A MRV Engenharia lidera uma força-tarefa para comprar equipamentos hospitalares | Crédito: Divulgação

Em meio ao cenário de incertezas e projeções negativas sob o ponto de vista econômico, a chegada do novo coronavírus (Covid-19) ao Brasil tem levado empresas mineiras ou com operações no Estado a se engajarem em ações para ajudar no controle da doença pelo País.

Entre as medidas, doação de recursos para compra de respiradores mecânicos, kits de testes rápidos e equipamentos de proteção individual (EPIs), apoio na construção de hospitais de campanha, antecipação de pagamentos a fornecedores e disponibilização de tecnologias, know-how e mão de obra para o que for necessário.

Na segunda-feira (30), o governador Romeu Zema (Novo) agradeceu as contribuições voluntárias de empresas e membros da sociedade civil. “Estamos recebendo muita solidariedade de empresas, entidades e pessoas que gostariam de fazer contribuições para combatermos a pandemia em Minas Gerais”, disse.

Entre as empresas e as organizações que procuraram o Governo de Minas para oferecer recursos financeiros e materiais estão: Ingleza; Sul Americana de Metais (SAM); Banco Mercantil do Brasil; Fiat, MRV, Cedro Cachoeira, grupo Sinalmig, Agropéu; Docol; Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), VLI Logística, Ambev e Conselho Regional de Nutricionistas da 9ª região.

Ainda na semana passada, as empresas MRV, Banco Inter e LOG CP, anunciaram a participação em ações em parceria com o governo mineiro e a Fiemg para minimizar as consequências do Covid-19. Assim, disponibilizou o valor de R$ 10 milhões para a compra de respiradores mecânicos para a rede hospitalar do Estado.

A construtora lidera ainda uma força tarefa para contribuir e arrecadar recursos para a compra de EPIs e itens hospitalares para as redes mineiras. Além disso, está junto com o Gerando Falcões fazendo uma campanha doação de cartões alimentação para população de favelas. Nesta ação, a MRV também doou R$ 500 mil dos R$ 8 milhões arrecadados.

A Vale também já anunciou uma série de ações, com destaque para a compra de 5 milhões de kits de testes rápidos para ajudar o governo brasileiro no combate ao coronavírus. A mineradora também se juntou ao Hospital Israelita Albert Einstein e Rede Mater Dei no lançamento de um edital para encontrar soluções que reduzam os impactos da pandemia na sociedade, mediante investimento de até US$ 1 milhão.

A empresa também criou um pacote de ajuda temporária para fornecedores, por meio da antecipação de pagamentos a pequenas e médias empresas, injetando cerca de R$ 160 milhões na economia. Informou ainda que, nos próximos 30 dias, reduzirá em até 85% o prazo de pagamento de serviços e materiais que ainda serão faturados junto a estas empresas.

A Valor da Logística Integrada (VLI), por sua vez, elaborou um pacote de ajuda humanitária da ordem de R$ 6 milhões para auxiliar os estados de Minas Gerais, Rio de Janeiro, Maranhão, Tocantins e Bahia. A Sul Americana de Metais (SAM) doou 70 mil máscaras às prefeituras de Montes Claros, Salinas, Grão Mogol, Padre Carvalho, Josenópolis e Fruta de Leite, no Norte de Minas.

Ações de prevenção – Já a Anglo American está participando de comitês de crise municipais, e disponibilizou R$ 5 milhões para ações de prevenção ao contágio e combate à pandemia.

A mineradora vai doar equipamentos respiradores para os sistemas de saúde dos municípios da área de influência dos projetos Minas-Rio (MG), níquel (GO) e Porto do Açu (RJ). Serão entregues, ainda, camas hospitalares, luvas para procedimentos, máscaras cirúrgicas, termômetros infravermelhos, óculos de segurança de ampla visão, capotes impermeáveis, entre outros.

FCA cederá estrutura e ajudará em hospital

A Fiat Chrysler Automóveis (FCA) anunciou uma série de medidas para fortalecer o combate à pandemia no País, como ajuda na instalação de hospitais de campanha em Betim, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), e Goiana (PE). Além disso, cederá o uso de seu parque industrial para confecção de materiais hospitalares, incluindo ventiladores mecânicos e a doação e empréstimo de veículos para facilitar a logística das equipes de saúde.

Em entrevista coletiva virtual, o presidente da FCA para a América Latina, Antonio Filosa, falou que o trabalho foi organizado em três pilares. “Ajudar na realização e preparação de áreas hospitalares para o combate da pandemia; utilizar nosso know-how e a expertise de nossos 1,5 mil engenheiros em Betim para produzir materiais necessários; e manter contato com fabricantes de ventiladores pulmonares para ajudá-los, através de logística e planejamento industrial, a aumentar a produção”, detalhou.

O executivo destacou ainda, os esforços da montadora, que está com as operações de suas unidades, bem como dos fornecedores, paralisadas até 21 de abril, na diminuição dos impactos econômicos ao País. O principal problema, no momento, conforme ele, diz respeito ao fluxo de caixa, uma vez que a companhia está deixando de fabricar cerca de 3 mil veículos por dia, dos quais 1,6 mil em Minas Gerais, em função das recomendações de distanciamento social por parte das autoridades de saúde brasileiras.

“Não estamos vendendo nada. Nos últimos 15 dias, as vendas no Brasil caíram 90%, enquanto nos demais países da América Latina, 100%. As concessionárias estão fechadas. Os impactos serão inevitáveis. Mas precisamos estar preparados para o momento da retomada, que esperamos não demorar”, declarou.

Apesar do tom otimista, Filosa admitiu que não será possível sair da crise sem consequências. Questionado sobre a situação dos funcionários brasileiros, ele disse apenas que os profissionais das linhas de produção encontram-se em “parada produtiva” e, os demais, em home office. E completou que demissão é sempre o último recurso.
“É uma crise multissistêmica, pois começa na saúde, mas passa para a economia, educação, logística, transporte público. Então, é bem mais grave que só uma crise econômica. Mas sabemos que ela vai passar”, completou.

Adiamento – Sobre os R$ 16 bilhões a serem investidos pelo o grupo Fiat Chrysler no Brasil nos próximos anos, dos quais R$ 8,5 bilhões serão destinados na planta mineira, o executivo admitiu possivelmente serão adiados, incluindo a inauguração da nova fábrica de motores GSE Turbo, que estava prevista para o fim deste exercício, e o lançamento de modelos, como a nova Strada, que seria apresentada ao mercado em abril.

“Os investimentos serão adiados em três, seis ou 12 meses. Com isso, o plano poderá ser estendido até 2025. Mas os valores, carros, modelos e linhas de produção serão os mesmos”, garantiu.