Coronavírus afeta a cotação internacional do minério
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As incertezas em relação ao controle do surto de coronavírus e os impactos negativos causados na economia chinesa e mundial estão provocando uma forte queda na cotação do minério de ferro. Após registrar um pico na cotação em meados de janeiro, quando a tonelada foi negociada em torno de US$ 95, os preços recuaram e estão próximos a US$ 82 por tonelada, uma perda acumulada de 13,6% em 2020.

A analista da Terra Investimentos, Sandra Peres, explica que o impacto negativo na cotação do minério de ferro se deve à incerteza de quanto tempo levará para que ocorra o controle da enfermidade na China. Com o surto, várias fábricas estão fechadas, o que reduziu a demanda e os preços do insumo.

“A expectativa inicial era de que o governo chinês conseguisse controlar o surto ao longo do primeiro trimestre, porém, a contaminação das pessoas pelo coronavírus continua aumentando e agora, talvez, o controle seja mais prolongado. Esperava-se resolver no primeiro trimestre, mas pelo que parece, o mercado está colocando na conta se realmente vai demandar mais tempo. Caso o surto demore a ser controlado, o problema se estende e aumenta”.

Ainda segundo Sandra, a estimativa era que grande parte das fábricas paradas em função do surto voltasse à atividade na última segunda, porém, a maioria não retornou. Com as indústrias paradas, a projeção de queda do crescimento da economia do país asiático, que era de 1% a 2%, pode vir a cair ainda mais.

“Se as indústrias não voltarem às atividades no curto prazo ou se o problema com o coronavírus se prolongar, haverá um menor consumo de aço e, isso, acaba afetando de forma negativa o preço. Vale ressaltar, que grande parte do minério exportado pelo Brasil tem como destino a China”.

A China é o principal comprador de minério de ferro de Minas Gerais. De acordo com os dados do Ministério da Economia, em janeiro deste ano, foram embarcados 8,75 milhões de toneladas de minério a partir do Estado. Em janeiro de 2019, o volume era de 13,312 milhões de toneladas, significando baixa de 34,2% de um ano para outro. Somente para a China, foram embarcados, em janeiro deste ano, 5.48 milhões de toneladas do insumo siderúrgico, volume que equivale a 62,62% do total exportado pelo Estado. Os embarques de minério no primeiro mês do ano movimentaram US$ 357,5 milhões.

Ainda segundo a analista da Terra Investimentos, em relação ao mercado, é preciso ficar atento aos fatores. Entre eles, está a redução da oferta do minério de ferro, uma vez que algumas mineradoras da China estão paradas. Caso for notada uma melhora na questão do controle do coronavírus e as mineradoras chinesas tenham uma oferta reduzida do insumo devido à extração parada, o Brasil pode ser beneficiado.

“Se houver a cura ou o controle, o que parece não ser o caso, haverá a retomada chinesa, ampliando o consumo de minério. A oferta menor que a demanda, pode elevar os preços. Porém, o cenário hoje não seria esse e, sim, o de preços menores por demanda menor pelo produto. Por isso, a queda dos preços é bem expressiva”.

Rompimento – Em relação à cotação do minério de ferro, em meados de janeiro, a tonelada chegou a ser negociada em torno de US$ 95 e agora é negociada por volta de US$ 82, desvalorização de 13,6%. Em meados do ano passado, a tonelada do produto chegou a ser vendido a US$ 120, valor que foi alcançado em função do rompimento da barragem em Brumadinho.

“O rompimento da barragem em Brumadinho reduziu a oferta de minério de ferro e fez com que os preços subissem. O cenário era outro, de crescimento chinês e mundial. Todo o cenário antes do coronavírus era bem mais favorável, por isso, os preços eram melhores. Não temos como precisar se os preços vão cair mais ou não. Porque se a China conseguir evitar o aumento do contágio, isso pode agradar o mercado, mas ainda não estamos vendo isso”, explicou Sandra.

Para o economista-chefe da Necton, André Perfeito, a tendência é que o coronavírus reduza o Produto Interno Bruto (PIB) chinês, o que deve manter o preço do minério de ferro em retração.

“Temos perspectiva ainda bastante forte de que a existência do coronavírus vai diminuir de maneira relevante o PIB chinês. Isso, porque os chineses tomaram medidas muito fortes no sentido de conter o surto, fechando inclusive, uma cidade do tamanho de São Paulo, o que é inacreditável”.

Ainda segundo André Perfeito, no momento, não há nada no mercado que aponte para a retomada dos preços da commodity.

“A tendência é que os preços continuem baixos, mas, isso tem um limite. Há um movimento para segurar a cotação. Mas, a retomada dos valores depende do controle do coronavírus, da retomada da produção e do consumo”.