Sergio Gusmão explica que a cadeia do turismo é uma das mais abrangentes no Estado, com 60 mil estabelecimentos | Crédito: Marcus Desimoni / NITRO

A cadeia do turismo terá condições de financiamento facilitadas pelo Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG) em face do contexto econômico imposto pela Covid-19.

Desde esta terça-feira (24), as operações do banco com recursos do Fundo Geral do Turismo (Fungetur), destinadas ao capital de giro de micro e pequenas empresas do ramo, terão redução nas taxas de juros e ampliação do prazo de carência.

De acordo com o presidente do BDMG, Sérgio Gusmão, a nova linha é essencial para dar fôlego à cadeia do turismo de Minas Gerais, que tem grande importância econômica e social.

“A cadeia do turismo é extremamente estratégica para Minas Gerais e ela abrange mais de 90 atividades econômicas. Para Minas Gerais, é uma cadeia fundamental pelas características do nosso Estado, e essa linha que estamos lançando vai dar um fôlego extra nesse momento muito desafiador para essa cadeia, que está sendo diretamente atingida pela crise do coronavírus”, explicou.

Os juros iniciais da linha de crédito caem de 7% ao ano (+ INPC) para 5% ao ano (+ INPC). O prazo de carência dobrou, de seis meses para 12 meses, com pagamento em até 48 meses. O acesso ao crédito deve ser feito diretamente pela plataforma digital do banco ou por meio de um correspondente bancário, que pode ser consultado pelo site.

Podem solicitar o crédito empresas com faturamento anual de até R$ 4,8 milhões e pertencentes a uma das mais de 90 atividades econômicas da cadeia do turismo, incluindo empresas de hospedagens, bares e restaurantes, transporte e agências de turismo, até negócios de produções artísticas, de teatro e dança, animação de festas, infraestrutura de eventos e aluguel de equipamentos.

“A cadeia do turismo é uma das mais abrangentes para Minas Gerais, com cerca de 60 mil estabelecimentos. Assim, estamos tornando ainda mais acessível e ágil a disponibilização de recursos para o pequeno empreendedor neste momento de desafios. Nós, como banco de desenvolvimento, temos que atuar na frente anticíclica deste cenário e encontrar alternativas efetivas para minimizar seus impactos econômicos e sociais”, afirmou Sergio Gusmão.

Para ter acesso aos recursos, as empresas também precisam estar em operação há pelo menos seis meses e serem inscritas no Cadastro de Prestadores de Serviços Turísticos (Cadastur). O cadastro pode ser feito de forma gratuita e rapidamente pelo próprio empresário na página do Ministério do Turismo.

“Nesses momentos, os bancos de desenvolvimento – como é o caso do BDMG – têm especial papel de servir como ferramenta de combate aos efeitos de crises econômicas e sociais, como essa causada pelo coronavírus. Ao lançarmos essa nova linha para o turismo e as outras que temos criado, como para o setor de saúde, e outros programas que estamos preparando, essas medidas vêm atuar como uma política, um programa anticíclico para combater os efeitos nocivos do coronavírus. Nesse sentido, estamos cumprindo nosso mandato como banco de desenvolvimento de Minas Gerais”.

Setor da saúde – Além da melhoria de condições para o setor do turismo, no contexto imposto pelo Covid-19, o BDMG também abriu, na semana passada, linhas de crédito com condições especiais para empreendedores do setor de saúde de Minas Gerais.

Estão disponíveis R$ 500 milhões para capital de giro e investimento para empresas de todos os portes, desde farmácias, distribuidores e fabricantes de materiais de higiene até laboratórios, indústrias do ramo e hospitais.

O BDMG também está, no momento, estudando outras oportunidades de concessão de crédito para empresas de outros setores.

Ministros do G7 se unem para restaurar confiança

Washington – Os ministros das Finanças e os presidentes dos bancos centrais do G7 se comprometeram ontem a ampliar as ações fiscais e monetárias pelo tempo necessário para restaurar o crescimento e a confiança, abalados pelo coronavírus.

Em comunicado, o grupo afirmou: “Faremos o que for necessário para restaurar a confiança e o crescimento econômico e proteger empregos, negócios e a resiliência do sistema financeiro. Também prometemos promover o comércio e o investimento globais para sustentar a prosperidade”.

As reuniões semanais continuarão, disse o G7, formado por Canadá, França, Alemanha, Itália, Japão, Reino Unido e Estados Unidos.

As autoridades financeiras destacaram a necessidade urgente de aumentar o apoio ao rápido desenvolvimento, fabricação e distribuição de diagnósticos, tratamentos e uma vacina para Covid-19, a doença causada pelo vírus.

As autoridades disseram que estão prontas para entregar o esforço fiscal necessário para ajudar suas economias a se recuperarem rapidamente e retomarem o caminho em direção a um crescimento sustentável, ao mesmo tempo que fornecem apoio à liquidez para mitigar os impactos econômicos negativos.

Diferentemente da crise financeira global de 2007-2008, quando os esforços foram amplamente concentrados em grandes bancos e empresas, esta crise forçou o G7 a mirar novas áreas, como ajuda ao emprego, trabalho em casa e populações vulneráveis, além de ampliar o acesso à assistência à infância e ao auxílio-desemprego.

Os ministros disseram que também estavam fornecendo melhorias de liquidez, garantias, empréstimos subsidiados, adiamento de pagamento de impostos e de vencimentos de empréstimos e, quando apropriado, subsídios para empresas afetadas, especialmente as pequenas e médias.

Na frente monetária, os bancos centrais do G7 estão tomando medidas excepcionais para apoiar a estabilidade econômica e financeira e melhorar a liquidez, inclusive por meio de linhas de swap entre os bancos centrais, disse o comunicado.

“Prometemos manter políticas expansionistas pelo tempo que for necessário e estar prontos para tomar mais medidas, usando toda a gama de instrumentos consistente com nossos mandatos”, afirmou. (Reuters)

Atividade global encara colapso com pandemia

Paris/Hong Kong – A atividade empresarial entrou em colapso da Austrália e do Japão à Europa Ocidental em um ritmo recorde em março, à medida que ações para conter o coronavírus golpeiam a economia mundial.

Nos Estados Unidos, a atividade de negócios recuou ainda mais em março, atingindo uma mínima recorde, com a pandemia de coronavírus pressionando os setores de manufatura e serviços e reforçando a visão dos economistas de que a economia norte-americana já está em recessão.

O IHS Markit disse ontem que seu Índice de Gerentes de Compras (PMI, na sigla em inglês Composto preliminar) caiu para uma leitura de 40,5 este mês. Esse foi o nível mais baixo de todos os tempos, ante 49,6 em fevereiro. Uma leitura abaixo de 50 indica contração.

“O surto de coronavírus representa um grande choque externo para a perspectiva macro, semelhante a um desastre natural em larga escala”, disseram analistas do BlackRock Investment Institute em nota.

A atividade nos 19 países que usam o euro desmoronou, conforme os países determinaram paralisação de serviços para conter a propagação da doença, fechando lojas, restaurantes e escritórios.

O dado preliminar do PMI composto do IHS Markit para a zona do euro – visto como um bom indicador de saúde econômica – desabou a uma mínima recorde de 31,4 em março.

Essa foi de longe a maior queda de um mês desde que a pesquisa começou, em meados de 1998, e veio abaixo de todas as previsões de uma pesquisa da Reuters, que havia mostrado leitura de 38,8, pela mediana das estimativas.

O IHS Markit disse que os números de março sugerem que a economia da zona do euro está encolhendo a uma taxa trimestral de cerca de 2%, e a escalada das medidas para conter o vírus poderá agravar a crise.

No Japão, as pesquisas do PMI mostraram que o setor de serviços encolheu em seu ritmo mais rápido já registrado neste mês e que a atividade fabril contraiu na velocidade mais rápida em uma década.

Os dados são consistentes com uma retração de 4% em 2020, disse o economista sênior da Capital Economics, Marcel Theliant. O adiamento das Olimpíadas de Tóquio deve causar um duro golpe a terceira maior economia do mundo.

Estímulo infinito – Com a maioria dos mercados financeiros afundando, os bancos centrais globais vêm adotando medidas extraordinárias quase diariamente para deter o colapso.

Mas alguns analistas dizem que a flexibilização infinita da política monetária pode não ser suficiente e as etapas fiscais são cruciais. O mais recente esforço dos EUA nessa frente permanece estagnado no Senado, pois os democratas disseram que o pacote analisado reservava muito pouco dinheiro para hospitais e limites insuficientes de financiamentos a grandes empresas.

“Para que a economia norte-americana possa sair da crise atual e da recessão relativamente ilesa, serão necessárias intervenções de política mais radicais nas próximas semanas”, disse Anna Stupnytska, chefe global de estratégia macro e de investimentos da Fidelity International. (Reuters)