Trabalho voluntário pode ser avaliado por muitas empresas como um fator de desempate em processos seletivos - Crédito: José Cruz/Agência Brasil

Com tantas exigências no mercado de trabalho, é natural que os jovens se preocupem em desenvolver habilidades comportamentais e técnicas para atender aos requisitos das empresas. Afinal, já se foi o tempo em que apenas a faculdade era o suficiente para conseguir uma boa oportunidade. Então, quem busca a tão sonhada vaga de estágio precisa se desdobrar para alcançar esse objetivo.

Desse modo, dedicar-se em atividades extracurriculares, seja em um curso livre, palestras, oficinas e até mesmo um trabalho voluntário, é uma boa opção para superar a concorrência. E o trabalho voluntário, por exemplo, é algo que merece um destaque no currículo, pois é sempre muito valorizado pelos recrutadores, já que possibilita o desenvolvimento de outras habilidades importantes para o ambiente corporativo. E, de acordo com pesquisa especializada, essa tem sido uma alternativa entre os jovens universitários que estão buscando aumentar a competitividade na corrida em busca do estágio.

A pesquisa realizada pela Companhia de Estágios, consultoria especializada em programas de estágio e trainee, contou com a participação de 4.044 estudantes de diversas regiões do Brasil e revelou que 8,3% dos universitários entrevistados participam de algum trabalho voluntário como forma de investir mais na própria carreira. Comparando com os anos anteriores, houve um aumento, já que, em 2018, 8,0% alegaram fazer voluntariado com o mesmo objetivo, enquanto em 2017, 7,5% responderam a mesma coisa. Apesar de ser um crescimento tímido, o mercado costuma olhar com bons olhos para aqueles que se envolvem com práticas sociais.

Ou seja, participar de algum voluntariado não faz bem apenas para quem recebe o impacto da ação, mas também para quem pratica, já que a tarefa, mesmo não sendo remunerada, traz um senso de responsabilidade e de equipe, qualidades que são muito requisitadas hoje em dia, independentemente da área de atuação.

Segundo o diretor da Companhia de Estágios, Tiago Mavichian, muitas empresas valorizam esse tipo de atividade no currículo, que, em alguns casos, pode até ser um fator de desempate.

“Toda atividade fora da universidade agrega, no entanto, quem procurar por trabalho voluntário mostra que tem como principal objetivo o aprendizado, já que a prática não é remunerada. Além disso, é possível perceber algumas características importantes em quem participa de atividades sociais, como trabalho em equipe, iniciativa e até mesmo liderança. Se envolver com este tipo de tarefa contribui com o desenvolvimento de muitas competências, não apenas comportamentais, mas também técnicas, e tudo isso é avaliado em um processo seletivo”, detalha.

Para Mavichian, o desenvolvimento de habilidades não é a única vantagem, uma vez que também é possível aumentar a rede de relacionamento. Ele diz que deixar uma marca positiva para o maior número de pessoas possível é uma boa estratégia de crescimento profissional.

“O trabalho voluntário permite aumentar o networking, e isso é algo que todo profissional deve ter, no entanto, para um universitário é muito importante, pois ele está no início da carreira e um bom contato pode abrir muitas portas”, diz.

Qualquer tipo de trabalho voluntário é bem-vindo, independentemente da área de estudo do estagiário. Pode ser algo que envolva uma organização de eventos, um trabalho para uma ONG ou até mesmo alguma atividade que a própria universidade possibilite dentro ou fora dela. Existem várias opções de voluntariado, então, cabe ao estudante ver o que combina com o próprio perfil.

Currículo – No entanto, uma das dúvidas acerca do assunto é sobre como colocar essa experiência no currículo de forma organizada. O diretor da Companhia de Estágios diz que alguns fatores precisam ser levados em consideração na hora de elaborar o documento.

“Se é uma primeira experiência, pode ser colocado logo após as informações sobre a faculdade que estuda, se não for, é aconselhável por um tópico de informações adicionais ou atividades extracurriculares e acrescentar essa experiência do voluntariado. Alguns sites de emprego já possuem um espaço dedicado a isso, então fica mais fácil ainda de organizar”, comenta.

Embora o trabalho voluntário seja importante na hora da avaliação do currículo, é importante ficar de olho no que o mercado tem exigido dos profissionais.

“Na verdade, uma coisa não substitui a outra. Porém, em tempos de crise, é necessário buscar alternativas de aprendizado e o trabalho voluntário pode ser o caminho. No entanto, o candidato que consegue participar de outras atividades além dessa, como oficinas ou cursos livres, acaba tendo um destaque maior, pois, durante a entrevista, queremos avaliar o que ele conseguiu extrair de cada experiência que ele teve, sejam elas profissionais ou não”, conta Mavichian. (Da Redação)

País registra aumento de aprendizes no ano

São Paulo – O número de aprendizes encaminhados pelo Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE) às empresas cresceu 13,6% no primeiro semestre deste ano, na comparação com o mesmo período do ano passado. O total de aprendizes somou 247.679 de janeiro a junho, de acordo com o Boletim Estatístico do CIEE divulgado ontem em São Paulo. Em relação aos estagiários, o total foi 868.468 pessoas encaminhadas, com crescimento de 3,8%.

Nos primeiros seis meses deste ano, segundo a pesquisa, 68,8% dos aprendizes eram jovens já formados no ensino médio, enquanto 26% ainda estavam cursando o ensino médio. O estudo revelou também que 4,6% dos aprendizes estavam no ensino fundamental. Quanto aos estagiários, 77,4% são do ensino superior, 18,9% do ensino médio e 3,3% do ensino técnico.

A pesquisa apontou que houve alta de 6,6% no número de vagas abertas, passando de 203.062 vagas no primeiro semestre de 2018 para 216.462 no mesmo período deste ano. Já as contratações aumentaram 3%, subindo de 176.028 contratos fechados nos primeiros seis meses de 2018 para 181.248 até junho deste ano.

O estudo mostrou que estudantes do sexo feminino são maioria no mercado, respondendo por 65% das vagas ocupadas de estágio e 52,7% das vagas de aprendiz.

Os cursos com maior número de estagiários no País são: direito, pedagogia, administração, ciências contábeis, engenharia civil, tecnologia em análise e desenvolvimento de sistemas, psicologia, educação física, ciência da computação e arquitetura e urbanismo, nessa ordem. (ABr)