Atraso em agenda de reformas governamentais devido à doença também contribuiu para reduzir otimismo na indústria | Crédito: Alisson J. Silva/Arquivo DC

A propagação do novo coronavírus no mundo e as incertezas em relação aos seus efeitos na economia já impactaram de forma negativa no Índice de Confiança do Empresário Industrial (Icei) de Minas Gerais.

Em março, frente a fevereiro, o índice registrou forte queda de 3,7 pontos, fazendo com que o Icei recuasse de 63,9 pontos em fevereiro para 60,2 pontos em março. A redução da confiança aconteceu nos dois componentes do índice, o de expectativas e o de condições atuais. Os dados são da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg).

O Icei nacional também caiu entre fevereiro (64,7 pontos) e março (60,3 pontos), em 4,4 pontos, mas continuou mostrando confiança dos empresários. O Icei resulta da ponderação dos índices de condições atuais e de expectativas, que variam de 0 a 100 pontos. Valores acima de 50 pontos indicam percepção de situação atual melhor e expectativa positiva para os próximos seis meses, respectivamente.

Segundo a analista de Estudos Econômicos da Fiemg, Daniela Muniz, a desaceleração da confiança do empresário industrial de Minas Gerais ocorreu pelo segundo mês consecutivo, mas o índice ainda se encontra acima de 50 pontos pelo vigésimo mês seguido e acima da média histórica para o período, que era de 52 pontos, o que ainda é positivo.

“É um recuo forte. Já tínhamos uma situação de baixa atividade econômica no início do ano e, agora, entrou a questão da incerteza no mercado provocada pela disseminação do coronavírus. Os empresários começaram a perceber que terão perdas reais com a disseminação do vírus”, analisou.

Reformas – Ainda segundo Daniela, outro fator que impactou e contribuiu para a redução da confiança dos empresários da indústria é o atraso que irá ocorrer na agenda das reformas governamentais, como a tributária e a administrativa.

“Enquanto estivermos no auge da pandemia, essa agenda ficará em segundo plano. As prioridades dos governos e do Congresso serão em medidas para o combate às turbulências econômicas e sanitárias provocadas pela pandemia do coronavírus. Temos uma elevada incerteza provocada pela Covid-19, um período de rápida propagação, de contração intensa da economia e não se sabe a duração dessa disseminação. O cenário econômico vai depender do grau de estímulo fiscal e monetário a ser adotado pelo governo, então isso será importante para determinar a extensão dessa pandemia”, explicou Daniela.

De acordo com os dados da Fiemg, em março, frente a fevereiro, o componente de condições atuais retraiu 1,9 ponto, caindo de 56,8 pontos para 54,9 pontos, e mostrou empresários menos satisfeitos, especialmente, com a situação atual das economias brasileira e mineira. Embora tenha registrado a terceira desaceleração seguida, o indicador continua superior aos 50 pontos há oito meses, além de ser o mais alto para março em dez anos.

O componente de expectativas caiu pela segunda vez consecutiva. O indicador recuou 4,7 pontos frente a fevereiro (67,5 pontos) e registrou 62,8 pontos em março, sinalizando empresários menos otimistas com as economias do País e do Estado e com as próprias empresas nos próximos seis meses. O índice ficou 3,1 pontos menor frente ao apurado em março de 2019 (65,9 pontos), quando as expectativas estavam em patamar elevado influenciadas pela eleição do novo governo.