A utilização da capacidade instalada do parque fabril de Minas Gerais avançou para 81,5% em novembro - Crédito: Alisson J. Silva

O faturamento do parque fabril mineiro cresceu 1,4% em novembro na comparação com outubro do ano passado. Em relação ao mesmo período de 2018, no entanto, houve baixa de 2,2%. Também foram registrados recuos no acumulado do ano e nos últimos 12 meses.

O aumento apurado na comparação mensal está relacionado principalmente ao crescimento das demandas em virtude da proximidade do fim do ano.

De acordo com a analista de estudos econômicos da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Julia Silper, o principal destaque da Pesquisa Indicadores Industriais (Index) de novembro diz respeito aos resultados do acumulado do ano. Segundo ela, tanto o faturamento da indústria quanto as horas trabalhadas caíram nos onze meses de 2019 sobre a mesma época do ano anterior e no acumulado dos últimos 12 meses.

Os números foram de -4,6% e -4,5% no caso do faturamento de janeiro a novembro e nos 12 meses, respectivamente, e de -1,6% e -2% nas horas trabalhadas, na mesma ordem.

O principal motivo está relacionado à paralisação parcial da indústria extrativa mineral. “A queda vem ocorrendo desde o início do ano com a paralisação das atividades em algumas minas do Estado, por causa do rompimento de uma barragem em Brumadinho, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), prestes a completar um ano”, destacou.

Setores – Conforme a economista, quando considerado os setores, a indústria extrativa acumulou perda de 42,2% no faturamento de 2019 até novembro, enquanto a indústria da transformação perdeu 0,6% no mesmo período. Ela ressaltou ainda a representatividade de cada área para a economia mineira. Assim, dificilmente, o parque industrial do Estado conseguirá reverter o cenário com os resultados de dezembro.

“Em 2019, a atividade industrial de Minas Gerais foi fortemente impactada pelas paralisações parciais do setor extrativo mineral e pela desaceleração econômica de parceiros comerciais importantes, como a Argentina. Já a liberação de saques do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço), a redução das taxas de juros, o avanço do crédito e a retomada gradual do mercado de trabalho estimularam o consumo nos últimos meses daquele ano e deverão continuar favorecendo a indústria do Estado em 2020”, apostou.

Além disso, a pesquisa relatou que as horas trabalhadas na produção subiram 0,9% em novembro ante outubro, em razão do crescimento na indústria de transformação (1,2%). Por outro lado, a indústria extrativa mostrou queda de 0,5%. Em relação a novembro de 2018, houve aumento de 0,7%, e de janeiro a novembro, o índice retraiu 1,6%.

Emprego – Já o emprego apresentou números positivos no penúltimo mês de 2019. Em novembro em relação a outubro, houve incremento de 0,5%, e frente a novembro de 2018, a alta foi de 4,3%. Já nos onze meses do ano passado, o crescimento foi de 1,7%, mesmo percentual apresentado nos 12 meses. Segundo Julia Silper, os números estão em linha com outros levantamentos e indicam a retomada do mercado de trabalho no Estado.

A massa salarial foi maior em novembro na comparação com outubro (0,6%). Frente a novembro de 2018, o índice avançou 4,6%. Nos onze meses do ano passado, subiu 0,9%.

Por fim, a utilização da capacidade instalada aumentou 0,9 ponto percentual em novembro, saindo de 80,6% em outubro para 81,5% no penúltimo mês de 2019.

Uso da capacidade instalada chega a 78,2%

Brasília – O nível de utilização da capacidade instalada da indústria brasileira subiu para 78,2% em novembro de 2019, na série dessazonalizada (ajustada para o período). Com o aumento de 0,3 ponto percentual em relação a outubro, o indicador atingiu o maior nível desde agosto de 2018. As informações estão na pesquisa Indicadores Industriais divulgada na sexta-feira (17) pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).

De acordo com a entidade, a utilização da capacidade instalada deve fechar 2019 com resultado positivo, apesar do ritmo de crescimento da indústria “frustrante”, especialmente no início de 2019. Segundo a CNI, o faturamento, o emprego e as horas trabalhadas na produção devem ter fechado o ano com pequenas quedas na comparação com a média de 2018. A massa salarial e o rendimento médio do trabalhador devem ter retrações mais acentuadas, diz a entidade.

A expectativa do setor é de que a indústria inicie 2020 mantendo a tendência de recuperação do segundo semestre.

Os Indicadores Industriais mostram que, depois de cinco altas consecutivas, o faturamento real do setor caiu 0,6% em novembro frente a outubro, nos dados dessazonalizados. De acordo com a CNI, a queda é bem inferior ao crescimento acumulado nos cinco meses anteriores, de 4,3%. Ou seja, o resultado não representa uma reversão da recuperação dos últimos meses, mas, possivelmente, uma acomodação no ritmo de crescimento. No acumulado de janeiro a novembro, o faturamento registra queda de 0,9%.

Pelo segundo mês consecutivo, as horas trabalhadas na produção ficaram estáveis em relação ao mês anterior na série dessazonalizada. No acumulado de janeiro a novembro frente ao mesmo período de 2018, recuaram 0,4%. O emprego também permaneceu estável em novembro em relação a outubro e, no acumulado de janeiro a novembro, apresentou queda de 0,3% na comparação como o mesmo período de 2018.

A massa real de salários caiu 0,1% e o rendimento médio do trabalhador recuou 0,3% em novembro frente a outubro, na série livre de influências sazonais. Os dois indicadores são os que registram as maiores retrações no acumulado do ano. De janeiro a novembro de 2019, a massa real de salários diminuiu 1,5% e o rendimento médio real do trabalhador teve queda de 1,3%. (ABr)