Os viadutos sobre o Anel Rodoviário (e) e a avenida Tereza Cristina (d) esperam há década pelos trilhos do Metrô de BH, que nunca chegam | Crédito: Reprodução Google Maps

Muita gente acha que a Linha 2 do metrô de Belo Horizonte – popularmente conhecida como Ramal do Barreiro – seria iniciada do zero. Mas não será. O trecho está com o projeto básico praticamente já concluído, da mesma forma que o projeto executivo.

Parte das obras civis de engenharia também já foi realizada, como as chamadas obras de artes especiais, que respondem por um percentual elevado do custo total do projeto.

Entre estas obras estão a transposição ferroviária da Gameleira (passagem sobre a linha de carga da Ferrovia Centro Atlântica e da Vale Logística Integrada), os viadutos ferroviários sobre a avenida Tereza Cristina e o Anel Rodoviário, além do viaduto rodoviário da avenida Costa e Silva sobre a linha férrea.

Em todas estas obras, houve dispêndio de recursos públicos federais, mas não há uso dos equipamentos construídos, tendo em vista que não aconteceu o término da implantação da linha e os trens não estão em operação.

“As obras mais complexas são as que já estão prontas”, afirma o engenheiro Ubirajara Tadeu Malaquias Baía, analista técnico da Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU) em Belo Horizonte e membro da Comissão de Transportes da Sociedade Mineira de Engenheiros (SME).

Segundo ele, para evitar a deterioração dos bens já construídos e também a necessidade de se refazer outras obras já realizadas, é fundamental que sejam canalizados os recursos necessários para que todas as etapas do projeto possam ser executadas e a linha colocada em operação o quanto antes.

De acordo com Ubirajara Baía, os sucessivos adiamentos do projeto abrem caminho para que fatos novos, como a invasão da faixa de domínio, possam vir a ocorrer, o que ocasionaria a necessidade de a CBTU recorrer à Justiça para conseguir retomar a posse da área, contribuindo para que o projeto sofra novos atrasos, tendo em vista que sem a retirada dos ocupantes, não é possível realizar qualquer intervenção na área.

Início – A implantação da Linha 2 foi iniciada em março de 1998, pelo governo federal, tendo sido executadas, além das obras de arte especiais, as de terraplenagem, drenagem, contenção, vedação da faixa de domínio e desvios ferroviários da linha de carga. Em seu conjunto, o que já foi feito corresponde a cerca de 65% do total previsto para o trecho.

Para a conclusão da linha serão necessários recursos da ordem de R$ 1,2 bilhão, a serem utilizados na conclusão dos projetos ainda não desenvolvidos; execução de desapropriações remanescentes e de obras civis restantes; além da aquisição dos sistemas elétrico, de comunicação, de controle de tráfego, de arrecadação e de acesso (catracas), entre outros, bem como de 12 trens, cada um com seis carros.

O Barreiro é a segunda região com maior movimento do município de Belo Horizonte, somente ficando atrás da região Centro-Sul. Com a implantação da Linha 2, a CBTU projeta que deverá ser atendida uma demanda inicial de 140 mil usuários por dia, com possibilidade de se chegar a 260 mil em médio prazo. Para a Linha 2 estão projetadas sete estações: Nova Suíça, Amazonas, Salgado Filho, Vista Alegre, Ferrugem, Jardim Industrial e Barreiro.

 

Corte de recursos – Até antes do Carnaval, a previsão era de que esses recursos viriam integralmente do pagamento da multa devida pela FCA pelo abandono de trechos ferroviários localizados em sua área de concessão.

Porém, no Carnaval, o Ministério da Infraestrutura cedeu à pressão de municípios que têm trechos abandonados da ferrovia e fez um corte no recurso previsto para o metrô de Belo Horizonte, que perderia um terço desse valor, passando a receber R$ 800 milhões, em vez do R$ 1,2 bilhão previsto inicialmente.

De acordo com Ubirajara Baía, se o dinheiro previsto estivesse em caixa e não houvesse nenhum contratempo maior, em quatro anos os trens estariam rodando no novo trecho do metrô de Belo Horizonte.

Oficialmente, a superintendência de Belo Horizonte da CBTU, responsável pela operação do metrô da Capital, não considera que os recursos previstos para Belo Horizonte estejam perdidos. Por isso, a empresa optou por não fazer qualquer análise sobre quais etapas do projeto seriam prejudicadas pelo corte de R$ 400 milhões.

Para Ubirajara Baía, a retomada das obras irá produzir impactos positivos que serão sentidos não só pela população que reside nas proximidades da linha, mas também pela cidade como um todo. Ele aponta, entre estes benefícios, a inibição de novas invasões da faixa de domínio, cessando o acréscimo de recursos para conter novas invasões; a inibição de uso da faixa de domínio para depósito de lixo e entulhos, que representam riscos à saúde da população e ao meio ambiente e a preservação dos serviços já executados, como os de vedação da faixa, de terraplanagem e drenagem.

Do ponto de vista mais geral, para a população, ele aponta, como benefícios, o resgate do otimismo quanto ao projeto do metrô, considerando-se a grande expectativa da população em relação aos seus benefícios, há décadas prometidos e tão sonhados.

Para os empresários, a construção da Linha 2 significaria, segundo ele, resgatar a credibilidade no projeto do metrô, com possibilidade de retorno de investimentos realizados na região, como Shopping Barreiro. “Não é tarefa fácil entender o porquê de, até hoje, tudo isto ainda estar por fazer, mesmo depois do tanto que já foi feito”, afirma o integrante da Comissão de Transporte da SME. (Conteúdo produzido pela SME)