Crédito: Roberto Rocha/RR

A arrecadação da Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (Cfem) no Estado chegou a R$ 285,2 milhões no primeiro bimestre deste ano, representando um salto de 6,77% em relação ao recolhimento dos royalties da mineração nos mesmos meses de 2019 (R$ 267,1 milhões). Os dados são da Agência Nacional de Mineração (ANM).

O recolhimento da Cfem em Minas Gerais respondeu por 39,9% do montante arrecadado com a contribuição em todo o País nos dois primeiros meses de 2020, que totalizou R$ 714,6 milhões, de acordo com as informações da agência.

Mais uma vez a contribuição do Pará superou a do Estado, chegando a 49,9% do total nacional. O Pará recolheu R$ 356,9 milhões no acumulado de janeiro a fevereiro deste ano.

Historicamente, o maior produtor mineral e o maior recolhedor da Cfem, Minas já não ocupa a liderança nacional da produção de minérios há alguns meses.

A perda da primeira colocação no ranking por Minas Gerais é justificada por especialistas pela combinação de dois fatores: o aumento na produção de minério de ferro no Projeto S11D da Vale, localizado em Carajás, e o cenário de menor produção extrativa em terras mineiras, desde o rompimento da barragem da mineradora em Brumadinho, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), ocorrido em janeiro do ano passado.

Destaques – O município mineiro que mais contribuiu para a arrecadação da Cfem nos dois primeiros meses de 2020 foi Congonhas (Campo das Vertentes). Ao todo, os royalties da mineração chegaram a R$ 49,7 milhões. Ou seja, 17,42% do total do Estado no período. O montante representou um avanço de 21,8% sobre os R$ 40,8 milhões de igual época do exercício passado.

Conceição do Mato Dentro (Médio Espinhaço) apareceu logo em seguida, com R$ 46,9 milhões recolhidos entre janeiro e fevereiro de 2020 – o equivalente a 16,44% da Cfem de Minas Gerais. Não foi possível comparar com igual intervalo de 2019 porque o município não teve recolhimento naquela época, uma vez que o sistema Minas-Rio, da Anglo American, estava paralisado em função de vazamentos ocorridos no mineroduto em 2018.

Por outro lado, cidades como Itabira, na região Central do Estado, e Nova Lima, na RMBH, apresentaram recuo na compensação financeira da mineração em virtude das minas que seguem paralisadas nas cidades, da instabilidade das barragens ou descomissionamentos das estruturas.

Itabira, por exemplo, recolheu R$ 32 milhões entre janeiro e fevereiro deste ano. O montante foi 5% inferior aos R$ 33,7 milhões apurados na mesma época do ano anterior. Já Nova Lima apurou R$ 11,8 milhões contra os R$ 21,8 milhões da mesma época de 2019, um recuo de 45,8% entre os períodos.

Exportações do País despencam no início de março

São Paulo – As exportações de minério de ferro do Brasil na primeira semana de março registraram forte baixa na média diária em relação ao mesmo mês do ano passado, recuando quase que pela metade, de acordo com dados divulgados ontem pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex).

Os embarques do produto nos cinco primeiros dias úteis de março somaram 3,36 milhões de toneladas, com média diária de 672,5 mil toneladas, contra 1,17 milhão de toneladas/dia em março de 2019.

No mesmo mês do ano passado, aliás, as exportações de minério de ferro haviam registrado o que à época representava o menor volume mensal em seis anos, com 22,18 milhões de toneladas, na esteira do desastre de Brumadinho e de cortes de produção pela Vale.

A queda nos embarques se dá após a Vale ter anunciado, no mês passado, que sua produção no primeiro trimestre ficará menor que o esperado, devido principalmente a questões operacionais na mina de Brucutu, sua maior produtora de Minas Gerais, que ainda sofre impactos do desastre de Brumadinho.

Na comparação com fevereiro de 2020, a média diária de embarques do Brasil também apresenta forte redução. No mês passado, foram exportados 1,23 milhão de toneladas diárias, embora o período já tenha indicado uma queda de 23,6% no ano a ano.

Principal produtora de aço do mundo, a China enfrenta uma grave epidemia de coronavírus, que também causa preocupações quanto a uma recessão e a quedas na demanda. Siderúrgicas locais têm sido pressionadas a vender mais produtos, uma vez que acumularam estoques durante a epidemia, que fechou fábricas e paralisou obras no país.

Petróleo – Por outro lado, o ritmo de embarques de petróleo do Brasil segue forte, superando as médias diárias tanto de março de 2019 quanto de fevereiro de 2020, segundo a Secex.

Foram embarcadas na primeira semana do mês 2,32 milhões de toneladas de petróleo, com média de 464,3 toneladas por dia, ante 236,3 toneladas ao dia no mesmo mês do ano passado e 336,9 toneladas/dia em fevereiro.

No mês passado, a Petrobras havia indicado que as exportações seguiam com bom ritmo apesar da epidemia de coronavírus, que foi classificada pela empresa como “período desafiador para a economia global”. (Reuters)

Vale monitora talude em Barão de Cocais

São Paulo/Rio de Janeiro – A mineradora Vale informou ontem que o talude norte da cava de sua mina de Gongo Soco, em Barão de Cocais, “continua deslizando para dentro da estrutura”, em situação que tem sido monitorada pela companhia e comunicada às autoridades.

A mina está paralisada desde 2016 e o processo de deslizamento ocorre desde o ano passado, conforme a empresa comunicou em maio de 2019, alguns meses após o rompimento mortal de uma de suas barragens de rejeitos de mineração em Brumadinho em janeiro de 2019.

“A Vale continua avaliando a possibilidade e a extensão dos impactos em caso de novos desprendimentos, bem como impactos de eventual vibração sobre a barragem Sul Superior, distante aproximadamente 1,5 km da área do talude”, disse a companhia em comunicado.

A empresa acrescentou que a cava e a barragem “são monitoradas 24h por dia de forma remota” e por sobrevoos de drones, além de um Centro de Monitoramento Geotécnico.
A barragem Sul Superior está em nível 3 desde 22 de março de 2019 e a Zona de Autossalvamento já havia sido desocupada preventivamente em 8 de fevereiro de 2019, destacou a companhia.

A Vale ressaltou ainda que concluiu as obras da estrutura de contenção de rejeitos localizada a 6 quilômetros da barragem Sul Superior, cujo projeto, que seguiu critérios técnicos, tem o objetivo de reter 100% dos volumes das barragens Sul Superior e Sul Inferior em um cenário hipotético extremo de ruptura. (Reuters)