Crédito: José Paulo Lacerda/CNI

O avanço do coronavírus no mundo pode impactar de forma negativa o desempenho do setor metalmecânico do Vale do Aço, em Minas Gerais. As indústrias do setor, principalmente, de siderurgia e mineração, que começaram o ano com expectativa positiva em relação ao mercado, estão cautelosas no que se refere aos impactos provocados pelo avanço da doença.

Os países mais afetados, China, Alemanha e Itália, são compradores das indústrias instaladas na região, por isso, a suspensão das atividades de indústrias, principalmente, na China, podem prejudicar os planos de investimentos e de contratações do setor.

De acordo com o presidente do Sindicato Intermunicipal das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico do Vale do Aço (Sindimiva), Carlos Afonso de Carvalho, o setor iniciou o ano com uma expectativa de crescer pelo menos 3%, índice que ainda é mantido, mas, conforme o avanço do coronavírus e dos impactos na economia, podem ser revisados para baixo.

“O cenário ainda é preocupante. Nosso mercado é muito voltado para a siderurgia e a mineração e nós estamos trabalhando com cerca de 70% a 80% da nossa capacidade produtiva, ou seja, as indústrias ainda operam com ociosidade. As expectativas estavam muito boas no início do ano, com expectativas melhores, mas com o avanço do coronavírus espalhando pelo mundo, temos receio de que haja reflexo negativo no nosso setor”.
Ainda segundo Carvalho, a China é o principal mercado atendido e com os milhares de casos já registrados, várias fabricas estão fechadas, o que reduz o consumo de minério de ferro e pode impactar de forma negativa na demanda.

As empresas também atendem os mercados da Itália e Alemanha, países que também estão sendo afetados pelo coronavírus. Diante do cenário de incertezas, as indústrias do Vale do Aço mineiro estão repensando os planos de investimentos e suspendendo novas contratações.

“As decisões estão sendo reavaliadas. Aqueles investimentos que algumas empresas estavam pensando em fazer, preocupadas com o aumento da demanda do mercado, hoje, estão todos apreensivos e, enquanto não houver um desfecho favorável dessa pandemia, as empresas ficam com receio em fazer investimentos e, até mesmo, novas contratações”.
Ainda conforme Carvalho, a estimativa inicial de crescimento do setor pode ser revisada caso o controle da enfermidade seja prolongado.

“Não fizemos o levantamento para saber qual o real impacto no setor, por estar no ápice ou ainda poder crescer o número de infectados pela doença. Estamos aguardando para ver como será. Caso a doença seja controlada no primeiro trimestre, há chances de recuperação do setor”.

Reformas – Em relação à economia nacional, as expectativas são positivas e o cenário pode ser tornar mais favorável com as decisões do governo federal, com a continuidade da aprovação das reformas, administrativa e tributária.

A aprovação da Medida Provisória 905 (MP 905), que contempla ações de simplificação e desoneração das relações trabalhistas com a criação da Carteira de Verde e Amarela, também é vista como um avanço importante e que pode contribuir para a geração de novos postos de trabalho e retomada da economia
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“Se as reformas em discussão no Congresso (administrativa e tributária) forem aprovadas acreditamos que o País possa alavancar. Há também a MP que estimula o emprego entre os jovens. A gente acredita muito que isso pode ser um alavancador de empregos para o País. As reformas são muito necessárias para o País e vão trazer um impacto positivo na economia”, explicou Carvalho.

Construção – Para o economista da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Marcos Massal, no Estado, existe um receio em relação ao desempenho do setor metalúrgico em função do coronavírus, mas a expectativa é que a demanda da construção civil, que já apresentou melhores resultados em 2019, favoreça a demanda pelos produtos.

“É esperado que a retomada da construção civil puxe o desempenho da metalurgia, sobretudo da siderurgia. A construção deve puxar o segmento, mas um ponto de atenção é referente às incertezas que o coronavírus traz para a economia. As exportações podem ser prejudicadas, mas ainda não temos como mensurar o impacto já que o avanço da doença aconteceu em fevereiro”, disse Massal.

Ainda segundo Massal, o receio também se deve ao avanço da doença pelo mundo, o que pode impactar a economia de outros países além da China.

No mercado interno, a expectativa é que a redução das taxas de juros ajude a estimular os segmentos compradores da metalurgia, como veículos e construção civil. “O ano passado, o segmento da construção já foi importante para o quadro da siderurgia, que é o que mais fornece para o setor. Esperamos que contribua de forma positiva também em 2020”.