Crédito: REUTERS/Bruno Domingos

José Eloy dos Santos Cardoso *

O professor e economista Paulo Haddad, em excelente artigo publicado recentemente, assinalou que a taxa ideal para a economia brasileira poderia e deveria ser até superior a 5% ao ano, como já ocorreu no passado. Simples idealismo não é porque o Brasil, depois da Segunda Guerra Mundial, já teve longos períodos de expansão econômica, nos chamados “anos JK” e nos anos lembrados como “milagre brasileiro” que, na realidade, nada teve de milagres que pertencem só a Deus.

O que o Brasil precisa é ajustar e criar o número de empregos nos próximos anos necessários para atingirmos uma taxa natural e tolerável de empregos que não deve ser só de aproveitamento da força de trabalho, mas do emprego de todos os fatores de produção, inclusive pelo uso real de máquinas e equipamentos já existentes, edifícios que abrigam esses fatores e até o uso intensivo de outros produtos intangíveis. Realmente seria um esforço gigantesco porque, nos últimos cinco anos, a taxa de crescimento ficou próxima de zero. Desde os anos 80 essa taxa foi perdendo aquilo que era positivo, que era a vontade real de criar produtos que gerariam mais renda e milhares de novos empregos.

O Brasil já dispõe de todas as condições socioeconômicas e socioambientais para crescer acima de 5% ao ano, como já aconteceu no passado. Pode acontecer uma coisa simples mas, na verdade, não é tão simples assim. Uma coisa é o Produto Potencial Interno, que é a capacidade total de se produzir o chamado PIB, outra é como fazer funcionar todo nosso potencial. Se a empresa simplesmente contratar mais trabalhadores, nas condições atuais, estaria só aumentando seus custos e não produzindo mais produtos.

Um dos problemas apontados pelo economista Paulo Haddad está na métrica das estimativas dos potenciais de crescimento do País, a qual “é determinada por uma expectativa de curto prazo da economia brasileira”. Seria a estimativa do PIB potencial, definido tecnicamente pelo nível máximo de produto que pode ser alcançado pela economia, sem gerar pressões inflacionárias. Entretanto, entre a teoria macroeconômica e a prática, hoje no Brasil existe um “vácuo” entre a teoria e a prática. Para começar, teríamos as pressões externas porque em nenhum país existe uma independência do que está acontecendo hoje no mundo inteiro.

No Brasil, um dos obstáculos ao crescimento é o próprio Banco Central, que, preocupado com razão com pressões inflacionarias, dita suas normas para o controle entre o PIB potencial e as possibilidades inflacionárias que sempre existirão. O que acontece é que o Banco Central, no seu trabalho de reduzir o chamado hiato de produto que, na prática, é o desemprego de fatores de produção, pode também reduzir as possibilidades de crescimento da economia. Aí fica o falado dito popular: “se ficar o bicho come e se correr o bicho pega”. Alguém tem no presente uma feliz solução? Pelo que a história nos revela, um dos maiores obstáculos ao crescimento da economia brasileira foi os governos passados terem dado excessiva importância e até desvios de recursos para países que, praticamente, nada contribuíam para o crescimento brasileiro através de financiamentos, via BNDES, para obras no exterior, que, ou nada existiram, ou foram feitas pelas metades. É bom aqui dizer que o BNDES é capitalizado com recursos brasileiros obtidos por impostos e taxas.

*Economista, professor titular de macroeconomia da PUC-Minas e jornalista