Crédito: Amintas Vidal

AMINTAS VIDAL*

A Ford já declarou que só produzirá picapes e SUVs na maior parte dos mercados em que atua. Mas ainda existe grande demanda por sedans e hatches compactos em países emergentes, como a Índia e o Brasil, por exemplo. O Ka e o Ka Sedan atendem estes consumidores brasileiros.

DC Auto recebeu o Ford Ka Freestyle 1.0, manual, para avaliação. No site da montadora ele é apresentado com cor metálica e completo, sem opcionais, e seu preço sugerido é R$ 58,79 mil. É possível configurá-lo na cor preta sólida, única opção para o preço de entrada, R$ 57,44 mil. O branco sólido custa R$ 600,00 e todas as outras cores, inclusive esse marrom da unidade avaliada, R$ 1,35 mil.

Seus principais equipamentos, todos de série, são: ar-condicionado, direção elétrica com ajuste de altura do volante, travas e vidros elétricos dianteiros e traseiros, sistema multimídia com Apple CarPlay e Android Auto, comando de voz, entrada USB, tela de LCD multifuncional touchscreen no painel central de 7 polegadas com conexão bluetooth, controles de áudio no volante e 4 alto falantes.

Entre os equipamentos de segurança, os destaques são: assistente de partida em rampas, controles eletrônicos de estabilidade (ESC) e tração (TCS), sistema de proteção anticapotamento com sensor de deriva (ARP), freios ABS com EBD, duplo airbag, ganchos de ancoragem para cadeiras de crianças (Isofix), cintos de segurança traseiros laterais e central de 3 pontos, farol de neblina, retrovisores externos com indicador de direção, sensor de estacionamento traseiro e travamento automático das portas.

Crédito: Amintas Vidal

Freestyle – A versão Freestyle traz, exclusivamente, alterações estéticas e alguns equipamentos. Seus para-choques apresentam desenho mais encorpado e imitação de peito de aço na parte inferior central de ambos.  Nas laterais, molduras em plástico preto contornam as caixas de rodas, passam pelas soleiras e formam uma linha contínua ao redor do carro.

Os faróis têm acabamento escurecido, as lanternas traseiras são fumês e a grade dianteira, em forma de colmeia, é pintada em preto. As capas dos retrovisores externos são pintadas em cinza, assim como as rodas em liga leve.

No interior, a parte superior do painel e o console central são feitos em plástico na cor marrom, mesmo tom usado nos detalhes dos acabamentos das portas. A cor se repete nos grafismos do tecido dos bancos que também têm áreas revestidas em material sintético que imita o couro.

As demais partes são moldadas ou revestidas na cor preta, assim como as colunas e o teto. Outra exclusividade da versão são os tapetes feitos em borracha em forma de bandejas, inclusive no porta-malas.

Fechando os diferenciais, o Ka FreeStyle recebe barras longitudinais sobre o teto que deixam a versão preparada para receber um rack (acessório vendido à parte) com capacidade para transportar até 50 Kg de carga.

Crédito: Amintas Vidal

Motor e câmbio O motor é o 1.0 Ti-VCT Flex de três cilindros e 12 válvulas. Ele desenvolve um torque de 10,2 kgfm às 3.500 rpm com gasolina e 10,7 kgmf às 4.500 rpm com etanol. Sua potencia atinge 80 cv com gasolina e 85 cv com etanol, sempre entre 6.300 e 6.500 rpm. O câmbio é o manual de cinco marchas.

O porta-malas do KA Freestyle comporta 257 litros e, o tanque de combustíveis, bons 51 litros. Suas dimensões são: 3,95 metros de comprimento; 2,49 metros de distância entre-eixos; 1,69 metro de largura (sem considerar os retrovisores); 1,56 metro de altura e 18,8 centímetros de vão livre.

A altura do solo foi alcançada por meio de alterações em suas suspensões e o uso de pneus mais altos, nas medidas 185 /60/R15. Com a possibilidade de transportar peso extra sobre a capota, além do elevado centro de gravidade, a versão recebeu mudanças mecânicas para garantir seu controle direcional: o afastamento de 3,0 cm entre as rodas, para aumentar a estabilidade e um maior diâmetro da barra estabilizadora, 2,3 cm.

O Ka ainda é um típico compacto com bom espaço para quatro pessoas e com todos os comandos à mão, apesar dos instrumentos do painel serem igualmente pequenos. Mas por fora, ele se mantém estreito e não é tão comprido, facilitando circular em vias congestionadas e estacionar em vagas apertadas.

O espaço interno para cabeças, ombros e pernas de quatro adultos é muito bom. A área para um quinto passageiro é bem limitada, se o mesmo não for uma criança. Os bancos têm assentos compridos que apoiam bem as pernas e os encostos são um pouco estreitos, porém, suas abas laterais são salientes e seguram o corpo em curvas. A densidade da espuma dos mesmos é boa, mas poderia ser maior, para não cansar os passageiros em viagens mais longas.

Crédito: Amintas Vidal

Interior – O interior apresenta todas as peças plásticas rígidas e uma única e pequena área macia no encosto dos braços das portas dianteiras. A aparência do material está na média do segmento, simples, mas todas as partes são bem feitas e bem encaixadas.

A variedade de cores e texturas, o design moderno das peças e alguns materiais de acabamento cromados e em preto brilhante conferem um pouco de requinte à cabine. Também contribuem com a versão os revestimentos dos bancos que mescla o marrom e o preto e as cores escuras das colunas e do teto.

A nova central multimídia teve a tela um pouco ampliada, de 6,5 polegadas para 7 polegadas. Ela também ganhou novos botões giratórios e de pressão que ficaram em posição mais destacada, facilitando o uso.

Seu funcionamento, tanto usando o bluetooth, como espelhando o celular foi bom, mas ocorreram algumas falhas nas ligações. A sensibilidade ao toque e a velocidade de processamento do sistema ainda podem melhorar.

Eficiência energética é destaque do moderno motor 1.0

A direção elétrica é muito leve e facilita as manobras de estacionamento. Ela ganha peso correto com o aumento de velocidade e é direta o suficiente para dar prazer ao dirigir.

Por sinal, as dimensões compactas do modelo também contribuem neste quesito. Por ter menores distâncias entre-eixos e largura que seus concorrentes, o Ka é mais ágil e responde mais prontamente ao comando do condutor.

O motor é moderno, oferece bom torque em baixas rotações e é econômico, mas não faz milagre. Para ter agilidade nas arrancadas, a primeira marcha ficou muito reduzida e, quando em uma subida, por exemplo, precisa ser esticada antes de se engatar a segunda marcha, pois essa ficou muito longa em relação à primeira.

Em compensação, o câmbio apresenta engates precisos, curtos e a posição correta da alavanca permite trocas com pouco deslocamento do braço, algo até esportivo.

Em deslocamentos urbanos ele é muito ágil, mas, por ter muito torque e a primeira marcha tão curta, sua embreagem não é das mais leves.  Em estradas ele anda bem para um carro com motor 1.0, mas não é silencioso.

Aos 110 km/h e de quinta marcha, a rotação do motor já está a 3.500 rpm e seu ruído é ouvido dentro da cabine. Porém, o som é grave e pouco incomoda. O que mais chama atenção é o som do vento contra a carroceria.

Por ser elevado, o Ka Freestyle é pouco aerodinâmico e sofre para vencer a resistência do ar. Mesmo assim, ele apresentou boas marcas em nosso teste padronizado de consumo.

O resultado das alterações nas suspensões foi muito positivo. O modelo passou a filtrar boa parte das irregularidades do solo e de forma silenciosa. Em comparação ao Fiat Argo Trekking, referência na categoria de aventureiros urbanos, as suspensões do Ka Freestyle trabalham em uma frequência mais alta, com menor amplitude e visando mais a estabilidade que o conforto, necessidades de um modelo mais estreito e igualmente alto.

Mesmo não sendo equipado com pneus de uso misto, e sem a mesma eficiência do concorrente, seu desempenho em estradas de terra é bom e ele passa por lombadas e entradas de garagens sem raspar para-choques ou bater o fundo do carro.

Consumo – Realizamos nosso teste de consumo em um circuito rodoviário de 38,4 km. São duas voltas, uma aos 90 km/h e outra aos 110 km/h. O mesmo motorista, sozinho, ar-condicionado ligado na refrigeração média, ventilação na segunda posição, faróis ligados e vidros fechados completam a padronização.

Já esperávamos uma boa eficiência energética deste motor, principalmente circulando apenas com gasolina. Aos 90 km/h ele cravou 18 km/l. Mesmo aos 110 km/h ele se mostrou econômico, registrando 16,3 km/l.

As médias urbanas não foram tão boas e apresentaram grande variação. Durante o período de avaliação choveu muito e o trânsito estava muito congestionado. Registramos consumo de 5,5 km/l até 9 km/l, também com gasolina.

A Ka Freestyle 1.0 é ideal para quem gosta do estilo, quer um carro econômico e não faz questão de desempenho. Essa versão também é oferecida com câmbio automático e motor 1.5, mas custa quase R$ 12 mil a mais. Quem quer desempenho, mais conforto e abre mão do estilo aventureiro, pode comprar a versão SE com motor 1.5, automática, por apenas R$ 1,45 mil a mais.
*Colaborador

**Essa, e outras matérias, no nosso blog: www.dcautoblog.com