Indústria da panificação em Minas estima crescer 10%
Entre os desafios enfrentados pelo setor atualmente está a alta nos preços do trigo por conta da valorização do dólar frente ao real - CREDITO:ALISSON J. SILVA

A indústria de panificação deverá crescer aproximadamente 10% neste ano, de acordo com os dados divulgados pelo Sindicato e Associação Mineira da Indústria de Panificação (Amipão). No ano passado, a expansão foi de 6%, ainda segundo a entidade.

Os avanços verificados ao longo do tempo, assim como as boas expectativas, são fruto de uma série de fatores, conforme destaca o presidente do Amipão, Vinicius Dantas. As próprias padarias, afirma ele, tiveram de se reinventar para continuar crescendo.

Hoje, os estabelecimentos do segmento já investem em almoços e nas pizzas e cervejas artesanais, por exemplo, principalmente para o fim de tarde, entre outras soluções. Além disso, o setor tem sido criativo para lidar com os desafios que surgem no meio do caminho, como o aumento do preço do trigo, motivado, sobretudo, pela taxação da Argentina, que vive uma grave crise econômica, e pela alta do dólar.

“Só nos últimos três meses, o produto teve um aumento de 25%. As padarias tiveram que lidar com isso sem repassar os custos. Assim, passaram a agregar ainda mais valor ao que é oferecido no café da manhã, por exemplo. O pão virou um sanduíche, com acréscimo de queijo, manteiga, entre outros produtos à escolha do consumidor, o que interfere no valor do quilo”, diz ele.

Entretanto, não foi somente essa reinvenção das padarias que deixou os números mais robustos. O cenário econômico atual, com a inflação baixa e controlada, e as perspectivas relacionadas a mudanças, como as relacionadas às chamadas reformas estruturais, segundo Vinicius Dantas, também têm a sua participação nos resultados mais expressivos.

O presidente do Amipão cita que a reforma trabalhista, por exemplo, poderia ter sido mais ousada, mas foi algo positivo. As mudanças relacionadas à terceirização também produzem os seus impactos, diz ele, que menciona, ainda, a reforma tributária como outro fator importante. “Isso tem flexibilizado um pouco mais a condição do empresário para investir”, avalia.

Desafios em 2020 – Apesar das boas expectativas que têm se revelado presentes, o setor também deve continuar a enfrentar os desafios que se intensificaram em 2019, principalmente relacionados à alta do dólar e do trigo.

“Apesar de ser um desafio, faz pensar fora da caixa, ser mais criativo. O empreendedor brasileiro está virando empresário realmente, pois muitas vezes era só um especulador. Agora, passa a entender mais o que é gestão, administração. Somente intuição não faz ganhar dinheiro”, ressalta o presidente do Amipão.

Sendo assim, dentro do segmento, ressalta Vinicius Dantas, é preciso pensar em vender mais, buscando, para isso, uma dinâmica de maior produtividade.

“A indústria de congelamento, por exemplo, favorece muito esse processo. Grandes indústrias já fornecem produtos congelados”, diz ele, ressaltando, ainda, que os itens podem ser apenas finalizados nos estabelecimentos. “Assim, consegue-se ir diminuindo os custos”, frisa.