Filosa: Betim é o 2º polo automotivo da América Latina - Crédito: Leo Lara/Studio Cerri

Para sustentar o crescimento estimado a partir dos R$ 8,5 bilhões a serem investidos até 2024 na planta de Betim, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), a Fiat Chrysler Automóveis (FCA) ampliou o cinturão de fornecedores no entorno da planta industrial mineira.

Nos últimos três anos, pelo menos dez novas empresas de componentes automotivos de alta tecnologia se somaram às 88 já existentes em um raio de até 50 quilômetros da unidade.

Fiat expande cinturão de fornecedores em Betim
Filosa aponta que a utilização da capacidade instalada da fábrica em Betim deve atingir 65% neste ano – Crédito: Leo Lara/Studio Cerri

A informação foi dada pelo presidente da FCA para a América Latina, Antonio Filosa, durante coletiva de imprensa para divulgar os planos da montadora para o Brasil e Minas Gerais neste exercício.

A quantidade de fornecedores instalados nas redondezas da fábrica faz com que a cidade de Betim abrigue o segundo maior polo automotivo da América latina.

Ao todo são 14 empresas localizadas dentro do perímetro da montadora, 29 instaladas em um raio de até 10 quilômetros, 34 distantes até 30 quilômetros e outras 11 situadas a 50 quilômetros, em média. Somam-se ainda mais nove fornecedores em até 130 quilômetros e outros 12 para além desta distância, totalizando 109 empresas de peças e componentes automotivos com contratos com a Fiat.

“Possuímos uma estratégia de alta localização na nossa produção fabril em Betim, com 90% dos componentes e materiais utilizados fabricados no entorno da fábrica. Para avançarmos com os projetos no complexo, bem como a introdução de novas linhas e a implantação de uma nova planta de motores, precisamos também aprimorar os fornecedores, pois não fazemos nada sem eles”, explicou.

Ao todo, o grupo Fiat Chrysler investirá R$ 16 bilhões no Brasil até 2024, plano que foi anunciado em junho de 2018. Na época, o montante somava R$ 14 bilhões, mas foi atualizado em função da variação cambial.

Lançamentos – Para este ano, a montadora também confirmou a inauguração da nova fábrica de motores GSE Turbo na planta de Betim. Com isso, a produção de motores e transmissões na unidade vai passar neste ano de 1,1 milhão para 1,3 milhão de unidades anuais.

Trata-se dos novos propulsores turbo 1.0 e 1.3 que, a partir do ano que vem, serão responsáveis por equipar os próximos lançamentos de Fiat e Jeep, além de abastecer mercados importantes da Europa, em cerca de 260 mil unidades exportadas.

Filosa também citou o lançamento da nova picape Fiat Strada no segundo trimestre deste ano, que exigiu investimento bilionário do grupo e será fabricada na unidade mineira. Além disso, a marca vai lançar entre 2021 e 2022 dois modelos SUVs, com o primeiro sendo posicionado abaixo do preço dos modelos da Jeep – também a serem produzidos em Betim.

Vendas – Em 2019, a FCA vendeu 496,6 mil automóveis e comerciais leves no Brasil, alta de 14,5% sobre o ano anterior. O resultado leva em consideração os emplacamentos das marcas Fiat, Jeep, Dodge, Chrysler e RAM. Com esse resultado, o grupo alcançou 18,7% de market share, avanço de 1,2 ponto percentual em relação ao desempenho de 2018.

Para este ano, o executivo estimou que as vendas do mercado brasileiro de veículos leves devem subir 6%. No caso da FCA, ele acredita em alta acima do desempenho do mercado nacional. “Queremos continuar crescendo no Brasil e atingir market share de 19%”, completou.

Somente em Betim, cuja capacidade de produção é de 600 mil veículos por ano, a nova Strada vai ampliar a utilização da fábrica quando somada à versão anterior do modelo, disse Filosa. Segundo ele, no ano passado o nível de utilização da planta ficou em 60% e neste ano deverá chegar a 65%. “Já a partir de 2021, com a entrada das novas linhas SUVs aumentaremos ainda mais a utilização”, revelou.

Em conversa com jornalistas de São Paulo, o presidente afirmou que para uma boa operação em Betim, o ideal é a produção de 450 mil veículos por ano. E que em 2020, a produção será cerca de 400 mil, em 2021, com as SUVs, vai passar de 450 mil.

Por fim, Filosa ressaltou que com o aumento da produção na planta mineira e a consequente elevação do fluxo de veículos nas vias de acesso ao complexo – seja de transportadoras ou de funcionários – a montadora tem conversado com os governos estadual e federal com o intuito de atrair melhorias rodoviárias para a região.

“Os governos estão sempre muito atentos às necessidades das empresas e mostraram-se abertos a discutir algumas propostas. Ambos sabem que uma produção como a da Fiat gera valor agregado em desenvolvimento econômico e social”, destacou.