Buscando minimizar os prejuízos, empresários de Belo Horizonte têm tentado, entre outros, renegociar contratos de aluguéis | Crédito: Ana Carolina Dias

Há 20 dias com grande parte dos estabelecimentos fechados e prejuízos estimados na casa dos bilhões de reais, o comércio de Belo Horizonte já projeta demissões de milhares de pessoas nas próximas semanas e dificuldades na retomada da economia após o controle do novo coronavírus (Covid-19) na cidade. Apesar do cenário adverso, o setor defende a retomada das atividades brevemente, de maneira gradual e unificada.

É o que afirma o presidente do Sindicato de Lojistas de Belo Horizonte (Sindilojas-BH), Nadim Donato. Segundo o dirigente, o comércio precisa ser retomado o quanto antes, como forma de manter o nível de empresas e empregos na Capital. No entanto, ele admitiu que a reabertura não poderá ocorrer nos próximos dias.

“A retomada precisa ocorrer, mas entendemos que não esta semana. Defendemos que ela ocorra com calma e união, incluindo os lojistas, a prefeitura, o governo e a mídia”, argumentou em alusão ao Decreto nº 17.304, de 18 de março de 2020, da Prefeitura de Belo Horizonte (PBH), que determinou o fechamento do comércio da cidade com o objetivo de evitar aglomerações e a disseminação da doença na capital mineira.

Enquanto a retomada não ocorre, porém, Donato disse que as empresas estão tentando renegociar contratos de aluguéis e com fornecedores. Mas que as demissões serão inevitáveis, uma vez que o pagamento dos salários tem sido a principal dificuldade dos lojistas da cidade.

“Hoje são cerca de 210 mil pessoas empregadas no comércio da Capital. E, embora o governo federal já tenha anunciado a medida para auxiliar no cumprimento da folha de pagamentos, o dinheiro ainda não saiu e as empresas não possuem outra opção diante da redução do caixa”, argumentou.

Sobre os aluguéis, o presidente do Sindilojas-BH afirmou que diversos lojistas de rua estão conseguindo descontos de 50% a 70% relativos a março e isenção nos vencimentos dos próximos meses. No caso dos shoppings, as negociações estão ocorrendo de estabelecimento para estabelecimento junto às administradoras. Já em relação aos fornecedores, ele disse que os prazos de pagamento estão sendo estendidos em até 90 dias.

Capital de giro – No que diz respeito às medidas anunciadas pelos governos federal e estadual nas áreas trabalhista e tributária, o dirigente avaliou como satisfatórias – mesmo que apenas temporariamente. Mas completou que ainda há o que ser feito.

“Faltam medidas de apoio ao capital de giro. Precisamos de linhas de crédito para recomposição dos caixas das empresas. Há um grande número de reclamações quanto ao BDMG (Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais), por exemplo, que ainda não fez nada para ajudar as empresas mineiras”, reclamou.

Por fim, o presidente do Sindilojas-BH disse que os empresários estão adotando medidas e estratégias como forma de aliviar as consequências da proibição de funcionamento, mas que nem todas têm surtido efeito.

“No caso do e-commerce, foram poucas as empresas que realmente conseguiram implementar. Ainda assim, o faturamento não é expressivo, já que os custos são maiores e a maior parte das vendas digitais continua com as grandes redes”, finalizou.

BDMG – Procurado, o BDMG declarou, por meio de nota, que está em fase final de estruturação de medidas para facilitar o crédito às empresas mineiras, em especial às micro e pequenas. Conforme a instituição financeira, o banco também pretende abrir a oportunidade para clientes adimplentes renegociarem dívidas.

“Em caráter emergencial, o BDMG já disponibilizou taxas e prazos especiais para empresas de todos os portes pertencentes ao setor de saúde e também para as micro e pequenas empresas do abrangente setor do turismo, que reúne bares, restaurantes, hospedagens e outras 85 atividades”, consta no documento.