Crédito: Dnit/Divulgação

Talvez ofuscada pelos debates em torno do reajuste do funcionalismo estadual, que tomaram conta do noticiário e, consequentemente, das atenções, ganhou pouco destaque recente visita do governador Renato Casagrande, do Espírito Santo, a Belo Horizonte. Não foi uma visita protocolar, mas um encontro de trabalho, tendo como ponto de convergência a constatação de que as economias dos dois estados são interdependentes e complementares, sendo óbvia a necessidade de melhorar sua integração. A boa notícia é que já se trabalha nessa direção e, melhor, com participação direta das federações de indústrias dos dois estados, o que significa começar a integração justamente pela melhoria da sintonia entre setores público e privado.

O ponto de partida para que a ambicionada integração não seja apenas um conjunto de boas intenções, começa pela óbvia constatação de que é necessário melhorar as condições de transporte entre os dois estados. Vale dizer, fazer da conclusão da duplicação das BRs 381 e 262 prioridade absoluta, numa ação política conjunta que visa também facilitar e agilizar a implantação do sistema de concessão nas duas rodovias. De novo, nessa proposta, é a busca de investimentos privados, entendidos como única forma de escrever o último capítulo de uma novela que já dura mais que três décadas. Outra frente, e seguramente igualmente importante, é a renovação da concessão da Ferrovia Vitória a Minas e a implantação de ferrovia ligando o Espírito Santo ao Rio de Janeiro, o que incluiria este último Estado no processo de integração.

Vencidas, ou pelo menos bem encaminhadas, as questões de infraestrutura, as duas economias estariam mais bem preparadas para buscar investimentos externos, entendem os governadores. Para eles, integrados, os de Minas e Espírito Santo seriam mais atraentes na perspectiva do investidor, num mercado em que existe excesso de liquidez, em alguns casos até com juros negativos, e faltam projetos bem estruturados. Se as ideias agora apresentadas efetivamente prosperarem será também consolidado um novo modelo, menos dependente do governo central, mais ágil, desburocratizado e amigável com relação aos investidores.

Estamos falando do caminho natural e, nos termos propostos, da desobstrução dos gargalos que dificultam ou impedem ações nos moldes agora apresentados. Só cabe torcer para que dê certo, quem sabe para que mineiros e capixabas mostrem aos demais brasileiros que as possibilidades em nosso País continuam sendo muito maiores que as dificuldades.