Crédito: Charles Silva Duarte/Arquivo DC

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo – 15 (IPCA-15) apresentou um aumento de 0,23% em março em relação a fevereiro na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH). Os dados foram divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O resultado é o terceiro maior entre as 11 áreas abrangidas pela pesquisa. Na liderança, ficaram Fortaleza (0,44%) e Recife (0,32%). No Brasil, a variação foi de 0,02%.
Já quando se trata da variação acumulada em 12 meses, a RMBH atingiu 3,50%, quinto menor resultado entre as áreas pesquisadas. Nacionalmente, no mesmo período, o índice foi de 3,67%.

Em relação à variação mensal da RMBH ter sido uma das maiores do País, o coordenador da pesquisa em Minas Gerais, Venâncio da Mata, afirma que a diferença se fez, principalmente, por causa do grupo de alimentação e bebidas, que teve um crescimento maior do que a média nacional.

Enquanto em Minas o incremento do grupo foi de 0,73%, no Brasil foi de 0,35%. Os destaques ficaram com cenoura (42,27%), hortaliças e verduras (8,75%), tomate (7,59%), frutas (1,95%) e leites e derivados (0,88%), que tiveram impactos, respectivamente, de 0,03p.p., 0,02p.p., 0,02p.p., 0,02p.p. e 0,02p.p. “A alimentação fora do domicílio também teve um aumento, de 0,66%, sendo que o crescimento principal foi nas refeições, de 0,90%”, acrescenta ele. Por outro lado, as carnes tiveram queda de 0,72%.

Venâncio da Mata acrescenta também que outro aumento diferenciado na RMBH em relação ao Brasil em geral foi no grupo de comunicação, com crescimento de 0,69% e 0,33%, respectivamente. O maior responsável foi o preço dos aparelhos telefônicos, que teve incremento de 3,09% e impacto de 0,03 p.p.

Já o grupo saúde e cuidados pessoais avançou 0,63%. Itens de higiene, perfumes e produtos para pele aumentaram 1,49%, 5,07% e 3,31%, respectivamente.

Do lado das quedas ficou o grupo transporte (-0,60), responsável pelo maior impacto negativo no índice, de 0,12 p.p. Houve recuo nos valores das passagens aéreas, de 20,50% e nos combustíveis, de 0,98%. A gasolina apresentou um recuo de 0,98% e o diesel de 2,83%. O automóvel usado, por sua vez, aumentou 1,61% e o conserto de automóvel, 1,46%.

Coronavírus – Os números são ainda uma prévia da inflação de março. Conforme destaca o coordenador do IPC do FVG Ibre André Braz, a disseminação do novo coronavírus (Covid-19) e o isolamento social, com as pessoas ficando mais em casa, poderão impactar esses valores.

“As famílias estão há mais tempo em suas residências, consumindo suas principais refeições no lar. Portanto, deverá haver um aumento de preço por causa de uma demanda mais forte por comida. Além disso, o medo de a situação piorar faz com que as pessoas comprem em maior quantidade”, diz.

No entanto, o resultado não deverá ser tão mais robusto por causa da queda no preço da gasolina, que reflete a questão do aumento da oferta de petróleo. “É um efeito compensando o outro, permitindo que a inflação continue relativamente baixa”, destaca André Braz.