Índice de atividade tem o melhor resultado em sete anos no Estado
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O índice de atividade da construção em Minas Gerais apresentou um aumento de 3,3 pontos em dezembro de 2019 na comparação com igual período de 2018, atingindo 45,2 pontos, de acordo com os dados divulgados pelo Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado de Minas Gerais (Sinduscon-MG).

O número é o mais elevado para o mês em um período de sete anos, apesar de ter apresentado um recuo de 3,4 pontos na passagem de novembro para dezembro.

O índice de evolução do número de empregados também apresentou queda em dezembro em relação a novembro, de 2,8 pontos, registrando 45,4 pontos. Em contrapartida, foi o maior para o mês em sete anos e aumentou 5,3 pontos em relação a dezembro de 2018.

Conforme ressalta a economista e assessora econômica do Sinduscon-MG, Ieda Vasconcelos, os recuos em dezembro são algo sazonal, já esperado para o mês. De acordo com ela, o período chuvoso e os encerramentos de obras nessa época são alguns dos fatores que contribuem para a diminuição nos números.

“A queda de dezembro não é uma tendência, mas reflete uma sazonalidade. Já o fato de o índice de atividade de construção ser o maior para dezembro em sete anos significa que há uma mudança de rota nas atividades do setor”, diz ela.

Conforme a assessora econômica do Sinduscon-MG destaca, o setor de construção passou por cinco quedas consecutivas, de 2014 a 2018, perdeu quase um milhão de trabalhadores com carteira assinada e apresentou uma redução de 30% no Produto Interno Bruto (PIB). No entanto, agora, esse cenário vem mudando.

“A conjuntura macroeconômica está mais favorável com a redução da taxa de juros, que refletiu também na queda do crédito imobiliário. Além disso, há uma volta na geração de empregos com carteira assinada”, ressalta Ieda Vasconcelos.

Esses fatores contribuíram, inclusive, para aumentar a confiança dos empresários. Ainda de acordo com os dados do Sinduscon-MG, o Índice de Confiança do Empresário da Indústria da Construção de Minas Gerais (Iceicon-MG) chegou aos 61,9 pontos em janeiro, o que representa um aumento de 2,8 pontos em relação a dezembro (59,1 pontos).

Os números revelam que os empresários estão confiantes pelo nono mês consecutivo, já que os 50 pontos separam a confiança da falta de confiança. O índice também apresentou incremento na comparação com janeiro de 2019, de 2,8 pontos, e foi o maior para o mês em um período de nove anos.

“Os empresários estão otimistas por duas razões: sentem uma melhora nas condições atuais e também maior expectativa”, destaca Ieda Vasconcelos.

Nesse cenário, o componente do Iceicon-MG de condições atuais apresentou melhora pela sétima vez consecutiva, mostrando um incremento de 0,2 ponto entre dezembro e janeiro, quando atingiu 56,1 pontos. O número é 6,2 pontos maior do que o verificado em janeiro de 2019 (49,9 pontos) e foi o maior desde o mês de julho de 2011 (58,9 pontos).

Já o componente de expectativas chegou a 64,8 pontos em janeiro, o que representa uma alta de 4,4 pontos na comparação com dezembro (60,4 pontos) e aponta otimismo dos empresários pelo 16º mês consecutivo. O índice foi o melhor para o mês em um período de oito anos e teve, ainda, um incremento de 1,1 ponto na comparação com janeiro de 2019.

Além disso, o índice de intenção de investimentos aumentou 2,4 pontos em janeiro, atingindo 44,5 pontos. Na comparação com o mesmo período do ano passado, o incremento foi de 36,6 pontos, um aumento de 7,9 pontos. Trata-se, ainda, do melhor resultado em seis anos.

Lucro operacional – Os dados divulgados pelo Sinduscon-MG mostram também que o índice de satisfação com a margem de lucro operacional apresentou um incremento de 4,9 pontos entre o terceiro trimestre (36,9 pontos) e o quarto trimestre do ano passado (41, 8 pontos). O indicador apresentou, ainda, um incremento de 11,1 pontos em relação ao quarto trimestre de 2018 (30,7 pontos), sendo o mais elevado para o período em seis anos e mostrando a menor insatisfação dos empresários com o lucro operacional.

“O número aumentou, mas ainda não é satisfatório porque a recuperação não se deu por completo”, diz Ieda Vasconcelos.

Problemas – Em relação aos problemas enfrentados pela indústria da construção mineira, os dados do Sinduscon-MG mostram que no quarto trimestre de 2019, a carga tributária continuou como o maior desafio vivido pelo segmento, com 39,5% das assinalações. Depois vêm demanda interna insuficiente (28,9%) e inadimplência dos clientes (23,7%).