Crédito: Rodolfo Buhrer / La Imagem / Renault

Amintas Vidal de Foz do Iguaçu (PR)*

O Renault Duster foi o segundo SUV compacto nacional. Lançado em 2011, quase nove anos após o pioneiro Ford Ecosport, eles dominaram o mercado até 2015. Naquele ano, Jeep Renegade e Honda HR-V chegaram para transformar a febre por utilitários esportivos em uma verdadeira epidemia.

De lá para cá, entre nacionais e importados, eles ganharam mais 10 concorrentes compactos, e dois médios, para repartirem o bolo. Um destes compactos foi o Renault Captur, modelo que usa a mesma plataforma, mecânica e muitas peças do Duster, mas tem um design mais crossover e menos “jeep”.

No fechamento de 2019, o Duster emplacou 26.090 unidades e, o Captur, 28.660. Os números são expressivos, mas eles figuram, apenas, nas 8ª e 9ª posições entre os 16 utilitários que estão na lista dos 50 automóveis mais emplacados no ano passado, segundo dados fornecidos pela Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave).

Para ampliar participação neste importante mercado, a Renault está lançando a segunda geração do Duster. No Brasil, 376 engenheiros somaram 680 mil horas de trabalho para o desenvolvimento do produto durante 36 meses. Nos testes de rodagem, foram mais de 1,75 milhão de quilômetros percorridos por todas as unidades envolvidas neste projeto, de acordo com a Renault.

Baseado sobre a mesma plataforma, o Duster evoluiu externa e internamente. O design da carroceria ganhou em robustez e dinâmica, mas preservou a sua identidade, deixando-o reconhecível.

Ao contrário, linhas horizontais e formas retangulares abundantes na cabine em nada lembram o interior da geração antiga do SUV. A montadora melhorou o que era bom e mudou por completo o que já estava datado.

Capô, para-lamas, para-choques e tampa traseira tiveram os seus volumes realçados. Os vincos destas partes foram mais bem definidos e as suas linhas estão mais horizontais, conferindo força aos traços do modelo.

A silhueta formada entre os dois volumes está mais dinâmica, com menor angulação no encontro do capô com o para-brisa. Nas laterais, as janelas estão mais estreitas, os vidros do porta-malas mais longos e as portas perderam os vincos em arco que jogavam o peso do carro para baixo. Essas mudanças contribuíram para elevar a linha de cintura e conferir movimento ao design do carro.

A bola fora da Renault ocorreu na traseira. Se os faróis alongados, integrados à grade frontal, e com a atual assinatura luminosa em forma de “C”, casaram perfeitamente com a nova carroceria, as lanternas, claramente inspiradas nas do Jeep Renegade, não foram a melhor escolha.

Um desenho retangular, horizontal e invadindo a tampa do porta-malas conversaria melhor com os faróis e daria mais personalidade e harmonia ao conjunto. Por sinal, essa é a atual identidade das lanternas da marca na Europa e já foi adotada no hatch Sandero em sua última reestilização.

Interior – As mudanças internas foram mais radicais. Na primeira geração, o console central seccionava o painel principal, dividia e marcava verticalmente o interior em duas partes. Todas as linhas internas eram arqueadas e, em conjunto as saídas de ar circulares e a central multimídia, formavam um desenho que fazia lembrar um personagem com olhos, boca e braços, algo comum em modelos mais antigos, mas muito ultrapassado atualmente.

O novo interior aboliu todos estes elementos. A predominância horizontal orientou a transformação. Painéis, saídas de ar, multimídia e diversas outras partes são retangulares e apresentam linhas mais paralelas e quinas mais vivas possíveis. Este design se impõe por sua limpeza de elementos, horizontalidade e solidez das formas, praticamente, o oposto à antiga cabine.

A construção das peças perdeu a simplicidade de outrora. Os novos botões em forma de teclado, os comandos do ar-condicionado mais robustos e as saídas de ar menos simplificadas elevaram a percepção de qualidade interna, pois apresentam um desenho mais elaborado e são produzidos com melhores materiais.

Os plásticos continuam rígidos e as partes macias ao toque escassas, porém, as peças estão bem injetadas, seus encaixes mais precisos e não há mais parafusos expostos. Detalhes imitando alumínio e cromado aumentam ainda mais o requinte nas versões mais caras.

Os bancos dianteiros ganharam novos desenhos com assentos mais longos e maior apoio lateral, tanto para as pernas quanto para as costas. O banco do motorista recebeu ajuste em altura.

Medidas – O volume dos porta-objetos foi ampliado em 1,5 litro, atingindo 20,3 litros no total. O porta-malas manteve os 475 litros de capacidade, assim como o tanque de combustível, com os mesmos 50 litros da geração anterior.

Todas as outras medidas externas e internas estão próximas, variando algumas para mais e outras para menos. São 4,38 metros de comprimento (mais 47 mm), 2,67 metros de entre-eixos (menos 1 mm), 1,69 metro de altura (mais 10 mm, com as barras de teto) e 1,83 metro de largura (mais 10 mm, sem considerar os retrovisores).

O vão livre foi ampliado para 237 mm (mais 27 mm) e seus ângulos são: 30° de entrada, 34°, 5’ de saída e 13° de transposição. A estrutura está 12,5% mais rígida nessa geração, segundo a montadora.

Utilitário passa a contar com diversas tecnologias

Alguns novos equipamentos do Duster foram destacados pela Renault. A central multimídia cresceu para 8 polegadas, manteve o espelhamento de celulares e passou a ser configurável com até cinco perfis individuais e independentes.

Essa função permite escolher lay-out da tela, definir preferências de áudio e acesso ao veículo, entre outros recursos. O bluetooth passou a parear até seis aparelhos e permitir duas conexões simultâneas. Agora, o som é distribuído por seis alto-falantes.

Um sistema com quatro câmeras possibilita visualizar imagens ao redor do carro na tela do multimídia. Ele é útil em situações de deslocamento em trilhas e, também, trabalha em conjunto com os sensores de aproximação para auxiliarem em manobras de estacionamento.

Chave presencial para abertura das portas por aproximação, fechamento por afastamento e partida por botão, sensor crepuscular para acendimento automático dos faróis e alerta luminoso de ponto cego nos retrovisores externos são outras tecnologias estreantes para o modelo e estão disponíveis nas versões mais completas.

Outras novas tecnologias estão presentes em todas as versões desta nova geração do Duster. A direção elétrica, que substituiu a antiga eletro-hidráulica; controle eletrônico de estabilidade e tração; assistente de partida em rampas; cinto traseiro central de três pontos e cintos dianteiros com pré-tensionadores; alerta visual e sonoro dos cintos desafivelados para os assentos dianteiros e dois pontos Isofix nos bancos traseiros para a fixação de cadeirinhas infantis.

Motor e câmbio – Neste primeiro momento, o Duster 2021 será vendido apenas com o motor 1.6 SCe acoplado ao câmbio manual de cinco marchas ou ao CVT X-Tronic com seis marchas pré-definidas.

A Renault não confirmou, mas, futuramente, deverão ser oferecidas versões com o motor 1.3 turbo em substituição às com motor 2.0 e a variante 4×4 do modelo.

Este motor 1.6 passa a contar com sistema Stop & Start em todas as versões. Ele é flex, tem duplo comando de válvulas com abertura variável na admissão, injeção indireta multiponto, atinge potência máxima de 120 cv e torque de 16,2 kgfm com etanol.

O câmbio CVT oferece a possibilidade de troca manual na alavanca e conta com o sistema Lock-up com Active Slip Control. Nele, a polia é liberada de forma gradual para que o torque seja transmitido de forma rápida, linear e sem trancos.

O novo Duster 2021 chega ao mercado em quatro versões, todas disponíveis em oito opções de cores: branco, prata, bege, marrom, vermelho, cinza, azul e preto.

Zen (manual) – Barras de teto na cor preta, direção elétrica, ar-condicionado manual, faróis com assinatura em LED, airbags dianteiros, ABS com AFU, ESP, HSA, cinto de segurança de três pontos em todas as posições, dois Isofix no banco traseiro, vidro elétrico nas quatro portas, Stop & Start, trava elétrica com fechamento automático, banco do motorista com regulagem de altura, luz de cortesia traseira, banco traseiro rebatível bipartido, alarme perimétrico, tomada 12V traseira, rodas de aço de 16 polegadas, rádio 2DIN, quatro alto-falantes e chave canivete. Preço: R$ 71,79 mil. Opcionais: Multimídia EasyLink, faróis de neblina e rodas de liga leve de 16 polegadas (R$ 3 mil).

Zen (CVT) – Todos os itens da versão Zen acrescidos do câmbio CVT X-Tronic e da ponteira do escapamento cromada. Preço: R$ 77,79 mil. Opcionais: Multimídia EasyLink, faróis de neblina, rodas de liga-leve de 16 polegadas (R$ 3 mil).

Intense (CVT) – Todos os itens da versão Zen CVT acrescidos de grade dianteira cromada, maçanetas na cor da carroceria, barras de teto cromadas, aplique prateado nos para-choques, faróis de neblina, retrovisor externo elétrico cromado, rodas de liga leve de 16 polegadas, vidros elétricos com função um toque, indicador de temperatura externa, luz de cortesia no porta-luvas e porta-malas, espelhos nos dois para-sóis, volante revestido em material sintético que imita o couro, sistema multimídia EasyLink, sensor de estacionamento traseiro com câmera, ar-condicionado automático e controlador e limitador de velocidade. Preço: R$ 83,49 mil. Opcional: banco em material sintético que imita o couro (R$ 1,70 mil).

Iconic (CVT) – Todos os itens da versão Intense acrescidos de sistema Multiview com quatro câmeras, alerta de ponto cego, sensor crepuscular, chave cartão hands free, rodas em liga leve de 17 polegadas diamantadas, apoio de braço dianteiro. Preço: R$ 87,49 mil. Opcional: banco em material sintético que imita o couro (R$ 1,70 mil).

Pacote Outsider (para todas as versões) – Proteção frontal, farol de longo alcance, alargador de para-lama, friso robusto para porta, barra de teto na cor preta e retrovisor externo preto. Preço: R$ 2,3 mil.

*O colaborador viajou a convite da Renault