Carnaval de BH será impulsionado com patrocínio de R$ 14,3 milhões
Neste ano, 453 blocos de rua realizarão 520 desfiles na folia de Belo Horizonte - Crédito: Alexandre Guzanshe/Belotur

À espera de 5 milhões de foliões nas ruas entre os dias 8 de fevereiro e 1º de março, Belo Horizonte se prepara para viver o maior Carnaval da sua história. Viabilizada pela Prefeitura de Belo Horizonte (PBH), por meio da Empresa Municipal de Turismo de Belo Horizonte (Belotur), com patrocínio master da Skol Puro Malte e patrocínio do iFood e do Iti – aplicativo de pagamentos digitais do Itaú Unibanco, a festa captou R$ 6 milhões em verba direta, e outros R$ 8,3 milhões em planilhas de estruturas e serviços, por meio de Edital de Patrocínio.

De acordo com o presidente da Belotur, Gilberto Castro, o diferencial do Carnaval da Capital está no planejamento, que valoriza uma festa democrática, feita pelos blocos de rua e que mantém a cidade funcionando.

“O Carnaval é um ótimo negócio para a cidade, feito com dinheiro da iniciativa privada. Este ano, tivemos um incremento de 950% em relação ao patrocínio de 2017, por exemplo. Belo Horizonte está preparada e vamos fazer uma festa segura, com infraestrutura para enfrentar qualquer intercorrência”, explica Castro.

Entre as novidades está o maior número e descentralização dos palcos oficiais. Dessa vez serão nove: Praça da Estação, Parque Municipal (com o Carnavalzinho), Barreiro, Venda Nova, Lagoinha, Serra, Zilah Spósito e Confisco.

Pela primeira vez patrocinando o Carnaval da Capital, o iFood investiu R$ 1,2 milhão. De acordo com o diretor de Políticas Públicas do iFood, João Sabino, além de toda a rede de restaurantes cadastrada funcionando, a empresa vai disponibilizar O iFood Park, um espaço na Savassi que vai reunir diferentes pontos de alimentação.

“Espero que essa seja a primeira vez de muitos carnavais que vamos participar em Belo Horizonte. Nesse ano, vamos gerar cerca de 200 empregos temporários na cidade e vamos estrear a opção ‘retirada no ponto’. Assim, o consumidor vai poder fazer o pedido pelo aplicativo e retirar no ponto em que for conveniente para ele, criando comodidade”, pontua Sabino.

Principal atração do Carnaval da Capital, 453 blocos estão cadastrados para realizar 520 desfiles pelas nove regionais da cidade. Foram destinados R$ 850 mil em subvenções – 42% a mais do que em 2019 -, em cotas que vão de R$ 5 mil até R$ 12 mil para cada um dos contemplados. Em 2020, a estrutura montada para os desfiles das escolas de samba e blocos caricatos será ampliada. O valor das subvenções teve 100% de aumento na comparação com o ano passado. Cada grupo habilitado recebeu R$ 200 mil para desfilar na avenida. Os blocos caricatos receberam uma subvenção, para o Grupo A, que passou de R$ 45 mil, em 2019, para R$ 50 mil em 2020. O valor também aumentou para o Grupo B, de R$ 31 mil para R$ 35 mil.

Sem apresentar uma estimativa de arrecadação, a PBH destaca que a realização do evento não tem custos para os cofres públicos. Em 2019, durante os 23 dias de período oficial, de acordo com dados da Belotur, as ruas receberam cerca de 4,3 milhões de foliões, sendo 80,1% moradores da região metropolitana e 19,9% visitantes. A economia movimentou mais de R$ 700 milhões.

Ainda de acordo com o balanço, os 204 mil foliões que vieram de outras cidades participaram, em média, de quatro dias do Carnaval e tiveram um gasto médio diário de R$ 179,58 por pessoa, no ano passado.

Estudo da Associação Brasileira dos Bares e Restaurantes em Minas Gerais (Abrasel-MG) estima um crescimento médio entre 30% e 40% no faturamento do segmento em relação ao Carnaval do ano passado. Estabelecimentos da região Centro-Sul, especialmente aqueles que ficam no trajeto dos principais blocos, podem dobrar o faturamento.

Pesquisa realizada pela Associação Brasileira da Indústria de Hotéis de Minas Gerais (Abih-MG) revela que este ano os empreendimentos da região Centro-Sul devem ter ocupação média de 80%. O restante da Capital deve se contentar com 58% de taxa média de ocupação.

“O Carnaval hoje é o maior evento que acontece na cidade, viabilizado pela iniciativa privada, e é responsável por gerar muitos empregos e movimentar a economia de toda a região. Não sei se já temos o maior Carnaval do Brasil mas, com certeza, temos o melhor”, afirma o presidente da Belotur.

Da programação associada do Carnaval fazem parte a segunda edição da Mostra Gentileza no Carnaval e o Festival Carnaval Gastrô, além dos eventos particulares realizados na cidade. A Mostra aborda a relação da folia com a cidade e convida os visitantes para um roteiro interativo pelo hall do edifício-sede da Prefeitura. No piso, um grande mapa da cidade exibe informações da programação e sugere atrativos naturais, culturais e gastronômicos da Capital para que cada folião passeie pela cidade criando seu próprio roteiro. Nas paredes, um grande mural pintado pelo artista Fernando Perdigão mostra alguns dos personagens da festa e dita o clima da decoração, convidando a todos a criarem suas próprias fantasias.

Pela terceira vez acontece o “Carnaval Gastrô”, com apoio da Abrasel-MG. A ação reúne 54 restaurantes que vão apresentar pratos exclusivos para a festa com preços especiais.

Durante o pré-carnaval também serão realizadas programações com atrações no Espaço Cênico Yoshifumi Yagi/ Teatro Raul Belém Machado, nos centros culturais e no Museu da Moda.

Data deverá render boas vendas

O Carnaval deste ano promete movimentar as vendas nos setores de comércio e serviços em Belo Horizonte. Os empresários estão otimistas e esperam um volume de vendas maior de produtos alimentícios (57,4%). Bebidas vêm em segundo lugar (52%); roupas (17,6%); adereços ou fantasias (10%); cosméticos (8,5%) e instrumento musical (2,7%).

Os dados são de uma pesquisa realizada pela Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL/BH) com empresários da Capital, entre os dias 20 de janeiro e 3 de fevereiro, que apontou também um gasto médio dos foliões de R$ 54,79 em cada compra realizada durante o período oficial do Carnaval, sendo que a maior parte irá optar pelo pagamento à vista (86,1%).

A principal forma de pagamento será pelo cartão de débito (39,1%); à vista no cartão de crédito (33%); parcelado no cartão de crédito (13,9%) e no dinheiro (13,3%).

Hotelaria – Os empresários do ramo hoteleiro de Belo Horizonte também estão otimistas com os foliões que vêm de outras cidades e esperam, em média, que fiquem hospedados quatro dias durante o período do Carnaval com um gasto médio de R$ 810.

O valor médio da diária é de R$ 202,50 e a principal forma de pagamento será via cartão de crédito (65%).

O presidente da CDL/BH, Marcelo de Souza e Silva, ressalta que o Carnaval de Belo Horizonte cresceu de forma expressiva nos últimos anos, gerando reflexos positivos nos setores de comércio e serviços de Belo Horizonte. “O grande número de turistas que visita a Capital nesse período, somadas à permanência dos moradores, ajuda a movimentar a economia local contribuindo para o aumento das vendas e a geração de emprego e renda, além de impulsionar a rede hoteleira da cidade”, afirma Souza e Silva. (Da Redação)