Com 276 milímetros, o volume de chuva em Belo Horizonte em fevereiro foi o maior para o mês desde 2004, de acordo com o Inmet - Crédito: Adão de Souza/PBH

As chuvas de fevereiro ocasionaram um prejuízo de R$ 34,2 milhões para o varejo em Minas Gerais. Em todo o Sudeste, foram R$ 203 milhões em perdas, lideradas por São Paulo (R$ 122,9 milhões) e Rio de Janeiro (R$ 46,4 milhões). Os dados compõem um estudo realizado e divulgado pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).

Conforme destaca o economista responsável pelo documento, Fabio Bentes, o prejuízo de R$ 203 milhões no Sudeste equivale a aproximadamente 0,5% do faturamento do setor no período. “Parece pouco, mas só para se ter uma ideia, 0,5% foi a taxa de crescimento médio mensal do setor nos últimos sete meses”, afirma.

O fator surpresa contribuiu e muito para que esse cenário ocorresse. O profissional ressalta que, somente em Belo Horizonte, o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) mediu 276 mm de chuva em 16 dias do segundo mês do ano, 52% acima da média para fevereiro. Trata-se, ainda, do maior volume de chuva para o mês desde o ano de 2004, quando foram registrados 363,9 mm. “Se a quantidade está próxima da média, isso não causa grandes transtornos, como se as cidades já estivessem preparadas para isso”, destaca ele.

Como não foi esse o caso, os prejuízos vieram, sobretudo, de dois lados, de acordo com Fabio Bentes. “Primeiramente, por causa dos alagamentos e das perdas de mercadorias. A maior parte das empresas do varejo é composta por micro e pequenos estabelecimentos, que não costumam ter um seguro, pois custa um valor com o qual, muitas vezes, não conseguem arcar mensalmente”, destaca.

Além disso, o economista acrescenta que um período muito chuvoso altera o fluxo de consumidores, principalmente nas regiões centrais e no comércio de rua. Por mais que posteriormente as pessoas tenham que fazer compras, existem alguns tipos de comercializações que são mesmo perdidas. “Há uma perda, sobretudo, das vendas casuais, relacionadas àquelas pessoas que comprariam algo por estar passando em frente a uma loja, por exemplo”, diz.

Custos – O que deve haver agora depois de todo esse prejuízo vivido pelo segmento, segundo Fabio Bentes, é o repasse, em partes, dos valores perdidos para os consumidores. “Não vai ser repassado integralmente, pois o nível de atividades no País está fraco”, afirma.

Por outro lado, não deverá haver no momento uma mudança no setor para evitar prejuízos como o que foi vivenciado neste mês de fevereiro, até porque, frisa o economista, nesses casos, não há muito como se preparar.

“É muito difícil se preparar para ocasiões como essas. Por mais que se tenha uma loja protegida, com seguro, essa é uma atividade que depende bastante da circulação de consumidores. Se o trânsito impede que as pessoas cheguem a um determinado local, por exemplo, haverá consequentemente quedas nas vendas. É pouco o que se pode fazer”, salienta ele. “Essas chuvas causaram um transtorno para o comércio justamente em um período em que o varejo tenta se recuperar para se afastar da crise e da recessão”, pondera.