Alimentos puxam inflação na RMBH em janeiro
Batata-inglesa e banana-prata estiveram entre os subitens com maiores altas nos preços - Crédito: Charles Silva Duarte / ARQUIVO DC

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou um crescimento de 0,20% na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH) em janeiro na comparação com dezembro. Os dados foram divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Trata-se do oitavo maior resultado mensal entre as 16 áreas abrangidas pela pesquisa da entidade.

Já a variação acumulada em doze meses apresentou um incremento de 3,68%. Na comparação com as outras áreas pesquisadas pelo IBGE, o número da Região Metropolitana de Belo Horizonte representa o quarto menor resultado, ficando à frente apenas de Vitória (3,31%), Brasília (3,57%) e Rio de Janeiro (3,60%).

Conforme destaca o gerente de índice de preços ao consumidor do IBGE, Pedro Kislanov, o aumento verificado na RMBH neste mês não difere praticamente nada do que foi registrado no Brasil, sendo que a variação mensal nacional foi de 0,21%.

Na região mineira, o que mais impactou os números foi o grupo de alimentação e bebidas (0,60%). Os subitens que mais contribuíram para a alta foram o tomate (41,15%), a cenoura (30,99%), a batata inglesa (28,20%) e a banana prata (12,31%). Conforme ressalta o gerente do índice, esse crescimento do grupo guarda relação com o período chuvoso.

O segundo maior incremento do IPCA no mês de janeiro veio dos transportes (0,43%). “Houve um crescimento na passagem do ônibus intermunicipal, de 7,89%, além de um aumento de 3,95% no etanol”, ressalta o gerente de índice de preços ao consumidor do IBGE.

Queda – Em relação às quedas, o vestuário apresentou a redução mais representativa, de 0,46%. Nesse grupo, tiveram destaque os subitens vestido infantil (-3,40%), conjunto infantil (-3,34%), calça comprida feminina (-2,74%) e blusa (-2,69%).

“As reduções em vestuários são muito comuns nos meses de janeiro. As quedas podem ser verificadas em vários anos seguidos. Existe um padrão muito parecido nesse período, pois é um mês no qual, geralmente, os lojistas costumam dar vários descontos”, salienta Pedro Kislanov.

Saúde e cuidados pessoais, por sua vez, apresentaram uma redução de (0,15%), sendo que as maiores quedas vieram do produto para pele (-5,53%) e perfume (-4,66%). “Esse é um grupo que também segue um pouco a lógica do vestuário”, destaca o gerente de índice de preços ao consumidor do IBGE.

Mudança de hábitos – O IPCA do último mês de janeiro foi o primeiro apurado tendo como base os novos cálculos do IBGE, que levaram em conta as transformações dos hábitos dos consumidores. Esse novo cenário foi verificado na Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) 2017/2018.

A mudança realizada pela entidade inseriu novos itens que ganharam destaque no dia a dia das pessoas nos últimos anos, como o transporte por aplicativo e os serviços de streaming. Por outro lado, retirou alguns itens como aparelhos de DVD, máquina fotográfica e revelação.

País tem menor variação do Plano Real

Rio de Janeiro – Após o pico de dezembro, o preço da carne recuou em janeiro e reduziu a pressão sobre a inflação do País. O IPCA (a medida oficial de inflação do Brasil) teve alta de 0,21% em janeiro, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a menor variação para janeiro desde o início do Plano Real, em julho de 1994.

O dado ficou abaixo das estimativas de economistas consultados pela Bloomberg, que previam inflação de 0,35% para o mês.

O preço das carnes teve redução de 4,03% em janeiro, após alta de 18,06% em dezembro. Havia a expectativa entre produtores e o varejo de que os preços continuassem a subir, porém com menor intensidade.

“Tivemos uma alta muito grande no preço das carnes, nos últimos meses do ano passado, devido às exportações para a China e a alta do dólar, que restringiram a oferta no mercado interno. Agora, percebemos um recuo natural dos preços, na medida em que a produção vai se restabelecendo para atender ao mercado interno”, disse o gerente da pesquisa, Pedro Kislanov.

Com a variação no preço das carnes, o grupo alimentação e bebidas desacelerou de 3,38% em dezembro para 0,39% em janeiro. Já o maior impacto no mês ficou com o grupo habitação, que apresentou a maior variação, de 0,55%, ou 0,08 ponto percentual no IPCA do mês, puxado pelos aumentos nos preços de condomínio (1,39%) e aluguel residencial (0,61%).

A divulgação é a primeira calculada pelos novos hábitos de consumo. Em outubro do ano passado, o IBGE divulgou que, a partir de janeiro de 2020, o IPCA ia atualizar os produtos e serviços para medir a inflação oficial do País, pesquisando a variação nos preços de 56 novos elementos.

Com a mudança no cálculo do índice, o grupo transportes passou a ter o maior peso na nova cesta e registrou 0,32% em janeiro, puxado pela gasolina (0,89%) e o etanol (2,59%). Os ônibus urbanos variaram 0,78% pelos reajustes nas tarifas em várias regiões. Já passagens aéreas caíram 6,75%, após alta de 15,62% em dezembro.

O transporte por aplicativo, que tem os preços coletados pelo robô criado pelo IBGE que passou a trabalhar no novo cálculo de índice, recuou 0,54% em janeiro, com maior registro em Goiânia (1,99%) e maior queda em São Paulo (-2,89%).

Outros itens que passaram a ser calculados com as mudanças foram serviços de streaming, que não variaram, além de higiene de animais domésticos, com 0,19%, cabeleireiro e barbeiro, com 0,20%, e sobrancelha, com 0,26%.

Regiões – Na análise por regiões, três tiveram deflação das 16 pesquisadas pelo IBGE. Foram elas Rio Branco (-0,21%), São Luís (-0,19%) e Brasília (-0,12%). A maior inflação foi em Belém e Aracaju (0,39%).

Em dezembro, a inflação marcou 1,15%, no que havia sido o maior resultado para o mês desde 2002, quando ficou em 2,10%. Já em janeiro de 2019, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) marcou 0,32%, pressionado por alimentos e bebidas. (Folhapress)