MICHELLE VALVERDE Com investimentos superiores a R$ 3 milhões, o Norte de Minas Gerais ganhará um centro de processamento de algodão. Localizado em Catuti, o projeto, que é desenvolvido pela Associação Mineira dos Produtores de Algodão (Amipa) e diversos parceiros, tem o objetivo de estimular a cotonicultura na região. A expectativa é de que, nos próximos anos, com o início das operações, a produção cresça. A unidade de processamento é considerada importante para a região, uma vez que a produção do algodão no Norte do Estado está concentrada na agricultura familiar e o processamento será uma forma de gerar empregos e agregar valor ao produto. De acordo com o diretor-executivo da Amipa, Lício Pena, a primeira etapa do projeto de construção do centro de processamento de algodão será inaugurada em abril, quando serão entregues as obras físicas da unidade. Logo após, será feita a instalação das máquinas e capacitação dos produtores. A estimativa é de que o centro entre em operação na safra 2020/21. O projeto vai demandar investimentos superiores a R$ 3 milhões e está sendo desenvolvido através de parcerias. Segundo Pena, a demanda pela instalação de uma unidade de processamento no Norte do Estado é antiga. O centro de processamento terá uma usina de beneficiamento de algodão, uma fábrica de óleo e uma usina de deslintamento de sementes para o cultivo do algodão. “Hoje os produtores da região utilizam uma microusina para processar o algodão, mas já está ultrapassada e não tem mais condições de uso. A Amipa, com o apoio da Seapa, fez diversas parcerias para viabilizar o projeto. Entre elas está a parceria com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), que financia parte do projeto”. Transferência de tecnologia - Através da Agência Brasileira de Cooperação (ABC), departamento do Ministério das Relações Exteriores, foi feito um acordo no qual a Amipa transfere tecnologia para países africanos, com recursos do Pnud, e, em contrapartida, o programa financia a construção do centro de processamento. Os trabalhos da Amipa estão em andamento em Mali, Senegal, Benin e Etiópia. Os produtores e técnicos africanos virão ao País e irão visitar a unidade para conhecer a produção da região, o manejo, a organização dos produtores em forma de cooperativa e também o processo industrial e levar a experiência para lá. “Os recursos do Pnud já ultrapassaram R$ 1,8 milhão. O valor foi aplicado na parte de construção civil, que será entregue em abril. Ao todo, os aportes deverão ultrapassar R$ 3 milhões. A ideia é que a usina de beneficiamento do algodão esteja pronta para a próxima safra, 2020/21. Depois, em etapas, pretendemos inaugurar a fábrica de óleo e, na sequência, a usina de deslintamento”, disse Pena. O espaço também contará com um anfiteatro, que será utilizado para a capacitação de pessoas. O investimento é considerado fundamental para a região Norte do Estado, que já foi uma importante produtora do grão. “Além da geração de emprego e renda, é de suma importância para a valorização da agricultura familiar no semiárido”. O algodão beneficiado na usina será comercializado com as indústrias têxteis e também poderá ser exportado. Com o processo, haverá o subproduto que é a torta gorda do algodão, que pode ser utilizado na alimentação do gado das famílias e para a venda do excedente. Na parte de sementes, os produtores poderão prestar serviços para os produtores empresariais de Minas Gerais, como o deslintamento. “Os produtores mineiros que queiram deslintar as sementes e salvar, desde que pague os royalties, vai ser atendido por esses produtores. Essa será a única usina do Estado em funcionamento a fazer o deslintamento. É mais uma forma de gerar renda”, afirmou. Futuro - Ainda conforme Pena, as expectativas são positivas e a tendência é de que a produção de algodão no Norte de Minas Gerais cresça nos próximos anos. A produção da região ainda é pequena, girando em torno de 900 toneladas de algodão em pluma por safra, de um total de 74 mil toneladas de pluma produzidas no Estado. Nos últimos anos, houve grande avanço na produtividade das lavouras. Foram adotadas tecnologias para a convivência com a seca, como a irrigação por salvamento, que consiste na captação de água da chuva, e irrigação por gotejo na planta, quando ocorre um veranico. “Esse tipo de tecnologia tem feito com que a produtividade aumente bastante. A média geral do algodão de sequeiro ficava em 40 arrobas de algodão em caroço por hectare. Com a metodologia, a produtividade subiu para 200 arrobas por hectare”, explicou - Crédito: Divulgação

Com investimentos superiores a R$ 3 milhões, o Norte de Minas Gerais ganhará um centro de processamento de algodão. Localizado em Catuti, o projeto, que é desenvolvido pela Associação Mineira dos Produtores de Algodão (Amipa) e diversos parceiros, tem o objetivo de estimular a cotonicultura na região. A expectativa é de que, nos próximos anos, com o início das operações, a produção cresça.

A unidade de processamento é considerada importante para a região, uma vez que a produção do algodão no Norte do Estado está concentrada na agricultura familiar e o processamento será uma forma de gerar empregos e agregar valor ao produto.

De acordo com o diretor-executivo da Amipa, Lício Pena, a primeira etapa do projeto de construção do centro de processamento de algodão será inaugurada em abril, quando serão entregues as obras físicas da unidade. Logo após, será feita a instalação das máquinas e capacitação dos produtores. A estimativa é de que o centro entre em operação na safra 2020/21.

O projeto vai demandar investimentos superiores a R$ 3 milhões e está sendo desenvolvido através de parcerias. Segundo Pena, a demanda pela instalação de uma unidade de processamento no Norte do Estado é antiga. O centro de processamento terá uma usina de beneficiamento de algodão, uma fábrica de óleo e uma usina de deslintamento de sementes para o cultivo do algodão.

“Hoje os produtores da região utilizam uma microusina para processar o algodão, mas já está ultrapassada e não tem mais condições de uso. A Amipa, com o apoio da Seapa, fez diversas parcerias para viabilizar o projeto. Entre elas está a parceria com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), que financia parte do projeto”.

Transferência de tecnologia – Através da Agência Brasileira de Cooperação (ABC), departamento do Ministério das Relações Exteriores, foi feito um acordo no qual a Amipa transfere tecnologia para países africanos, com recursos do Pnud, e, em contrapartida, o programa financia a construção do centro de processamento.

Os trabalhos da Amipa estão em andamento em Mali, Senegal, Benin e Etiópia. Os produtores e técnicos africanos virão ao País e irão visitar a unidade para conhecer a produção da região, o manejo, a organização dos produtores em forma de cooperativa e também o processo industrial e levar a experiência para lá.

“Os recursos do Pnud já ultrapassaram R$ 1,8 milhão. O valor foi aplicado na parte de construção civil, que será entregue em abril. Ao todo, os aportes deverão ultrapassar R$ 3 milhões. A ideia é que a usina de beneficiamento do algodão esteja pronta para a próxima safra, 2020/21. Depois, em etapas, pretendemos inaugurar a fábrica de óleo e, na sequência, a usina de deslintamento”, disse Pena.

O espaço também contará com um anfiteatro, que será utilizado para a capacitação de pessoas. O investimento é considerado fundamental para a região Norte do Estado, que já foi uma importante produtora do grão.

“Além da geração de emprego e renda, é de suma importância para a valorização da agricultura familiar no semiárido”.

O algodão beneficiado na usina será comercializado com as indústrias têxteis e também poderá ser exportado. Com o processo, haverá o subproduto que é a torta gorda do algodão, que pode ser utilizado na alimentação do gado das famílias e para a venda do excedente.

Na parte de sementes, os produtores poderão prestar serviços para os produtores empresariais de Minas Gerais, como o deslintamento. “Os produtores mineiros que queiram deslintar as sementes e salvar, desde que pague os royalties, vai ser atendido por esses produtores. Essa será a única usina do Estado em funcionamento a fazer o deslintamento. É mais uma forma de gerar renda”, afirmou.

Futuro – Ainda conforme Pena, as expectativas são positivas e a tendência é de que a produção de algodão no Norte de Minas Gerais cresça nos próximos anos. A produção da região ainda é pequena, girando em torno de 900 toneladas de algodão em pluma por safra, de um total de 74 mil toneladas de pluma produzidas no Estado.

Nos últimos anos, houve grande avanço na produtividade das lavouras.  Foram adotadas tecnologias para a convivência com a seca, como a irrigação por salvamento, que consiste na captação de água da chuva, e irrigação por gotejo na planta, quando ocorre um veranico.

“Esse tipo de tecnologia tem feito com que a produtividade aumente bastante. A média geral do algodão de sequeiro ficava em 40 arrobas de algodão em caroço por hectare. Com a metodologia, a produtividade subiu para 200 arrobas por hectare”, explicou.