O calor do verão faz das praias o principal destino das viagens - Crédito: Divulgação

Na estação do Sol e no mês das férias, quem pode quer mais é correr para algum lugar de sombra e água fresca para se esbaldar no verão. Em janeiro os mineiros não pensam duas vezes para correr para alguma praia, seja ela a mais próxima, no Espírito Santo, ou em qualquer outro lugar do mundo, especialmente no Nordeste brasileiro e no Caribe.

De acordo com o presidente da Associação Brasileira das Agências de Viagem de Minas Gerais (Abav-MG), Alexandre Brandão, até agora o setor tem motivos para comemorar. Apesar da crise econômica ainda resistente e o preço do dólar por volta dos R$ 4, as pessoas estão viajando. A expectativa é que o volume de viagens seja maior 7,5% nesse verão em relação ao mesmo período no ano passado.

“É claro que a desvalorização do real impacta nos planos dos turistas, mas o valor de agora não é muito diferente do que estava no início do ano, então as pessoas puderam se planejar. O que acontece é, às vezes, abrir mão de um determinado passeio ou atração no destino, ou escolher uma hospedagem de padrão inferior para resolver a questão do custo”, explica Brandão.

Brandão: expectativa positiva para o Carnaval – Crédito: Divulgação

Atendendo os últimos retardatários das férias, as agências já começam a se movimentar para o Carnaval, que acontecerá no dia 25 de fevereiro. A distância entre o fim de janeiro e a festa de momo deixa o segmento animado.

“As reservas para o Carnaval já começaram e a expectativa é que o período tenha um melhor desempenho do que no ano passado. Quando o Carnaval acontece logo no início de fevereiro muita gente faz uma viagem só. Com as datas descoladas mais gente viaja duas vezes, o que é ótimo para o setor como um todo”, avalia o presidente da Abav-MG.

O cenário em uma das mais tradicionais agências de viagem mineira, a Master Turismo, é um pouco diferente. Com boa parte dos negócios voltada para o turismo internacional, a empresa passou por um novembro fraco em relação ao registrado ano passado.

Praias do Nordeste do País estão entre os destinos mais procurados pelos turistas mineiros para as férias – Crédito: Márcio Filho/MTur

Segundo a gestora de lazer da Master Turismo, Débora Mendes, em dezembro é possível afirmar – apesar dos números ainda não terem sido fechados – uma recuperação em relação ao mês anterior. “A procura para esse verão foi menor do que para o mesmo período do ano passado. Além do dólar o medo do óleo nas praias dos fizeram com que muita gente mudasse o destino ou desistisse da compra. Para a alta temporada as pessoas costumam fazer a reserva com mais antecedência, por isso esperávamos um novembro melhor. Em dezembro sentimos uma recuperação”, pontua Débora Mendes.

Quanto ao Carnaval, a expectativa é grande, porém o ritmo de vendas ainda é lento. O mesmo acontece na Atlanta Soluções em Viagens, sediada em Nova Lima, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH). De acordo com o membro da equipe da Atlanta, César Neves, o distanciamento entre o fim das férias e o Carnaval é um fator que favorece as vendas para o feriado de fevereiro. O momento ainda é de pesquisa e a efetivação das vendas, entretanto, só deve acelerar na segunda quinzena de janeiro.

“Para esse verão a procura foi menor do que em 2018. A principal causa é a alta do dólar, que impacta também o nacional, especialmente o preço das passagens aéreas. Para o Carnaval a expectativa é boa, principalmente porque está longe das férias e muita gente que não viajou em janeiro aproveita a oportunidade”, avalia Neves.

Circuitos – E mesmo quem não tem praia – mas tem outros atrativos encantadores – também se beneficia da temporada. O Circuito Turístico do Ouro (CTO) – que reúne as cidades de Ouro Preto, Mariana, Sabará, Caeté, Santa Bárbara, Itabira, Nova Era, Barão de Cocais, Nova Lima, Itabirito, Rio Acima, Catas Altas, Raposos, Congonhas e Ouro Branco -, já está com 70% de ocupação no parque hoteleiro.

“Para nós a alta temporada é em julho, onde temos o maior movimento. O índice de ocupação para o verão está dentro da nossa expectativa. É um grande desafio mostrar que existem outras opções de destino além das praias. O que motiva as pessoas nessa época é a possibilidade de fazer um turismo de qualidade mais barato e de fácil acesso, especialmente para quem vem de Belo Horizonte”, analisa a diretora-executiva da Associação Circuito do Ouro, Márcia Martins.