmio foi uma iniciativa que o deixou “surpreso, honrado e muito orgulhoso”.

A engenheira de minas e geóloga Maria de Lourdes Pereira dos Santos conheceu Maura Menin quando era engenheira recém-formada do Departamento de Águas e Energia (DAE), uma autarquia do governo de Minas que tinha uma interface direta com seu congênere federal, o Dnaee, no qual Maura Menin trabalhava. Por causa disso, ambas eram levadas a manter contato constante.

“Naquele momento, para uma novata como eu, ver uma profissional atuando com a segurança, conhecimento, profissionalismo e autoridade, como eram as qualidades de Maura Menin, foi muito inspirador para mim”, afirma Maria de Lourdes Santos, para quem o prêmio tem o significado da força da mulher “que eu percebi à época e me marca até hoje”.

Valorização da informação – Patrícia Boson, uma engenheira civil que também se especializou na hidrologia, teve muito contato com Maura Menin. Patrícia Boson afirma ter perdido a conta do número de vezes que foi até ela em busca de informações sobre o volume de água dos rios onde estavam as estações de medição do Dnaee. Patrícia Boson conta que com Maura Menin aprendeu a valorizar a importância de se ter informações precisas sobre a realidade – no caso, das águas.

“Com ela, aprendi a retirar dos dados a informação mais adequada. Aprendi que os números ganham proporções importantíssimas, se bem trabalhados”. Das conversas com Maura Menin foi que, segundo Patrícia Boson, surgiu o desejo de especializar-se na área de recursos hídricos.

Para Mário Cicareli Pinheiro, o traço mais forte de Maura Menin era o zelo que tinha pelas informações – sobre chuvas e vazão de rios – que estavam sob sua guarda no Dnaee. De acordo com Mário Cicareli, ela tinha uma noção muito clara de que estas eram informações públicas, razão pela qual deveriam estar acessíveis a todos que se dirigissem ao Dnaee para consultá-las.

“Maura Menin não poupava esforços para atender a todos. Era uma pessoa muito cordial”, afirma Mário Cicareli, que teve a oportunidade de experimentar essa cordialidade quando, ainda estudante, passou várias semanas no Dnaee coletando dados para a empresa onde fazia estágio. Depois de formado, esse relacionamento acabou aprofundando-se porque a empresa onde viria a trabalhar, a Cemig, era usuária da rede de estações de monitoramento do Dnaee. (Material produzido pela SME)

Evento discute papel da mulher na engenharia

Discutir o papel da mulher na engenharia é o objetivo do 1º Congresso Nacional das Mulheres Engenheiras, que o Instituto Feminino de Engenharia (IFE) promove nesta sexta e sábado em Belo Horizonte. Segundo a engenheira, empresária e presidente do IFE, Alaíze Reis, a engenharia é um segmento ainda com muitos desafios para as mulheres. “Estamos na era da inclusão de gênero. Estamos na era do respeito e das oportunidades igualitárias acima de tudo. No caso da engenharia, podemos dizer que ainda é um setor masculino, e o IFE vem, incansavelmente, buscando um equilíbrio organizacional”, afirma Alaíze Reis.

O Brasil tem um dos maiores índices de desigualdade entre homens e mulheres na América Latina. Segundo pesquisa recente, realizada pelo Instituto de Ensino e Pesquisa (Insper), houve uma evolução na proporção de mulheres que ocupam cargos de liderança, mas ainda é uma mudança lenta. Atualmente elas ocupam apenas 26% dos cargos de diretoria e, na velocidade com que essa mudança ocorre, a estimativa é de que sejam necessários pelo menos 59 anos para que o país conquiste a igualdade de gênero no mercado de trabalho.

Para Alaíze Reis, é importante reforçar que não basta as empresas incentivarem a participação feminina. “É preciso desenvolver a estrutura organizacional, trabalhar a cultura interna, o viés inconsciente, para que elas possam fazer parte da empresa como um único time de sucesso. Além disso, segundo Alaíze Reis, é importante reforçar a representatividade, pois se outras mulheres são promovidas, valorizadas, e apoiam outras mulheres, automaticamente eu vou me sentir motivada a dar meu melhor para poder crescer”, afirma.

O 1º Congresso Nacional de Mulheres Engenheiras será um evento híbrido. As vagas presenciais serão limitadas. O encontro será realizado mediante protocolos de segurança fixados pelas autoridades e será também transmitido pela internet. As inscrições são feitas pelo Sympla. Outras informações podem ser obtidas pelo site do IFE.

Entrega do “Engenheiro do Ano” fica para 2021

Anualmente, no dia 11 de dezembro, a SME faz a entrega do título de “Engenheiro do Ano” ao profissional da engenharia que mais se destacou nos últimos 12 meses. Este ano, devido à pandemia do coronavírus, o processo de escolha não pôde ser realizado. Com isso, entrega do título foi transferida para 10 de abril de 2021, Dia da Engenharia, também como parte da programação da já tradicional Semana do Engenheiro.

A formalização da data depende, porém, da boa evolução das condições sanitárias e somente será realizada presencialmente caso ocorra a redução dos casos de coronavírus a limites que ofereçam segurança quanto à não propagação da doença.

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