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Ex-presidente da Eletrobras defende bom senso em relação à fotovoltaica

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José da Costa considera que prioridades devem ser segurança, custo e sustentabilidade - Crédito: Marcelo Casal/Agência Brasil

O engenheiro e ex-presidente da Sociedade Mineira de Engenheiros (SME), José da Costa Carvalho Neto, entende que contratos da energia solar não podem ser rompidos sem mais nem menos, mas acha que deve ser buscado um meio termo.

Em entrevista ao DC, ele defende que o Brasil considere prioridade a busca de um modelo que seja competitivo e tenha boa regulação. Ele falou também sobre a necessidade de se rever as restrições ambientais às hidrelétricas e propôs o aproveitamento do potencial que o Brasil tem na geração de energia nuclear.

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Leia os principais pontos da entrevista:

Política energética

O importante é que o Brasil possua um modelo energético que seja competitivo e tenha uma boa regulação. O segredo é você ter o maior número possível de fontes e combiná-las de maneira que, no conjunto, você tenha o trinômio atingido: segurança, custo e sustentabilidade ambiental.

No Brasil, em média, cada consumidor fica 12 horas interrompidas por ano. E claro que esse índice é puxado muito pela área rural. Belo Horizonte, em 1966, ficava, em média, com 166 horas de interrupção por consumidor por ano.

Depois da incorporação da Companhia Força e Luz de Minas Gerais pela Cemig, esse número caiu de 166 para em torno de 45 horas. Porque quando você está muito ruim, é muito fácil dar uma melhorada. Hoje, eu tenho impressão de que se você contar só Belo Horizonte, não dá cinco horas. Isso é fundamental. Se não tiver energia, não adianta. Nada funciona.

Acordo de Paris

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Para atender ao Acordo de Paris, teremos, cada vez mais, que eletrificar,  que usar as fontes alternativas, que estão cada vez mais baratas. Mas se você só usa as fontes alternativas, prejudica muito o suprimento de energia, porque elas são muito voláteis. Então, você tem que ter outras fontes para assegurar isso. Essas outras fontes seriam as hidrelétricas.

Aí entra outro ponto: nós temos no Brasil um potencial total de 260 gigawatts. Utilizado, dá cerca de cem gigawatts. Mas, hoje, já está claro que, por razões ambientais, muitas das quais questionáveis, o máximo aque você poderá chegar, é de 170 gigawatts. Tem gente que acha que não chega a isso.

Então, a participação da hidrelétrica na nossa matriz energética será cada vez menor. Mas, a fio d’água [quando não se tem reservatório ou reservatório de capacidade muito pequena de armazenamento] também se tem o mesmo problema da energia solar. Porque você não controla o fluxo da água. Estamos abdicando dessa riqueza sem fazer também uma análise mais profunda.

Por exemplo: nós fizemos Belo Monte. Mas hoje não pode fazer mais nenhuma usina no rio Xingu. No rio Tapajós, que tem um potencial tremendo, também está proibido construir novas usinas. Belo Monte tem uma potência de 11,3 mil megawatts. Pelo projeto original, aquela usina iria ter uma área de reservatório de dois mil quilômetros quadrados, que não foi possível fazer. Com dois mil quilômetros quadrados, teríamos energia assegurada de 7,5 mil megawatts.

Mas ela ficou com somente 500 quilômetros quadrados e uma energia assegurada de 4,5 mil megawatts. Perdeu 3 mil megawatts, por causa de 1,5 mil quilômetros quadrados. O que são 1,5 mil quilômetros quadrados para a Amazônia, que deve ter 4 milhões de quilômetros quadrados. O que é 1,5 mil quilômetros quadrados perto disso? Uma das coisas que a gente tem que repensar é sobre a importância das hidrelétricas. Isso está nos impedindo de aproveitar o potencial que temos.

Hidrogênio

A grande novidade é que, cada vez mais, as chamadas energias alternativas vão ter menor custo. Por meio da eletrólise, vai ser possível produzir o hidrogênio. Hoje você não faz isso porque gasta eletricidade no processo. Com a solar e a eólica, você pode passar a fazer isso a um custo competitivo.

O hidrogênio é um combustível limpíssimo que passaria a ter uma atratividade econômica, que hoje ele não tem, por causa do custo da eletricidade. Você tem a tecnologia, mas gasta tanta energia que não vale a pena. O hidrogênio é uma unanimidade no mundo da energia.

Energia solar

Eu acho que é preciso muito equilíbrio. Quando foi lançado esse programa [de incentivo à energia solar], você não tinha escala. Para fazer isso, tinha que dar um subsídio inicial. Mas não se pode dar um subsídio permanente. Porque senão a sociedade não está ganhando com isso. Então, você tem que criar mercado e, a partir daí, diminuir o subsídio. O que a Aneel está querendo fazer é isso. Mas acho que não se pode ser tão radical ao ponto de se cortar o incentivo a esse tipo de energia.

É preciso bom senso para não ir nem para um lado nem para outro. Não se pode deixar os subsídios eternamente. Ao mesmo tempo, não se pode matar a galinha dos ovos de ouro. As discussões têm que ser colocadas democraticamente, levando-se em consideração os pontos positivos. Porque se você tem uma energia produzida no Amazonas, é preciso trazê-la para cá. Para isso, você tem o custo grande de transporte e as perdas. Já quando se tem uma energia sendo produzida mais próxima do consumidor, se tem menos perdas e, também, menos investimento em transmissão e até, teoricamente, menos investimentos em distribuição e na própria geração, que é mais barata.

Então, você tem um conjunto de ganhos que também tem que ser levado a efeito para verificar como devem ser as regras. O ponto central é buscar o equilíbrio. Tem que diminuir o subsídio, mas não se pode terminar com ele de repente, nem pode rasgar contratos. Você prometeu que o subsídio vai demorar 25 anos e agora diz que é só por 10 anos? Preservar o contrato é muito importante.

Nuclear

O Brasil já prospectou entre 25% a 30% de seu território para concluir que nós temos a sexta ou sétima reserva de urânio do mundo. E você pode inferir que no dia em que tiver toda a área prospectada, vamos ter a segunda ou a terceira reserva. Vamos perder, talvez, para o Cazaquistão ou para a Austrália.

O segundo ponto é que nós temos o domínio completo do ciclo nuclear, que começa na mineração, passa pelo enriquecimento do urânio, até gerar na energia nuclear. O terceiro ponto é que a energia nuclear é um combustível limpo, pois não emite CO2. E com uma grande vantagem: ela gera energia quando você quiser.

Não depende se tem sol ou não. É como uma hidrelétrica com um grande reservatório de água. Tem um ponto contra que o fato de ser uma energia mais cara que a de outras fontes. Mas há uma tendência de que se você tiver instalações padronizadas em escala, esse valor pode cair.

Segurança nuclear

Nós já tivemos três acidentes em usinas – Three Mille Island, Chernobyl e Fukushima – mas, se você computar o que já morreu de gente construindo hidrelétricas, esse número é muito maior. Hoje, as tecnologias estão hoje muito melhores.

As usinas são à prova de besteiras. Se o operador errar, soa um alarme; se errar de novo soa outro alarme. Se der tudo errado, a usina fecha, para não contaminar o meio ambiente. Então, acho que, por tudo isso, nós temos, no Brasil, espaço para a energia nuclear.

Já temos duas  usinas em funcionamento – Angra 1 e Angra 2 – e uma terceira em construção: Angra 3. O lixo atômico é um aspecto importante, mas hoje você pode usar cavernas e também já se sabe que muitas das placas que foram usadas podem ser usadas de novo, para gerar novamente a energia. E você tem tecnologias que podem armazenar isso de uma forma bem mais segura.

A quantidade de usinas que estão sendo feitas na Ásia, principalmente na China, Índia, Coreia e Rússia é muito grande. Aqui são poucas; na França diminuiu bastante. Eles querem crescer mais nas fontes renováveis. Acho que a nuclear é uma fonte que o Brasil não pode rejeitar.Não usar isso é uma pena. Daria mais potencial para o Brasil.

(Conteúdo produzido pela SME)

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