Crédito: REUTERS/Adriano Machado

Tilden Santiago*

O coronavírus nasceu na China, na região de Wuhan, o epicentro da pandemia. E é também dessa grande nação, grande pelo território, pela população, pelo pragmatismo e cultura milenar e pelo desenvolvimento econômico, que emana o ensinamento para o devido enfrentamento deste mal coletivo hoje.

Crise em chinês significa “oportunidade de crescer”. E crescer em todas as dimensões, algo que esse país asiático e continental vivenciou coletivamente a partir da Revolução de 49 e da Grande Marcha liderada por Mao Tse Tung. O outro ensinamento é a solidariedade e entre os chineses e com todas as nações.

Apesar do sofrimento que invade os viventes do ocidente e do oriente, que “jazem entre as trevas e na sombra da morte estão sentados”(Benedictus de Zacarias, pai de João Batista em Lucas 1,68 ss), o mundo parece estar sendo iluminado por um sol de solidariedade e de fraternidade, que nos transporta às heroicas lutas contra a peste negra na Idade Média – deixando para trás as desventuras, a hipocrisia e os crimes da globalização.

Quem sabe se uma humanidade mais fraterna e sensível não está nascendo deste parto de dor do coronavírus? Apesar de estarmos talvez vivendo uma guerra híbrida, bacteriológica entre os EUA e a China (Veja reportagem investigativa do jornalista Pepe Escobar), a história do ser humano é feita de trevas e de luz, de sombras e de clarões, de noites e de dias, de sonhos e de desafios reais.

Segundo jornalistas, editores e analistas da Folha de S.Paulo, 14 nações, com seus respectivos chefes de Estado, estão no pódio dessa maratona salvífica: China, Itália, França, Espanha, Irã, Alemanha, Rússia, Japão, EUA, Argentina, Reino Unido, Hungria, Coreia do Sul e Chile.

No entender desse escriba, dois outros nomes da geografia mundial deveriam entrar nessa lista: 1) Taiwan, ligada à China, que já havia sofrido gravemente com a Sars e as gripes suína e aviária. 2) Cuba, histórica na resistência coletiva ao Ebola, na África, e aos furacões sob a liderança de Fidel, na evolução das vacinas e seus laboratórios e na mobilização, solidariedade internacional e organização de seu povo para todo tipo de luta, inclusive de libertação e contra o analfabetismo.

Estamos vivendo um fenômeno mundial propício à emergência da solidariedade e do desprendimento humano, superando os limites que qualquer fanatismo ideológico impõe à caminhada de mulheres e homens. Mesmo se estivermos no bojo de uma guerra bacteriológica.

Taiwan e Cuba expressam nessa crise, junto com a China, um papel grandioso e emblemático. Taiwan prima por uma gestão eficaz e inteligente no trato da crise, criando uma agência que coordena as ações governamentais de contenção e as decisões rápidas, sem falar da transparência, que leva a população a confiar no seu governo.

O Estado cubano soube convocar toda sociedade da ilha, e mesmo caribenha, para a resistência dentro desse novo tipo de guerra. A mesma quando erradicou, nos anos 60, nos primórdios da revolução, as trevas do analfabetismo. Cuba está sempre alerta contra as viroses, com seus cientistas e laboratórios produtores de vacinas. E tem sido solidária com a China, Itália, Espanha, Irã e outros.

O Ministério da Saúde do Brasil, com Mandetta, bem que poderia subir ao pódio dessa maratona, entre as 14 ou 16 nações. Só que falta ao País um estadista, lúcido e racional, no comando da Nação, que tenha inteligência para entender o problema e “capitanear”, sem jogadas exóticas, esdrúxulas, diversionistas e infantis, uma luta heroica de brasileiras e brasileiros. Isso ficou muito claro no último domingo dia 15. Sem comentários!

*Jornalista, embaixador e sacerdote anglicano