Crédito: Marcos Santos/USP Imagens

O percentual de inadimplentes em Belo Horizonte chegou a 31,4% em março, o que representa um crescimento de 3,3 pontos percentuais em relação a fevereiro (28,1%). O endividamento das famílias, que apresentava recuo há cinco meses, também aumentou, atingindo 72,1% dos consumidores, contra 71,7% em fevereiro.

Os dados compõem a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), realizada pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Minas Gerais (Fecomércio-MG). Os números, elaborados com informações da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), ainda não contemplam os reflexos da disseminação do novo coronavírus (Covid-19), uma vez que o estudo foi elaborado nos últimos dez dias de fevereiro.

De acordo com o economista-chefe da entidade, Guilherme Almeida, a tendência é de que essa situação de inadimplência se intensifique em abril, influenciada pela pandemia que atinge todo o mundo. “Os setores econômicos vêm sentindo efeitos negativos. Há muitas empresas fazendo cortes, demitindo, renegociando para a continuidade de suas operações e, com isso, o consumidor acaba sentindo no seu orçamento também”, avalia ele.

Todo esse cenário, diz Guilherme Almeida, leva a uma dificuldade de as pessoas se planejarem, tendo em vista a imprevisibilidade relacionada à renda. Existe também o fato de que componentes da cesta básica podem ter um consumo inflacionado. Além disso, os muitos desempregados, atualmente, estão sem perspectivas de conseguir uma nova colocação, dadas as condições econômicas de grande parte das organizações.

Março – Se a questão do novo coronavírus ainda não impactou a pesquisa, o que contribuiu, então, para o aumento dos números evidenciados no estudo? O economista-chefe da Fecomércio-MG ressalta que esse movimento de crescimento que ocorre nos primeiros meses do ano está ligado a fatores sazonais.

“São diversos os compromissos que apertam o orçamento familiar nesse período, como o pagamento de impostos, matrículas escolares e os contratados no fim do ano, como as compras de Natal e Black Friday que, por geralmente serem mais elevadas, são parceladas no cartão de crédito”, diz ele. Junto a isso, ressalta o economista, há a falta de planejamento, o que amplia o risco de entrar na inadimplência.

Dívidas – O estudo revelou, ainda, que 11,3% dos consumidores afirmam que não têm condições de quitar a dívida. O cartão de crédito lidera a lista como a opção mais usada pelos consumidores belo-horizontinos (86,7%).

As pessoas também citaram como modalidade de dívida os carnês (13,3%), o financiamento de carro (13,1%), o financiamento imobiliário (8,5%) e o cheque especial (8,6%).

“O endividamento, em si, é positivo, pois mostra que as pessoas estão contratando linhas de crédito, de financiamento. É um termômetro para o consumo. Quando a inadimplência cresce, aí surge o problema. Essas pessoas ficam à margem do mercado de consumo. Com isso, a cadeia produtiva também sente”, salienta Guilherme Almeida.

Vendas de supermercados surpreendem

São Paulo – O movimento dos supermercados do Brasil ficou acima da média no período de 14 a 21 de março, afirmou a Associação Brasileira de Supermercados (Abras) ontem, acrescentando que o fluxo de clientes nas lojas tem se normalizado.

“O mês de março foi atípico para o setor supermercadista brasileiro, marcou o início do combate à propagação do coronavírus (Covid-19) no País”, destacou a Abras, em nota, explicando que o movimento maior se refletirá nos resultados do setor no mês.

“O crescimento no número de casos da doença e o isolamento social orientado pelo Ministério da Saúde e seguido por governadores de diversos estados impulsionou a população nas compras de abastecimento”.

Em fevereiro, as vendas dos supermercados tiveram crescimento real de 4,61% em relação a janeiro, enquanto o resultado ano a ano, já deflacionado pelo IPCA, mostrou salto de 15,88%, de acordo com a Abras. No acumulado do primeiro bimestre, o setor registrou alta de 10,35% nas vendas.

De acordo com o presidente da Abras, João Sanzovo Neto, o segmento de autosserviço começou 2020 com um dos maiores resultados dos últimos nove anos, 5,11% de crescimento, e em fevereiro continuou bem positivo, registrando 4,61% de expansão.

“Desde 2012 que não registrávamos um número tão bom para o mês”, afirmou a Abras sobre fevereiro. (Reuters)

IGP-DI acelera avanço a 1,64% no País

São Paulo – O Índice Geral de Preços-Disponibilidade Interna (IGP-DI) acelerou a alta a 1,64% em março, após variação positiva de 0,01% em fevereiro, recebendo impulso da alta dos preços tanto no atacado quanto no varejo, segundo os dados divulgados ontem pela Fundação Getulio Vargas (FGV).

O resultado ficou acima da expectativa em pesquisa da Reuters, de alta de 1,28% na mediana das projeções.

O Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA-DI) – que responde por 60% do indicador todo – passou a subir 2,33% em março, após recuo de 0,03% em fevereiro.

Colaborando para essa leitura, o grupo Matérias-Primas Brutas saltou 5,63% no período, acelerando a alta ante ganho de 0,29% em fevereiro. Os itens minério de ferro, soja e café tiveram o maior peso sobre esse movimento.

Já o Índice de Preços ao Consumidor (IPC-DI), que responde por 30% do IGP-DI, subiu 0,34% em março, ante variação negativa de 0,01% no mês anterior.

A principal colaboração para esse resultado veio dos grupos Alimentação e Habitação, que subiram 1,35% e 0,28% em março, respectivamente, ante alta de 0,35% e queda de 0,38% no mês anterior. As carnes bovinas e a tarifa de eletricidade residencial foram itens de destaque para o resultado do IPC.

O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC-DI), por sua vez, desacelerou a alta a 0,26% no período, de 0,33% em fevereiro.

O IGP-DI é usado como referência para correções de preços e valores contratuais. Também é diretamente empregado no cálculo do Produto Interno Bruto (PIB) e das contas nacionais em geral. (Reuters)