Diante dos efeitos da crise desencadeada pela Covid-19 na economia mineira, o governador Romeu Zema acena com medidas diversas | Crédito: Gil Leonardi

O governo de Minas Gerais anunciou nessa segunda-feira (23) algumas medidas para amenizar os impactos econômicos da crise provocada pelo novo coronavírus (Covid-19) junto às empresas do Estado.

Entre as ações, a possível liberação de R$ 500 milhões pelo Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG) para ajudar pequenas e médias empresas mineiras que forem afetadas pela epidemia.

O mesmo valor já foi liberado para empresas da área da saúde para acelerar a produção de insumos como máscaras hospitalares e álcool em gel e é o mínimo que deve sair para empreendedores de outros segmentos, conforme anunciado pelo governador Romeu Zema (Novo), em entrevista coletiva virtual.

O governador também anunciou que empresários sob o regime Simples terão tratamento diferenciado a partir da proposta do governo federal. Ainda conforme ele, outras medidas estão sendo analisadas pelos executivos de cada estado do Brasil.

“Minimizar os impactos provocados pelo coronavírus é uma das prioridades do governo”, disse ao anunciar também a redução ou renegociação de dívidas de clientes da tarifa social com a Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) e Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa), que não terão fornecimento cortado ou suspenso até 30 de abril.

No caso da energia, o parcelamento dos débitos em seis vezes se estende ainda aos consumidores comerciais classificados como microempresas, que tiveram que paralisar suas atividades em função das restrições de funcionamento decretadas pelo Estado.

Na água, os vencimentos até 20 de março terão validade prorrogada até 20 de abril. E as contas com vencimento até 20 de abril poderão ser quitadas até 20 de maio.
De acordo com o governador, a Companhia de Gás de Minas Gerais (Gasmig) vai cobrar 5% a menos no valor do gás industrial. E o Gás Natural Veicular (GNV) vai ter um desconto de 5,95%. “Com estes descontos, os motoristas de táxi e aplicativos, por exemplo, terão um alívio nas despesas”, comentou.

Transporte de cargas – Ainda como forma de proteger a economia mineira, Zema falou da importância da manutenção do funcionamento do transporte de cargas. Ele destacou que se o fluxo de cargas parar, não haverá medicamentos, alimentos e nem mesmo água tratada nas próximas semanas. “Daqui para frente, as medidas poderão ser revistas ou ampliadas. Mas é preciso manter em funcionamento as atividades essenciais”, destacou.

Questionado sobre a possibilidade de Minas Gerais ganhar hospitais de campanha, como já vem ocorrendo em outros estados como São Paulo, Zema afirmou que o governo já estuda possíveis locais na capital mineira para funcionarem como abrigos temporários para tratar pacientes com a Covid-19. Segundo o governador, a decisão final será divulgada nos próximos dias.

“O Expominas está entre os locais considerados para a instalação de estruturas do tipo, e muitos outros locais”, citou. O secretário de Estado de Saúde, Carlos Eduardo Amaral, por sua vez, destacou que a estratégia dos hospitais de campanha precisa ser pensada e avaliada com cautela. A Pasta informou ainda que Minas Gerais contabiliza, até o momento, 7.766 casos da doença em investigação e 128 confirmados.

Lojistas de shoppings terão isenção de aluguel

São Paulo – Lojistas de shopping centers do Brasil terão isenção de aluguel durante o fechamento dos empreendimentos determinado por autoridades públicas como medida para contenção da epidemia de Covid-19 no País, anunciou ontem a associação setorial Alshop.

Segundo a entidade, o aluguel de março será cobrado de maneira proporcional, mas a cobrança será feita “posteriormente e de maneira negociada”.

Várias administradoras de shoppings do País, incluindo Multiplan, brMalls e Iguatemi, anunciaram ações para fechamento dos empreendimentos em várias cidades do Brasil.

“Não haverá cobrança de aluguel durante o tempo em que os shoppings estiverem fechados. A cobrança do condomínio será flexibilizada e reduzidas uma vez que o custo de manutenção, limpeza, energia e conservação ainda se mantém”, afirmou a Alshop em comunicado à imprensa.

A entidade afirmou ainda que as medidas se somam a outras como “linhas de crédito reduzidas, redução de impostos”, que foram obtidas em negociações com governos.

O número de mortes em decorrência do novo coronavírus no Brasil avançou de 25 para 34 ontem, informou o Ministério da Saúde. Os casos confirmados de Covid-19 no País atingiram 1.891, avanço de 345 casos na comparação com o dia anterior.

A maior parte das mortes pela doença está no estado de São Paulo, com 30 óbitos. O estado também possui a maioria das infecções confirmadas no Brasil, com 745 – 114 a mais do que o registrado no domingo. (Reuters)

Klabin e Magazine Luiza também suspendem atividades no País

São Paulo – Mais empresas brasileiras anunciaram suspensão de atividades como medidas de resposta à epidemia do novo coronavírus no País. Klabin e Magazine Luiza reforçaram crescente grupo de grandes companhias que estão parando grandes projetos e paralisando importantes áreas de negócios.

A Klabin disse ontem que iniciou desmobilização temporária de trabalhadores envolvidos nas obras de construção civil e montagem do bilionário Projeto Puma II, no Paraná, que envolvia força de trabalho de aproximadamente 4.500 pessoas.

“Pela rapidez dos eventos relacionados à pandemia do coronavírus e incertezas quanto ao prazo para a normalização das atividades de saúde e econômicas do Brasil, não é possível, até o presente momento, estabelecer quais serão os efeitos dessa medida no cronograma e orçamento do projeto”, afirmou.

No domingo, a Embraer comunicou que decidiu colocar todos os seus empregados no Brasil que não podem trabalhar remotamente em afastamento remunerado até 31 de março, acrescentando que apenas “algumas operações essenciais” serão mantidas.

Ontem, o Magazine Luiza comunicou que decidiu fechar temporariamente sua “importante operação de lojas físicas”, mantendo, no entanto, as operações de comércio eletrônico.

A varejista disse que estava trabalhando para expandir rapidamente a entrega de produtos vendidos online a partir de lojas físicas e que possui uma sólida estrutura de capital.

No fim de semana, a rival Via Varejo também anunciou o fechamento temporário de todas suas lojas físicas (Casas Bahia e Ponto Frio) no País, mantendo em operação a área de varejo online. A Marisa Lojas também tomou medida semelhante, no sábado.

Também brMalls disse que, desde ontem, “reforçando as medidas de combate à Covid-19, todos os nossos shoppings estarão fechados ao público”. O Iguatemi também anunciou suspensão das operações de seus empreendimentos, mantendo operações essenciais em algumas unidades.

A Arezzo também anunciou ontem suspensão de atividades fabris, com férias coletivas aos funcionários e disse que, temporariamente, foram fechadas lojas em todas as localidades indicadas pelas autoridades municipais ou estaduais.

A fabricante de calçados e acessórios também disse que estava reduzindo em 30% os salários do presidente-executivo, além da diretoria executiva e de conselheiros.
No sábado, o governador de São Paulo, João Doria, anunciou uma quarentena no estado por 15 dias a partir de hoje, com fechamento obrigatório de todos os estabelecimentos comerciais e de serviços não essenciais, como medida para reduzir a disseminação do coronavírus.

No estado do Rio de Janeiro, foi decretado estado de calamidade pública diante do avanço do coronavírus e, desde sábado, entraram em vigor novas medidas de isolamento da capital fluminense, com restrição de transportes na capital. (Reuters)