Engenheiro se destaca por aplicar o processo de raciocínio da Teoria das Restrições e mostra que soluções eficazes podem ser simples - Crédito: Jaiel Prado Fotografia

Muitos empresários, incluindo engenheiros e empresas de engenharia, se perdem quando decidem implantar sistemas de inovação. Acabam encontrando pontos de melhorias em quase todas as áreas, e querendo aperfeiçoar todas, muitas vezes se perdem com soluções mais complicadas e sofisticadas do que o necessário. O caso de Aureo Villagra mostra que o sucesso pode estar no foco e na simplicidade.

Aureo Villagra é engenheiro eletrônico formado pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC/RS). Em meados dos anos de 1980, ele foi apresentado à Teoria das Restrições (Theory of Constraints – TOC) enquanto fazia MBA em Gestão Empresarial na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Isso ocorreu ao ler o best-seller de gestão no mundo “A Meta”, que introduz aplicações de TOC para produção.

Ele decidiu colocar em prática esse modo diferente de pensar. Enquanto trabalhava na fábrica gaúcha da Siemens, aplicou os conceitos na linha de produção. Em apenas duas semanas, conseguiu reduzir o tempo de produção de sete para dois dias, enquanto os estoques caíram pela metade.

Tudo devido a uma mudança de mentalidade, que, como ele faz questão de ressaltar, ataca os pontos que representam obstáculos ao crescimento e ao atingimento da meta da empresa. Para que essa mudança de mentalidade possa tornar-se realidade, o primeiro passo, segundo Aureo Villagra, é passar a acreditar que uma meta ousada de crescimento é possível de ser atingida e abandonar a ideia de que não vai dar certo.

Villagra acabou se destacando dos outros engenheiros pelo pensamento diferenciado e pelos resultados que obteve através das aplicações da Teoria das Restrições, o que lhe abriu diversas oportunidades em sua carreira, passando a ser consultor, e ao longo do tempo, sócio da Fundação Fockink, até a fundação de sua própria consultoria, a Villagra Gestão Empresarial. Hoje, Aureo é sócio da multinacional Goldratt Consulting, consultoria multinacional que foi fundada pelo criador da Teoria das Restrições, Eli Goldratt. Aureo é também CEO das operações no Brasil e em Portugal. Com isso, tem auxiliado muitas empresas, instituições e também pessoas físicas brasileiras, de perfis e tamanhos os mais diversos, a encontrar o caminho do sucesso.

“Com a Teoria das Restrições, ajudamos as organizações a identificarem os pontos de alavancagem que liberam seu crescimento e definimos as mudanças necessárias para que alcancem os resultados esperados”, explica Aureo Villagra. Ele ensina as empresas e organizações em geral a agirem com simplicidade na busca de soluções para crises para as quais parece não haver saída.

O segredo, segundo Aureo Villagra, para atingir sucesso é usar a simplicidade e o foco para enfrentar situações complexas, estratégia que, segundo ele, serve tanto para objetivos empresariais como para metas pessoais. “O objetivo dessa teoria é concentrar-se apenas no que tem de ser resolvido, em vez de resolver tudo o que pode ser resolvido. É uma forma de usar a simplicidade para resolver problemas complexos. Esse olhar do sistema como um todo e fazer o ajuste apenas naquilo que precisa ser melhorado pode ser um grande diferencial competitivo para a empresa e para o profissional”, afirma Aureo Villagra.

Trata-se, segundo ele, de algo semelhante ao “ovo de Colombo”, que é simples até o momento em que alguém descobre a sua simplicidade. “Depois que encontramos a solução, todos dizem que ela era óbvia”. Para exemplificar, Aureo Villagra recorre a outra metáfora – a dos desconcertantes dribles que Pelé fazia com muita naturalidade. “Depois que Pelé mostrou como se dava o drible, pareceu ser óbvio para todos os jogadores, mas ninguém tinha visto essa forma de driblar antes. Então, é preciso entender que simples não quer dizer fácil; simples é profundo, é ver a essência das coisas” ressalta AureoVillagra.

A Teoria das Restrições tem esse nome porque analisa o sistema como um todo para identificar o que restringe, o que bloqueia o seu funcionamento. “Aí você foca só naquele ponto, só na restrição”, explica.

Realidade – A implementação da “Teoria das Restrições” é feita pela empresa israelense Goldratt Consulting, que tem operações também no Japão, Índia, China, Estados Unidos, além de diversos países da Europa e América Latina. Entre seus clientes estão a Boeing, Lufthansa, estado de Utah, nos Estados Unidos, Sony, Toyota, força aérea dos Estados Unidos e governo do Japão. A TOC pode ser aplicada às mais diversas áreas, como a indústria, o varejo, a gestão de projetos, escolas, governos, e também na vida pessoal. “Dá certo no mundo inteiro. É um processo de raciocínio que ajuda a pensar, a ver a realidade como ela é, e não como se gostaria que fosse. Cada País tem a sua realidade e, dentro da cultura de cada um, temos de vislumbrar as melhores soluções”, afirma Aureo Villagra.

Edital recebe projetos de inovação em energia elétrica

Engenheiros e empresas de engenharia que trabalhem na área de energia elétrica e tenham ideias inovadoras podem receber financiamento para torná-las realidade. Até 31 de janeiro, o Energy Future, o hub de inovação do setor elétrico, estará recebendo os projetos, que deverão se enquadrar em uma das seguintes categorias: renováveis e storage;smart grid and meter; gestão energética e novos negócios em geração e distribuição; serviços ao cliente de distribuição; e performance e digitalização.

A relação dos projetos a serem incentivados será divulgada no dia 29 de maio pelo site do projeto: https://www.energyfuture.com.br. As inscrições também são feitas exclusivamente pelo site.

Trata-se do maior edital aberto no País para projetos de pesquisa e desenvolvimento do setor elétrico brasileiro. O Energy Future tem a chancela da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e de seis concessionárias de energia: AES Tietê, Energisa, Enel, Equatorial, Light e Santo Antônio.