Levantamento do Sebrae Minas aponta que 52% dos empreendedores já preveem que precisarão de empréstimos | Crédito: Alisson J. Silva Ultima Hora Confecção - 06/07/10

As medidas de restrição e circulação de pessoas recomendadas pelas autoridades sanitárias, como forma de conter o avanço do novo coronavírus (Covid-19) pelo País já refletem no equilíbrio financeiro das empresas e ameaçam a sobrevivência de pequenos negócios. Somente em Minas Gerais, 89% dos empreendimentos de pequeno porte já registram queda no faturamento e 34% só conseguirão manter o funcionamento por mais um mês.

Foi o que apontou pesquisa realizada pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) com 788 empresas do Estado. De acordo com o gerente do Sebrae Minas, Alessandro Chaves, como o levantamento ocorreu entre os dias 20 e 23 de março, o governo federal ainda não havia editado a Medida Provisória (MP) que autoriza as empresas a reduzirem, proporcionalmente, a jornada de trabalho e os salários dos empregados.

“Se o estudo fosse feito hoje, o cenário seria outro. Existia uma expectativa do setor produtivo quanto a ações do governo neste sentido, mas ainda não era nada certo. De toda maneira, é bom salientar que o pacote divulgado ontem resolve parte do problema, e não ele não todo. Grande parte dos custos das micro e pequenas empresas está na folha de pagamento, no entanto, há outros gastos como tributos, matéria-prima, financiamentos, entre outros”, justificou.

Segundo a pesquisa, os pequenos negócios mineiros sentiram uma redução de 66,4% no volume de vendas registrado na última semana em relação a um período normal. A perda, em termos de faturamento mensal, chegou a mais de 50% para a maior parte dos entrevistados (57%).

“No caso dos pequenos negócios, o impacto vem de imediato, porque as vendas deixam de existir, o dinheiro deixa de entrar e o caixa para de girar”, explicou.

Empréstimos – Com a situação, o levantamento da entidade indicou que 52% dos empreendedores já preveem que precisarão solicitar empréstimos para manter o negócio sem gerar demissões nos próximos meses. Outros 31% disseram que já percebem aumento dos preços dos insumos, 16% no custo com pessoal e 5% nos preços dos aluguéis.

Questionados sobre quanto tempo conseguirão manter seus negócios em funcionamento, 34% dos entrevistados disseram que aguentariam até 1 mês, 31% de 2 a 3 meses, 12% de 3 a 6 meses, e apenas 2% conseguiram se manter no mercado por mais de 6 meses.

“Com o novo cenário a partir da ajuda do governo, é provável que estes índices diminuam. Porque, além de a empresa ganhar fôlego para manter os funcionários, aumenta a expectativa quando a existência de uma renda mínima para que a população mantenha um consumo básico de comércio e serviços”, avaliou.

O gerente citou, por fim, outras medidas dos governos federal e estadual que também poderão ajudar as empresas neste momento. Entre elas, o alongamento de dívidas, a liberação de linhas de crédito especiais e a redução ou renegociação de dívidas referentes ao fornecimento de água e luz.

“Estas ações foram imprescindíveis para que os negócios não fossem ainda mais atingidos no primeiro momento. Além disso, existe a expectativa da retomada gradativa de algumas atividades, o que poderá beneficiar a economia, e as empresas que têm investido no comércio on-line e em delivery. Há algumas contribuições para um cenário menos pior daqui para frente”, opinou.