Crédito: Alisson J. Silva

Enquanto todos se preparam para o Carnaval as investigações sobre a contaminação da cerveja Belorizontina, produzida pela cervejaria Backer, com dietilenoglicol e seu envolvimento com o surgimento da síndrome nefroneural na região Centro-Sul de Belo Horizonte, caíram como uma bomba no trade turístico da Capital.

“Trabalhamos durante todo o ano esperando esse momento e uma notícia como essa é um desastre. Em 2019 foi a tragédia da Vale, em Brumadinho (rompimento da barragem do Córrego do Feijão, com 270 vítimas fatais, no dia 25 de janeiro de 2019), agora é a Backer. Isso é muito ruim para todo o setor, já que a gastronomia é o principal ponto da estratégia de promoção do Estado. Tudo isso logo depois de Belo Horizonte ter sido reconhecida como Cidade Criativa pela Gastronomia pela Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) e às vésperas do Carnaval. Precisamos nos unir para mostrar que esse problema, que ainda não foi esclarecido, é uma questão pontual, que não coloca em xeque a nossa gastronomia e a nossa capacidade de receber turistas de todo o mundo”, desabafa o presidente da Abih-MG, Guilherme Sanson.

A crise financeira que abala muitos municípios do Estado e o medo de problemas como barragens por causa das intensas chuvas comuns no verão devem fazer com que parte do público que se dirigia ao interior se desloque para a Capital. A previsão é que o gasto médio por turista durante a semana do Carnaval em Belo Horizonte fique entre R$ 400 e R$ 600 por dia, sem contar o gasto em hospedagem.

“A desconfiança sobre a Backer é uma notícia ruim para todo o Estado porque coloca dúvidas sobre o setor. Aguardamos o fim das investigações destacando que este é um problema pontual e que o caso ainda não foi solucionado. Belo Horizonte está pronta para receber todos os visitantes, inclusive aqueles que iam para festas que foram canceladas no interior. A cidade tem infraestrutura capaz de comportar a demanda”, completa o presidente do Sindhorb-BH, Paulo César Pedrosa.

De toda forma o setor hoteleiro se mantém otimista, tendo como base os resultados já conhecidos de 2019. Belo Horizonte se destaca entre as capitais com melhor performance nas estatísticas da hotelaria, no acumulado de janeiro a novembro, divulgado pelo Fórum de Operadores Hoteleiros do Brasil (FOHB), apresentando o maior crescimento no valor da diária média, 17,2%, em relação as 13 outras capitais analisadas. A Taxa de Ocupação teve um aumento de 5,9%, e a Receita por Apartamento Disponível (RevPar), 24,1%, atrás, apenas, de Vitória (ES) que apresentou um crescimento de 27,8%.