A Fiat Chrysler deve postergar investimentos previstos de R$ 8,5 bilhões na planta de Betim em 2020 | Crédito: Charles Silva Duarte/Arquivo DC

Não bastassem os substanciais gastos na saúde e o impacto direto nas receitas do Estado, em função das medidas de restrição e circulação de pessoas recomendadas pelas autoridades sanitárias, a chegada do novo coronavírus (Covid-19) a Minas Gerais já faz com que empresas adiem investimentos até então previstos.

Como forma de tentar amenizar as consequências não apenas para os cofres públicos, que já estimam perdas de R$ 7,5 bilhões em arrecadação neste exercício, mas também para dar suporte ao desenvolvimento econômico do Estado, o governo mineiro já prepara um plano de retomada econômica para quando passar a pandemia.

De acordo com o presidente da Agência de Promoção de Investimento e Comércio Exterior de Minas Gerais (Indi), Thiago Toscano, um dos órgãos que integram o comitê que acompanha a evolução do quadro fiscal e econômico diante da disseminação do Covid-19 no Estado, a intenção é oferecer a empresas e investidores, os caminhos e perspectivas de retomada.

“Estamos preparando estratégias com o BDMG (Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais) e com a Secretaria (de Estado) de Fazenda para retomarmos os níveis de investimentos, quando esse cenário passar. Agora, diante tantas incertezas, é natural que uma ou outra empresa postergue projetos, vislumbrando um cenário mais maduro e estável para investir. E é nisso que vamos focar, em preparar o território mineiro para receber esses investimentos”, explicou.

Toscano ainda se mostrou otimista quanto à retomada dos aportes no médio prazo. “O impacto será inevitável, mas vamos trabalhar para que não seja duradouro. Para isso, vamos acelerar alguns processos que já estavam em andamento e prosseguir com negociações que já tinham sido iniciadas. Estamos criando uma força-tarefa para que Minas Gerais seja o estado mais bem preparado para receber os investimentos pós-crise”, adiantou.

Questionado sobre a manutenção das metas em atração de investimentos privados para Minas, o presidente do Indi disse que o Executivo ainda não trabalha com queda das projeções. Conforme já divulgado, meta do governo Romeu Zema é alcançar R$ 150 bilhões e gerar 600 mil empregos diretos até 2022.

Da mesma maneira, o secretário de Estado da Fazenda, Gustavo Barbosa argumentou que entende que a suspensão de novos aportes não irá ocorrer. “Esta é uma situação momentânea. O Estado continua sendo rico economicamente, com atrativos em termos de consumo e infraestrutura. Teremos apenas algumas postergações. Mas nem todas as empresas vão adotar”, garantiu.

Entre as empresas que já anunciaram adiamentos, a Fiat Chrysler Automóveis (FCA) com planta industrial em Betim, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), comunicou que os R$ 16 bilhões a serem investidos pelo grupo no Brasil nos próximos anos, dos quais R$ 8,5 bilhões serão destinados ao Estado, possivelmente serão adiados. Isso inclui a inauguração da nova fábrica de motores GSE Turbo, que estava prevista para o fim de 2020, e o lançamento de modelos, como a nova Strada, que seria apresentada ao mercado em abril.

Em entrevista coletiva virtual, o presidente da FCA para a América Latina, Antonio Filosa, disse que os aportes serão adiados em três, seis ou 12 meses. E que, com isso, o plano poderá ser estendido até 2025. “Mas os valores, carros, modelos e linhas de produção serão os mesmos”, garantiu.

Aeroporto – Já a BH Airport, concessionária que administra o Aeroporto Internacional de Belo Horizonte, localizado em Confins (RMBH) previa inversões da ordem de R$ 130 milhões para este exercício no terminal, mas também suspendeu os projetos. Além disso, o terminal 2 será parcialmente fechado, do portão 19 ao 27, de maneira que os voos fiquem concentrados no terminal 1, entre os portões 1 e 16, e dos portões 17 e 18, do terminal 2.

De acordo com o gestor de Marketing, Comunicação e Ouvidoria da concessionária, Nicolau Maranini, a alteração, que é temporária, trará mais eficiência operacional aos pousos e decolagens que estão limitados a uma malha aérea essencial, com poucas rotas definidas pelas companhias aéreas, bem como irá otimizar recursos operacionais.

“Estamos reduzindo cerca de 60% dos custos do aeroporto junto a fornecedores e parceiros, negociando contrato por contrato”, informou.

Por outro lado, Maranini revelou que o início das operações do aeroporto-indústria e a obtenção de certificação para cargas especiais regulamentadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) pelo terminal de cargas, nas próximas semanas, farão toda a diferença no momento de retomada das operações da aviação civil. “Estas medidas irão colocar o Aeroporto Internacional de Belo Horizonte em outro patamar”, apostou.