Em 15 dias, a Duda Laços produziu e vendeu 300 máscaras artesanais | Crédito: Divulgação

Se inicialmente a orientação da Organização Mundial da Saúde (OMS) era para que somente pessoas infectadas pelo novo coronavírus (Covid-19) fizessem uso de máscaras, agora o protocolo mudou e os médicos dizem que o acessório pode ser uma importante barreira contra a proliferação da doença. No Brasil, o Ministério da Saúde pede que a população use os modelos caseiros, de maneira a deixar as máscaras cirúrgicas e N95/PFF2 para os profissionais da saúde.

Diante das mudanças, empresas e pessoas de todo o País viram na confecção de máscaras caseiras uma oportunidade de negócio e passaram oferecer os itens por meio das redes sociais ou entre a carteira de clientes. Em Belo Horizonte, há opções em todas as regiões da cidade, diferentes modelos, tamanhos e cores, que podem ser retirados pessoalmente ou entregues via delivery ou pelos Correios.

A Bagabi Arteira, por exemplo, é uma microempresa voltada para a confecção de fantasias e roupas infantis com nove anos de mercado. Segundo a proprietária, Junya Coutinho de Sant’Anna, com o avanço da pandemia no País, muitos pedidos de roupas e fantasias foram cancelados ou adiados e ela precisou se reinventar.

“Me antecipei às recomendações do Ministério da Saúde, pois estava acompanhando a falta de máscaras cirúrgicas em outros países e vendo que alguns médicos estrangeiros já estavam fazendo uso das opções caseiras. Então comecei a me preparar e a pesquisar sobre a possibilidade de oferecer aqui no Brasil”, explicou.

Assim, Junya Coutinho consultou diferentes profissionais da saúde e começou a confeccionar as peças. Segundo ela, em pouco mais de 10 dias já foram vendidas aproximadamente 500 unidades – e 10% deste total destinadas à doação.

E, com o aumento da procura por insumos, já que assim como a empresária, outras pessoas estão fabricando as máscaras não apenas para uso próprio, mas também para comercialização, os preços dos insumos já começam a subir e alguns deles, a faltar no mercado. “Antes eu pagava R$ 30 no rolo do elástico. Agora já dobrou de valor. Sem contar que já estou com dificuldade junto aos fornecedores”, reclamou.

De toda maneira, ela diz que vai seguir com as vendas de máscaras pelos próximos cinco ou seis meses, período em que acredita que a demanda deverá continuar.
A Bagabi Arteira oferece kits com 4 máscaras no valor de R$ 60. Segundo Junya Coutinho, são todas fabricadas com tecido 100% algodão e duplamente forradas. As pessoas podem fazer encomendas pelas redes sociais e retirar o pedido pessoalmente ou combinar a entrega via motoboy ou pelos Correios.

A Roseane Cristine Rocha Costa, proprietária da Duda Laços, loja virtual de laços e acessórios infantis, também resolveu investir na produção das máscaras artesanais. Segundo ela, a iniciativa surgiu justamente a partir da procura por parte dos clientes.

“Como eu já trabalho com artesanato e costura, foi fácil implementar. As máscaras são feitas em tecido tricoline e dupla face. Em 15 dias de produção, já vendemos mais 300“, disse.

Roseane Costa também oferece diversos tamanhos, cores e opções e o preço médio é R$ 11. Segundo ela, as vendas são feitas pelas redes sociais e aplicativos de mensagem.

“Depois de algumas buscas na internet, vi alguns profissionais de saúde alertando para o risco do tecido de algodão atrapalhar a respiração. Por isso, optei pelo tricoline”, justificou.
Segundo as recomendações do Ministério da Saúde, as máscaras caseiras além de eficientes, são simples e não exigem grande complexidade na produção e pode ser um grande aliado no combate à propagação do coronavírus no Brasil. Conforme a Pasta, para ser eficiente como uma barreira física, a máscara precisa seguir algumas especificações.

“É preciso que a máscara tenha pelo menos duas camadas de pano, ou seja, dupla face. Além disso, podem ser feitas em tecido de algodão, tricoline, TNT ou outros tecidos, desde que desenhadas e higienizadas corretamente. O importante é que a máscara seja feita nas medidas corretas cobrindo totalmente a boca e nariz e que estejam bem ajustadas ao rosto, sem deixar espaços nas laterais”, diz comunicado oficial do Ministério. Mas vale dizer que o equipamento é de uso individual.

“Você pode fazer uma máscara ‘barreira’ usando um tecido grosso, com duas faces. Não precisa de especificações técnicas. Ela faz uma barreira tão boa quanto as outras máscaras. A diferença é que ela tem que ser lavada pelo próprio indivíduo para que se possa manter o autocuidado. Se ficar úmida, tem que ser trocada. Pode lavar com sabão ou água sanitária, deixando de molho por cerca de 20 minutos. E nunca compartilhar, porque o uso é individual”, explicou o então ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, na última semana.

Juruaia pede insumos para fabricar produto

Conhecido nacionalmente por seu protagonismo na fabricação de lingeries no Brasil, o Polo de Juruaia, no Sul de Minas Gerais, agora está presente no cenário nacional com outro propósito: ajudar vencer a guerra contra o Covid-19, doença causada pelo novo coronavírus.

Em uma mobilização sem precedentes, todos os integrantes da cadeia de produção de Juruaia estão juntando forças, recursos e muita solidariedade para agilizar a fabricação de máscaras que serão doadas a hospitais. Ao todo, a região pretende conseguir produzir e entregar 10 mil máscaras até o final do mês. Entretanto, o objetivo é receber insumos para alcançar a meta de 1 milhão de máscaras para doação.

Os materiais necessários são TNT comum e cirúrgico, que também pode ser utilizado para fazer aventais, e insumos usados na fabricação de lingeries como elásticos de calcinha e fio linho

A movimentação e organização está sendo viabilizada principalmente pela união de forças por meio da parceria entre gestão privada e gestão pública, que está acontecendo entre a prefeitura municipal, a secretaria de desenvolvimento social e as associações de grupos de negócios.

A prefeitura por meio da Secretaria de indústria e Comércio e da Saúde compraram TNT cirúrgico e entregaram a várias fábricas, que estão doando seu tempo e mão de obra, muitas delas formadas por profissionais autônomos, que estão trabalhando voluntariamente.

Os insumos, que também incluem linha e elástico, estão sendo doados por fornecedores do próprio polo. E algumas compras complementares são feitas de alguns varejistas pelas próprias confecções, o que inclusive está movimentando a economia local.

Corrente do bem – E nessa corrente do bem, ninguém fica de fora. Transportadoras que atendem o polo estão se prontificando a distribuir matéria-prima nas fábricas e a entregar as peças finalizadas para doação gratuitamente. A adesão de mais transportadoras poderá ampliar as áreas de entregas.

Lojas de venda e manutenção de máquinas de costura estão a postos para consertar equipamentos que venham a se danificar durante o processo de produção das máscaras, sem cobrar por isso, para que a produção não seja prejudicada. Quem desejar colaborar pode entrar em contato com a Aciju através do e-mail aciju@aciju.com.br. (Da Redação)