Estados Unidos e Canadá estão entre os destinos mais procurados pelos intercambistas brasileiros no exercício passado - Crédito: PIXABAY

Ter uma experiência no exterior e aprender um novo idioma enriquece não só o currículo de alguém, mas abre novas perspectivas de vida, ampliando a compreensão de mundo. Os intercâmbios, que até nos anos de 1990 eram um sonho distante para a maioria da população, se tornaram mais populares e ganharam novos destinos e categorias ao longo do tempo.

A desvalorização do real, porém – que tem mantido a cotação em torno de R$ 4 nos últimos meses -, anda assustando turistas de todas as categorias. Ainda que não deixem de viajar, eles estão pesquisando mais. Mesmo assim o cenário é positivo e a expectativa é que a categoria continue crescendo em 2020.

Dados preliminares da Associação das Agências de Intercâmbio (Belta) mostram que o aumento no faturamento em 2019, em relação ao ano anterior, foi de 12%. No ano de 2018 foi movimentado US$ 1,2 bilhão. Naquele ano, 365 mil estudantes embarcaram para fazer curso de idiomas, cursos de idiomas combinado com trabalho, graduações, entre outras modalidades de intercâmbio. A projeção no aumento da procura é de 27%, podendo a chegar a 460 mil intercambistas em 2019. Os números finais serão divulgados em abril.

Canadá e Estados Unidos continuam liderando como destinos mais procurados, com 32% e 18% do total de intercambistas, respectivamente. Países como Austrália, Nova Zelândia, Irlanda e Malta atraem fatia pequena entre os interessados em aprender inglês. Fora o idioma de sir Willian Shakespeare, francês, alemão e espanhol também aparecem na lista. A novidade é o interesse pela Coreia do Sul, bastante influenciado pelo desenvolvimento tecnológico do país asiático e pela cultura pop, especialmente os grupos de K-pop, que fascina muitos adolescentes brasileiros.

De acordo com o representante da Belta, Fernando Passos, entre a decisão de fazer um intercâmbio e o embarque costumam se passar, em média, seis meses. Em janeiro a maioria das pessoas está fazendo a programação para o segundo semestre.

“Existem os chamados produtos de intercâmbio de férias, especialmente para adolescentes, entre 13 e 17 anos, que vão aprender outro idioma durante esse período. Isso funciona nas férias de janeiro e principalmente em julho, que é o verão no hemisfério Norte, quando existem mais opções de programas”, explica Passos.

Custo menor – Para os adultos as opções são mais diversificadas e a dica é viajar fora da alta temporada para garantir mais conforto e preços mais baixos. Um público que descobriu o intercâmbio nos últimos anos e tem apresentado um crescimento constante é o chamado “maduro”, ou seja, as pessoas com mais de 50 anos.

Como as remessas ao exterior destinadas para fins educativos, como o intercâmbio, estão isentas da cobrança da alíquota de 25% de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) sobre remessas de valores ao exterior para o pagamento de serviços turísticos, esse tipo de viagem sai cerca de 6% mais barata que o turismo convencional.

“As pessoas estão descobrindo, de certa forma, que o intercâmbio é uma forma mais barata de viajar. Além da questão do imposto, o intercâmbio oferece uma modalidade de hospedagem que sai muito mais em conta, que é a ‘casa de família’. Além disso, esse é um turismo não tão comercial, em que mais do que visitar os pontos turísticos a pessoa vai passar por uma imersão na cultura local. Isso tem atraído de modo especial as pessoas mais velhas”, destaca o representante da Belta.

Dólar em alta leva clientes a pesquisar mais

Para o diretor da World Study BH, Paulo Silva, o dólar caro faz com que as pessoas pesquisem mais, mas o maior susto foi no primeiro semestre do ano passado. Como essa é uma compra que não se faz no impulso, muita gente conseguiu se reprogramar e manter o plano de viajar.

“O início de 2019 foi muito bom, mas quando o dólar começou a aumentar no segundo trimestre as pessoas se assustaram. Naquela época tivemos, mesmo, uma queda na procura. Já no final do semestre as pessoas perceberam que se elas queriam fazer o intercâmbio, seria naquele cenário. O que mudou foi o financiamento, o número de parcelas aumentou”, relembra Silva.

Para ele, aliar estudo e trabalho é uma grande vantagem para o intercambista que consegue diminuir os custos da viagem e fazer uma verdadeira imersão no modo de vida local. O Higher Education e o Work and Travel são algumas das categorias em destaque nesse caso. Na primeira modalidade para cursar a faculdade no exterior, o aluno tem acesso às aulas, acomodação no campus universitário e todos os benefícios que a instituição de ensino oferece, além de poder trabalhar 20 horas semanais.

No caso do programa Work and Travel (True USA), o intercambista tem a oportunidade de trabalhar e ainda colocar em prática o idioma no dia a dia nas férias universitárias do Brasil.

“Outros países também oferecem possibilidade de trabalho para pessoas que fazem programas com duração superior a seis meses ou até tempos menores, dependendo do caso. Uma novidade são cidades do interior do Canadá que estão fazendo recrutamento de pessoas com conhecimentos específicos. As prefeituras vão indicar os candidatos selecionados para o processo de migração junto ao governo federal daquele país. Estamos formatando um produto para atender essa demanda”, pontua o diretor da World Study BH.

Destinos como África do Sul, Austrália e Nova Zelândia são bastante procurados pelos jovens adultos. Já os pais dos adolescentes costumam temer mandar os jovens para lugares do outro lado do mundo e preferem a América do Norte.

Na Ásia, além do fenômeno Coreia do Sul, a demanda cresce pelo Japão. No Oriente Médio começa a despontar Dubai, com programas a partir de seis meses e onde é possível trabalhar já a partir de três meses de permanência. Apesar de o árabe ser o idioma oficial, o inglês é considerado a língua franca da cidade e o intercâmbio é realizado no idioma.

“Temos grupos saindo para Seul em janeiro e julho. Esse é um dos destinos que mais crescem, influenciado, especialmente, pelo sucesso do k-pop. Adolescentes de todo o mundo vão para lá e os brasileiros não ficam de fora. Na Ásia quem corre por fora é o Japão e praticamente não temos demanda para a China. Do outro lado, um destino muito interessante e ainda pouco procurado é Dubai. Lá, além do inglês, a pessoa pode estudar e trabalhar na área de hospitalidade. Dubai oferece uma das melhores formações do mundo nessa área”, completa o executivo.